TUDO É SEMPRE POSSÍVEL
"Ao que lhe disse Jesus: Se podes crer, tudo é possível ao que crê", Mar.9:23

A Fé verdadeira é um dom, é um fruto daquela comunhão com Cristo. Imagine-se o que seria esta doutrina nas mãos de alguém que vive para o diabo, como manipularia toda a verdade a seu favor, podendo dominar todos e tudo. Assim, a fé tem limites e limitações a quem tem uma comunhão com Cristo. Daí que lemos “Se podes crer”, pois há quem não possa porque lhe está vedado o acesso à fé. Então, será esta fé dada especificamente para fins específicos, ou estará ela sempre disponível para que, em quem confia Deus, lhe seja dado total acesso à liberdade de decisão sobre aquelas coisas que têm como agradar e glorificar a Deus? É preciso ser mandada ou ela pode decidir quando usufruir de dados momentos de liberdade de escolha? Vemos como Paulo decidiu erguer um certo homem da sua paralisia apenas porque viu que o homem tinha fé nele – nada mais necessitou para lhe dizer “em alta voz: Levanta-te direito sobre os teus pés. E ele saltou, e andava”, (Este ouvia falar Paulo, que, fitando nele os olhos e vendo que tinha fé para ser curado, disse em alta voz: Levanta-te direito sobre os teus pés. E ele saltou, e andava”), Act.14: 10,9. Mas também vemos como Pedro fora guiado a dizer: “Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho, isso te dou; em nome de Jesus Cristo, o nazareno, anda”, Act.3:6. Este coxo já se assentava por ali há muitos anos e todos os dias Pedro passava por ali e também Jesus muitas vezes passou por ele para ir pregar no interior do templo. Deve deduzir-se sem qualquer margem para dúvida que Pedro fora induzido naquele dia a fazer aquilo pelo Espírito Santo e não antes. Mas num e noutro caso havia fé do Espírito neles – um porque era audaz em Cristo, outro porque era obediente, infinitamente obediente. Qual dos dois é você?

É aqui que vemos quando Deus nos deixa ficar mal ou não, se somos guiados ou não, se a nossa fé é verdadeira ou não, se podemos dizer com João “pois a vida foi manifestada, nós a temos visto e dela testificamos”. Ou com Paulo, “Os sinais do meu apostolado foram, de fato, operados entre vós com toda a paciência, por sinais, prodígios e milagres”, 2Cor.12:12. Mas, que fazer se Deus nunca confirmar nossa palavra? O Senhor Jesus disse: “Ao cair da tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. E pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Ora, sabeis discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?” Mat.16: 2,3. Se Deus nunca confirmar sua palavra, deve aceitar tal procedimento como sinal de que tem estado a enganar e a enganar-se a si mesmo – e que Deus quer que veja logo que é assim! É bom sinal que tenha visto tal coisa agora, antes do dia do Juízo, pois ainda tem tempo de se arranjar para que sua palavra se confirme nos Céus ainda. Mas ai daqueles que estão mal e a sua palavra confirma-se, pois estão em vias de serem entregues ao inferno. Seja demónio ou seja Deus quem o deixa prosperar, quem os faz profetizar e operar milagres em Seu nome, está posto em lugares escorregadios para que não veja mais que está em vias de ser condenado. Mas bem-aventurado será aquele a quem Deus não deixa confirmar a Sua palavra quando está em pecado, pois tal coisa servirá de cura para seus olhos. Pode pensar assim: “se Deus não está comigo, é porque tenho de me arranjar”.

Qualquer palavra de Deus é instantânea, qualquer milagre serve de prova de fogo. Se não usufruirmos deles, não há que desistir deles, mas há que orar sem cessar, sem desistir deles. Ali, de joelhos, Deus pode fazer uso daquele tempo para nos corrigir definitivamente. Será melhor então acreditar no Sinal dos tempos, quando Ele fala ou não fala. É que tudo é possível a quem crê – se não for, há que se ver porque não é. Ou os dons são de outros e nós queremos fazer uso deles, (como uma senhora num certo avivamento real que queria tanto falar línguas contra vontade de Deus, que Deus lhe deu o dom continuamente, isto é, não falava em mais nada, sempre que abria a boca nem que fosse para pedir água, jorrava línguas e sentia-se muito mal até que se arrependeu e se prostrou diante da vontade de Que distribui os dons aos homens, dando a quem quer, quando e como quer. Depois de perdoada nunca mais quis falar em línguas contra vontade de Deus). Ou estamos mal com Deus e Ele quer-nos transmitir um sinal claro para que nos arranjemos logo.

Quer operar milagres dentro daquela vontade de Deus? Quer ser Presbítero do Reino de Deus e não consegue? Vai desistir sabendo que busca uma boa coisa? Ou vai santificar-se e curar-se do seu pecado enquanto busca? Não acenda o fogo em vão, não ponha chamas no altar de Deus para logo desistir, pois lemos que “Oxalá que entre vós houvesse até um que fechasse as portas para que não acendesse debalde o fogo do meu altar”, Mal 1:10. Ou ainda, “Todos vós, que acendeis fogo e vos cingis com tições acesos; andai entre as labaredas do vosso fogo e entre os tições que ateastes! Isto vos sobrevirá da minha mão e em tormentos jazereis”, Isa 50:11. Se sua vida nunca funciona, há que buscar Deus ainda, pois ela tem que funcionar, tem como funcionar por Deus.

