DEUS PODE REVELAR SUAS COISAS A SI?
"Então Jezabel mandou um mensageiro a Elias, a dizer-lhe: Assim me façam os deuses e outro tanto, se até amanhã a estas horas eu não fizer a tua vida como a de um deles. Quando ele viu isto, levantou-se e, para escapar com vida, se foi. E chegando a Berseba, que pertence a Judá, deixou ali o seu moço", 1Reis 19:2-3

Jezabel ameaçou a vida de Elias. Ele, por sua vez, que não era um homem temeroso, fugiu porque, conforme lemos, "Viu isto". "Isto" apenas quer dizer que ele consultou Deus sobre as ameaças de Jezabel e viu que Deus não se iria interpor para que "isto" não viesse a acontecer. Fugiu para escapar com vida, sendo a vontade de Deus que vivesse, para o que ele, Elias, teria de fazer algo porque Deus não o iria proteger contra aquelas ameaças, pois tinha algo diferente em mente. Ele nem queria acreditar que teria de levar as ameaças de Jezabel a sério, pois nem sempre levou. De outra forma ele não se teria mexido do seu lugar. Por essa razão, depois de preservar sua própria vida em obediência a essa visão porque Deus assim desejava, decidiu que tinha de ter uma conversa a sós com Deus e deixou ali seu servidor que Deus lhe deu para o acompanhar.

Ele entristeceu-se bastante, não porque Deus não o fosse proteger contra Jezabel que o queria matar - e iria matar mesmo - mas, acima de tudo, porque seu evangelho havia sido rejeitado após tantos feitos grandiosos diante dos olhos de todos. Pensou: "três anos de sofrimento e desgosto não serviram para nada. De nada valeu a chuva faltar, a chuva chegar, os holocaustos consumidos com fogo do céu, a seca e a falta de água. Foi tudo em vão". E foi quando "ele viu" que, se Jezabel o apanhasse, ele não seria ajudado contra ela. Foi por essa razão que lhe restou como única opção fugir dali. Deus desejava acrescentar aos muitos pecados dela este também e revelou que não iria impedir que tal acontecesse. Isto apenas porque ela resistia ao extremo verdades e realidades claras e impossíveis de refutar a não ser pelo ódio, pecado e obstinação. Qualquer ser racional teria aquela capacidade de raciocinar que, já que os profetas de Baal não conseguiram trazer fogo dos céus, algo de errado existia com a crença e a religião. Mas Jezabel, sabendo e vendo também tudo isso, não se humilhou para se salvar. Como recompensa de seu pecado teria sobre ela a morte de suas transgressões aumentando ainda mais. Ela desejava manter-se rainha a qualquer custo e por isso se usava do pecado para conseguir seus intentos. E o Deus que queimou aquele holocausto com fogo vindo dos céus, não se iria esforçar para o proteger contra Jezabel. Ele "viu isto" e obedeceu Deus em tudo aquilo que viu, fugindo.

Muitas vezes é mais difícil a um profeta ser obediente a uma visão destas e assumir que Deus não vai fazer nada por ele, do que colocar sua cabeça na guilhotina do perigo, sabendo que se livrará pelo seu Deus ou não. Elias era obediente a este ponto - mas entristeceu-se com isso, obedecendo entre tristeza e amargura de espírito causada por diversas e variadas razões em conjunto e ao mesmo tempo. O pecado de Jezabel era grande demais para Elias vir a ser ajudado, pois teria que vir ainda ser acusada de querer matar Elias depois de algo convincente de sua parte haver sido feito. O pecado dela era grande e apenas seria salva caso cresse nas palavras de seu marido (sem haver visto nada) e se restabelecesse desse modo e diante de Deus a quem ela odiava. "Jezabel, que se diz profetisa, ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos; (21) e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer", Apoc.2:20-21. Como ela se achava profetisa, era uma humilhação para ela tudo quanto Elias fez à vista de todo o povo.

Existem tempos como este quando vemos as coisas de Deus e nos desagradam. Elias não fugiu porque temeu, mas antes e acima de tudo porque foi "fiel à revelação" que teve, pois, "ele viu isto". Entristeceu-se bastante, é um facto, mas apenas porque tinha expectativas distintas para resultados de tudo quanto iria fazer ou fez. Seu amor e expectativas pela terra prometida haviam sido defraudados e arrasados: ele esperava outro desfecho para tudo quanto fez diante deles sendo ainda abençoado e instigado por Deus a fazê-lo; tudo quanto desejou e trabalhou para outros resultados, esperando pacientemente nunca resultou em nada. Nada do que ele esperou se concretizou. Elias desejou morrer por essa razão, mas pediu a Deus que fosse de Sua vontade essa morte, que fosse Deus a fazê-lo e não Jezabel. Mas, se Elias deveras desejasse morrer, poderia ter escolhido ficar ali mesmo ao alcance de Jezabel. Indo para o deserto desejando a sua morte, era mais sinal de tristeza do que de desejo real de morrer. Ele viu que em nada foi diferente em termos de resultados práticos sobre Israel de todos quantos lhe antecederam. Ele intentou preservar sua vida porque esta era preciosa para Deus. Mas sua tristeza era enorme demais e se abateu sobre ele. É de estranhar, no entanto, que aquele que pediu para morrer, nunca provou a morte e foi levado em carros de fogo, sendo um dos dois únicos homens que nunca provaram a morte. Existem orações que não são atendidas, mas são superadas acima de tudo quanto pedimos.

Muitas vezes vemos coisas de Deus. Nenhum crente que ande com Deus de facto poderá evitar que tal aconteça. Quem não as vê não está de bem com Deus, pouco importando o que pense dele próprio, qual seu estatuto na igreja ou diante dos homens. Caso Elias não visse o que viu, caso ele fosse simplesmente guiado para o deserto de novo sem lhe haver sido manifestado o que "ele viu", por certo seu espírito não se abateria sobre ele. Vendo logo creu no que viu e isso é sinal de grande fé. Poucos crentes aceitam tais revelações como vindas de Deus porque nunca as desejam. São seus desejos que ditam "a voz de Deus" e não o que Deus de facto possa ter a dizer.

Teria sido menos difícil para ele caso não tivesse visto o que viu. Lembro aquelas palavras do Senhor Jesus, o Qual dizia: "Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora", João 16:12; "Já não falarei muito convosco, porque vem o príncipe deste mundo, e ele nada tem em mim; mas, assim como o Pai me ordenou, assim mesmo faço, para que o mundo saiba que eu amo o Pai. Levantai-vos, vamo-nos daqui", João 14:30-31. Na verdade, a mesma atitude que Elias, teve Jesus ao dizer "vamo-nos daqui", pois tal qual Jezabel vinha sobre Elias, também de Jesus se lê que, "porque vem o príncipe deste mundo". Jesus saiu daquele local pelos mesmos motivos que Elias fugiu para o deserto.

Eu deliro de alegria sempre que Deus me fala e quanto mais assuntos coloco diante d'Ele que estejam de acordo com as leis da Sua vontade e dos céus, mais respostas obtenho. Mas hoje apercebi-me que existem inúmeras maneiras e módulos através dos quais Deus nos guia sobre coisas bem específicas. Ele tem como e porque nos guiar habitando dentro de nós, sendo Ele quem vai por nós sempre que somos nós a ir. Existe uma certa vontade de Deus para ser alcançada e esta por nós sendo Ele a efectuar, efectivar e a abençoar para seu desenvolvimento e crescimento maduro e frutífero. Esta vontade tanto transparece para a salvação quanto para a condenação, pois lemos de Jesus que é a vontade do Pai que "As árvores se tornem ou más ou boas".

Jesus disse que "E se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias", Mat.24:22. Podemos nós crer na verdade, sabendo que Deus nunca muda quando as circunstâncias perante as quais nos deparamos nos parecem irrealistas e que não vêm de Deus? Ou acharemos que tudo é castigo, como os Católicos fazem? Podemos nós enaltecer Deus quando sentimos Sua presença por perto ainda? Teremos como dizer, quando Deus faz uma coisa "E é bom", como foi o caso quando Deus fez o mundo e tudo quanto nele existe ainda? "Olhei, mas não havia quem me ajudasse; e admirei-me de não haver quem me sustivesse (apoiasse); pelo que o meu próprio braço me trouxe a vitória; e o meu furor é que me susteve. (6) Pisei os povos na minha ira e os embriaguei no meu furor; e derramei sobre a terra o seu sangue", Is.63:5-6. Pode você ainda obedecer à visão sob desapontamento? Pode você fugir para o deserto apenas porque Deus assim determinou? Está você capaz de obter este tipo de visões de Deus?