Existe a história daquele homem de quem a vida nunca funcionava. Havia também à sua volta vidas de ímpios que batiam sempre certo.  Ele orava muito, eles não oravam e desprezavam Deus e homem. Ele era honesto e eles o contrário. Algo de errado havia em ambos e ele não conseguia decifrar o quê até haver entrado no santuário. Ele estava disfuncional porque ainda lhe faltava algo – a plenitude de Vida; eles tinham tudo porque estavam condenados a não pensar que estariam perdidos. A ira de Deus era tão forte contra eles que Deus queria que eles achassem que tudo lhes ia bem. Ele estava mal com Deus, mas como as coisas lhe corriam mal, logo podia ler os sinais dos tempos e arrepender-se e concertar-se dentro do santuário ainda. Um ia mal, mas não estava bem com hipóteses e sinais claros de que deveria arranjar-se; os outros nem podiam pensar que estariam mal, pois Deus queria que chegassem a ele como estavam, em pecado grosseiro. Caso a vida lhes corresse mal, dentro dum ambiente onde se prega a verdade de Deus, há sempre a possibilidade das pessoas se converterem. Isto era o que Deus não queria viesse a dar-se. Mas a quem Deus tira, esse pode ler os sinais de sério aviso e arrepender-se ainda. Este homem escreveu o Salmo 73. Aqui segue a discrição da sua experiência antes que resvalasse por não haver lido bem os sinais:

“Verdadeiramente bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração.  (2)  Quanto a mim, os meus pés quase resvalaram; pouco faltou para que os meus passos escorregassem.  (3)  Pois eu tinha inveja dos soberbos, ao ver a prosperidade dos ímpios.  (4)  Porque eles não sofrem dores; são e robusto é o seu corpo.  (5)  Não se acham em tribulações como outra gente, nem são afligidos como os demais homens.  (6)  Pelo que a soberba lhes cinge o pescoço como um colar; a violência os cobre como um vestido.  (7)  Os olhos deles estão inchados de gordura; transbordam as fantasias do seu coração.  (8)  Motejam e falam maliciosamente; falam arrogantemente da opressão.  (9)  Põem a sua boca contra os céus, e a sua língua percorre a terra.  (10)  Pelo que o povo volta para eles e não acha neles falta alguma.  (11)  E dizem: Como o sabe Deus? e: Há conhecimento no Altíssimo?  (12)  Eis que estes são ímpios; sempre em segurança, aumentam as suas riquezas.  (13)  Na verdade que em vão tenho purificado o meu coração e lavado as minhas mãos na inocência,  (14)  pois todo o dia tenho sido afligido, e castigado cada manhã.  (15)  Se eu tivesse dito: Também falarei assim; eis que me teria havido traiçoeiramente para com a geração de teus filhos.  (16)  Quando me esforçava para compreender isto, achei que era tarefa difícil para mim,  (17)  até que entrei no santuário de Deus; então percebi o fim deles.  (18)  Certamente tu os pões em lugares escorregadios, tu os lanças para a ruína.  (19)  Como caem na desolação num momento! ficam totalmente consumidos de terrores.  (20)  Como faz com um sonho o que acorda, assim, ó Senhor, quando acordares, desprezarás as suas fantasias.  (21)  Quando o meu espírito se amargurava, e sentia picadas no meu coração,  (22)  estava embrutecido, e nada sabia; era como animal diante de ti.  (23)  Todavia estou sempre contigo; tu me seguras a mão direita.  (24)  Tu me guias com o teu conselho, e depois me receberás em glória.  (25)  A quem tenho eu no céu senão a ti? e na terra não há quem eu deseje além de ti.  (26)  A minha carne e o meu coração desfalecem; do meu coração, porém, Deus é a fortaleza, e o meu quinhão para sempre.  (27)  Pois os que estão longe de ti perecerão; tu exterminas todos aqueles que se desviam de ti.  (28)  Mas para mim, bom é aproximar-me de Deus; ponho a minha confiança no Senhor Deus, para anunciar todas as suas obras. 

TUDO NA LUZ
Mas, todas estas coisas, se manifestam pela luz, pois tudo o que se manifesta é luz", Ef.5:13

Nós todos nos sentimos mal quando pecamos e não gostamos de manifestar nosso pecado a ninguém. Daí que quando se peca somos como Adão e Eva, escondendo nossas vergonhas por trás das folhas arranjadas à pressa, tão depressa que nada cobrem. As pessoas em pecado têm sempre pressa em encobrir e por isso dão sempre nas vistas durante a busca de folhas para encobrir. Mas será que devemos ter assim tanta vergonha de nossos pecados? É obvio que todo pecado é coisa de se ter muita vergonha. Mas se não for manifesto pela luz nunca será luz. Logo a tentação existe de nos acanharmos perante Deus. Se o pecado ao menos fosse falado, se ele apenas fosse explicado, repreendido, logo não seria manifesto com aquela Luz que tudo danifica e expõe. Quando é Deus que revela, quando é Ele quem manifesta, as coisas mais vergonhosas se tornam ainda mais e buscamos as folhas para encobrir, porque vemos as coisas como Deus as vê de cima. Logo descobrimos que é uma luta grande, um dilema enorme, mantermo-nos na luz de Deus, pois é muito incómodo, desagradável mesmo. Mas será que compensa, será que vale a pena correr aquele risco de nos escondermos diante de quem tudo revela, porque tudo vê mesmo quando tudo se esconde em qualquer profundeza? Mas se tivermos a audácia de voluntariosamente revelar tudo aquilo que não está encoberto sequer, se tudo expormos naquela luz demolidora, logo temos a segurança de que tudo o que está manifesto é luz e deixou de ser pecado. Pecado exposto deixa de ser pecado, pois extingue-se logo. Algo que é luz, algo que era pecaminoso, estando exposto na luz de Deus e nunca noutra, logo deixa de ser pecaminoso porque morre e a tendência é para nunca mais existir.

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José Mateus
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