E no caso de Jezabel, a árvore já de si má teria de se tornar pior buscando a vida de Elias. Esta vontade tem de ser alcançada para que fique registado e para bem da humanidade. Caso nossos corações se abatam ao ponto de não sairmos do local para salvar algo que Deus não pretende proteger para nós o fazermos, será bem feito. A Paulo aconteceu quase o mesmo: "…Para que aproveis as coisas excelentes (…)".

Se formos guiados a ser desprotegidos, será porque um dia oramos "Senhor, faz a Tua vontade em mim" e Deus ouviu. Poderia não ter ouvido, mas ouviu. A Paulo também lhe foi dito que fosse para Jerusalém e nem mesmo todas as revelações a caminho de lá sobre tudo quanto lhe iria ocorrer por lá o detiveram seguir até ao fim que Deus queria para ele. Pelo contrário, lemos que ele queria chegar lá o quanto antes. Paulo era homem a quem Deus poderia revelar Sua vontade e Suas coisas, como Elias foi também. Nem mesmo as palavras dum profeta que era santo de verdade o detiveram de cumprir o que Deus lhe revelara em algumas ocasiões. Pode Deus contar consigo também? Pode Ele revelar-lhe Seus segredos e Sua vontade com antecedência? Havia gente que pregava contra Paulo, quiçá uma doutrina de prosperidade e foi por essa razão - maioritariamente - que Deus escolheu e usou certas vias para converter alguns e tapar a boca de quantos se recusavam converter de seus evangelhos pouco sãos.

Pode ainda aceitar a vontade de Deus, crendo n'Ele ainda quando seu corpo é oferecido no altar da Sua vontade? Pode correr o caminho em silêncio e expectativa sabendo tudo o que lhe vai acontecer de antemão também? Pode você ter a certeza de que nem você nem Deus se enganaram sobre tudo quanto viu d'Ele? Talvez Jesus diga de si ainda que, "Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora", João 16:12. Talvez por essa razão Jesus não lhe revele nada mais por enquanto - porque você tem outras outras expectativas para com Sua vida em si. "Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores",Rom.8:36,37. Mas porque Ele ainda tem uma certa recompensa que lhe quer oferecer, Ele tem de se calar a seu respeito e sobe a Sua vontade. "O Senhor teu Deus está no meio de ti, poderoso para te salvar; ele se deleitará em ti; com alegria calar-se-á no seu amor por ti, regozijar-se-á em ti com júbilo", Sof.3:17. "Verdadeiramente tu és um Deus que te ocultas, ó Deus de Israel, o Salvador", Is.45:15"Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor requer de ti, senão que pratiques a justiça, ames a benevolência e andes humildemente com o teu Deus?", Miq.6:8. "Há muito tas anunciei e as manifestei antes (…) Já o tens ouvido; olha bem para tudo isto; porventura não o anunciarás? Desde agora te mostro coisas novas e ocultas, que não sabias", Is.48:5-6.

Caso os nossos corações sejam ainda despedaçados pela visão daquilo que Deus irá ainda fazer e como alcançar ainda, é óbvio que Ele tem a opção de nos destituir de toda a Sua vontade, ou de nos instruir a fazê-la ainda sem sabermos muito acerca do futuro que nos espera; ou então pode-nos levar a preparamo-nos para uma vida que Ele escolheu para nós porque Lhe pedimos um dia que Sua vontade seja feita em nós, revelando-a a nós com alguma antecedência ou não revelando nada. Mas isto, apenas caso nosso coração não sustenha Deus e não enalteça Seus feitos quando as circunstancias se manifestam adversas e agrestes. Pode Deus revelar Seus segredos a si, crente? Pode Ele usufruir de toda a sua vida sem que você pense mal nem dele nem de si e nem de outras pessoas? Paulo, quando foi preso, escreveu uma carta e dizia assim: "E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram têm antes contribuído para o progresso do evangelho; de modo que se tem tornado manifesto a toda a guarda pretoriana e a todos os demais, que é por Cristo que estou em prisões; também a maior parte dos irmãos no Senhor, animados pelas minhas prisões, são muito mais corajosos para falar sem temor a palavra de Deus", Fil.1:12-14. Deus fez isto porque, conforme lemos ainda, "Verdade é que alguns pregam a Cristo até por inveja e contenda, mas outros o fazem de boa mente", Fil.1:15. Se fosse pela inveja, pregariam Cristo, isto é, porque têm algum rancor, algo contra um homem de Deus, algo que por amor nunca fariam. Existem muitos que fazem algo por Deus apenas porque têm sempre algo contra ou a favor de alguém. Porque Deus queria salvar estes também, resolveu aprisionar Paulo e usar de seu exemplo para salvar alguns pregadores e distribuidores da Palavra ainda, pois sabemos que quem não ama, quem não faz as coisas por amor, nunca viu Deus ainda. "Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. Se alguém diz: Eu amo a Deus e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão não pode amar a Deus", 1João 4:8,20.

Sendo que Paulo era o isco para que muitos ainda se salvassem, incluindo muitos daqueles que se achavam já salvos, Deus usou Paulo com essa finalidade mesmo. (hoje existem os que se bajulam porque não se querem converter para supostamente manterem seus púlpitos). Mas antes de o fazer, por cada cidade onde o Apóstolo passava, era-lhe dito o que iria acontecer com ele. Paulo dizia "que o Espírito Santo me testifica, de cidade em cidade, dizendo que me esperam prisões e tribulações", Act.20:23. Deus pode revelar-lhe a si, claro leitor, semelhantes coisas sem o impedir de persistir em seu caminho por Ele? Deus podia haver falado apenas uma vez com Paulo acerca disso tudo e Paulo se comprometeria a enveredar pelos caminhos que Deus o queria levar, vergando seu pescoço e colocando-o sob o jugo levemente e voluntariamente, pois sabia que algo de bom para Cristo acabaria por sair dali porque era da vontade de Deus. É bom quando sabemos que Deus diz, quando faz as coisas, "Sou Eu! Nada temas mais!" "Não temas o que hás de padecer", Apoc.2:10. Deus não disse "o que não hás de padecer".

Podemos achar que Deus opera através da duplicidade de motivos quando nos coloca sob um jugo e se cala sobre nosso futuro. Mas a razão pode vir a ser que já oramos, "Senhor faz a Tua vontade em minha vida" e Ele ouviu essa oração. Com Paulo, Deus disse que ia fazer; e consigo? Terá Ele de se esconder para poder fazer? Porque Ele é bom, nunca quererá que você perca seu galardão. É a Sua bondade que O levam a "calar-se em Seu amor" ainda. Se Ele não fizesse, você nunca receberia. Paulo exultou naquela prisão de grilhões e não se entristeceu ao ponto de não cantar à meia-noite quando sentia as dores e não quando as deixou de sentir.

Se seu coração é descrente e fragilizado pelo rancor, coloque-se de joelhos diante do Pai e diga assim: "Senhor, faz a Tua vontade e nunca me digas nada sobre ela e como a vais conseguir. Mas se for possível, dá-me um coração igual ao Teu, como aquele que Paulo tinha também a quem tu podes manifestar as coisas adiante. Só não me deixes pensar e acreditar que me abandonaste apenas porque as coisas não me correm de feição e conforme os meus planos de auto-preservação, se estiver bem. Que a Tua presença me baste para saber que estou bem, pois é a Tua ausência que me deve fazer tremer e nunca os problemas. Se estás comigo de facto, ensina-me a não desejar outra coisa senão o que os outros possam aprender através de meu exemplo, a amarem como Tu a serem como Tu és. Desculpa que ainda sou relutante perante tribulações e evito-as mesmo que estas estejam dentro da Tua vontade. Faz meu coração saber, conhecer, que o que conta é a Tua presença. Se estás por perto, estou bem. Segura-me, pois quanto menos me revelas, menos hipóteses terei de Te desobedecer. E quanto mais me manifestas, mais hipóteses terei de te engrandecer. Amem".

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José Mateus
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