BAPTISMO NAS ÁGUAS
"Eu vos baptizo com água…", Mat.3:11

Em todo lado existe muita discussão infrutuosa sobre este tema e prática. E, onde o evangelho é pregado, o baptismo será inevitavelmente mencionado e falado. No entanto, tornou-se um cavalo de batalha para alguns e tornou-se num cavalo de quem nos temos de defender, para outros. Está claro que, pelos parâmetros sãos do evangelho, qualquer discussão sobre os muitos baptismos que a Bíblia nos fala é sempre coisa vã. Não obstante a quantidade de água que se possa usar para se baptizar, o interior do homem ficará seco. Se conseguimos mudar o homem pelo interior, logo todo baptismo se torna uma mera cerimónia do qual apenas o significado importa ter em conta.

O povo que Deus escolheu para circuncidar e colocar Seu nome sobre eles (Israel), era um povo religioso. É de notar que o sinal da circuncisão era algo que ninguém via senão o próprio e apenas de vez em quando. Também será de realçar que as mulheres não eram circuncidadas e, no entanto, nunca deixaram de ser povo de Deus por isso. Sendo um povo religioso, necessitariam duma religiosidade para estabelecerem condutas reais em suas vidas – mesmo que servissem apenas de iniciação para uma vida evangélica. Deus tornou-se Hebraico para os hebraicos, pois eles eram extremamente religiosos. Mas, porque a circuncisão era uma religiosidade, não significa, de modo algum, que Deus não fosse real. O alvo absoluto para todo crente que se inicia, será sempre aquela intimidade absoluta e incondicional com e através de seu Deus – somente. As leis do Velho Testamento vieram substituir e alinhavar leis sobre sacrifícios, num povo habituado a ver sacrificar a deuses de prata e pedra, sacrificando mesmo seus filhos a tais deuses estáticos e sem vida. Desde quando Caim inventou o sacrifício a Deus, tornou-se uma necessidade absoluta introduzir leis que anulassem o erro ao mesmo nível do sacrifício – até que a plenitude dos tempos houvesse chegado até nós. Por fim, tanto a circuncisão, como as outras leis e sacrifícios seriam tornados inúteis e extintos porque Deus se tornou Emanuel – depois que Deus se tornasse real e presente num ser religioso.

Na verdade, o sinal do baptismo serviu, na altura e em grande medida, para estabelecer um sinal duma nova era para os judeus. Com seu significado específico, tornou-se um símbolo, não apenas de perdão de pecado (o de João), mas também do fim da era da circuncisão nos homens. Cristo também baptizou com um outro significado mais acrescido, João 4:1,tal como o Espírito Santo também o fez mais tarde. Deus sabiamente pegou em todo o conjunto da salvação e uniu tal conhecimento sobre uma salvação e aliança a uma prática de baptismo exterior, que em tudo seria pouco relevante em comparação com a realidade daquilo que poderia vir a acontecer dentro do homem. O mesmo sucede com a santa ceia, pois, as pessoas sentiam-se no dever de se lembrarem da morte de Cristo e na santidade que ela pode representar dentro de nós, caso morramos essa mesma morte para o pecado de forma real. O baptismo está para a salvação quanto uma aliança está num dedo para um casamento uma uma cerimónia de casamento está para um casamento. Alguém pode colocar uma aliança em seu dedo sem estar casado ou mesmo ir cometer adultério sem a retirar de seu dedo, como pode tirar essa mesma aliança sem deixar de estar casado se a perder. Se alguém perder sua aliança não deixa de estar casado. Sabemos, também, que um casamento é uma vida inteira em conjunto e não uma cerimónia de um dia. No entanto, quando há um casamento, as pessoas não deixam de dizer "vou a um casamento", referindo-se com isso à mera cerimónia. E o casamento não é a cerimónia sequer.

A cerimónia é importante devido ao impacto que ela obtém sobre quem se casa e sobre quem vê casar. Para quem casa, significa que a partir dali, já tem seu companheiro e acabou com todas as hipóteses de voltar a olhar para outro homem ou mulher. Do mesmo modo, quem vê casar e era pretendente esperançoso sobre um dos que se casou, deixa de ter qualquer esperança sobre qualquer um dos noivos. Qualquer mulher presente numa cerimónia saberá instintivamente que não mais poderá obter aquele homem que se casou com outra por causa da cerimónia. O mesmo se pode dizer em ralação à noiva. E é nisto que consiste o baptismo: o mundo sente-se desmamado da pessoa que viu baptizar e a pessoa que se baptiza tem a plena consciência do que está a fazer. E se quem bebe da ceia do Senhor em pecado será condenado, imagine-se o que acontecerá a alguém que se baptiza em pecado e também a quem baptiza a pessoa em pecado!

O baptismo não deixa de ser uma cerimónia, seja qual for o seu significado. Mas, para além de ter em si mesmo um mero significado daquilo que consta que aconteceu dentro do homem e na Cruz, também tem ou deveria ter um impacto sobre todos os presentes na cerimónia que nunca mais deveríamos poder esquecer. Na verdade, o Baptismo Bíblico é um Novo Casamento com Deus. Para os judeus significaria uma quebra com todos os rituais hebraicos a partir daquele dia também. Para todos, significaria uma quebra eterna com todo tipo de pecado, para um ressurgir numa nova vida adiante. Quem se baptiza e quem vê baptizar, sabe ou deveria saber que houve um casamento entre Deus com Seus caminhos e alguém. Se um amigo do mundo anterior vê e assiste a um baptismo de alguém, saberá instintivamente que não mais poderá convidar tal pessoa para uma discoteca, novela ou bebida num bar. A pessoa que se baptiza sabe dentro dele, também, que deixou de pertencer ao mundo e ao pecado desde que conheceu Cristo. Todo pecado saberá que perdeu alguém, tal como todo pecador sabe que está a divulgar que se resolveu afastar de todo tipo de pecado através de Cristo. O Baptismo procura um efeito que resulte. Sem esse efeito, perde seu valor – é como sal sem sabor. E todos sabemos que o sal sem sabor não muda seu aspecto e continua parecendo-se com sal. E se existe sal sem sabor, também existe baptismo sem sabor. Então, conclui-se que aqueles que discutem sobre como se deve ser baptizado, sobre a quantidade de água, sobre o local de baptismo e outras coisas mais, deveriam antes estar a discutir a realidade do que acontece dentro de cada homem independentemente do tipo de baptismo que se administra. Existem tagarelas que falam a verdade sem deixarem de ser tagarelas porque a verdade nem existe dentro de si. Do mesmo modo existem pregadores que pregam a verdade e baptizam para confirmarem apenas que não vivem a verdade. Poderão também existir pessoas transformadas por dentro, as quais não se baptizaram ainda. Se a pessoa não tiver oportunidade de ser baptizada como aconteceu com o homem que morreu ao lado de Cristo na Cruz, ou se não houver condições para um santo se baptizar, nada estará perdido para tal pessoa. Mas, se alguém se baptizar e nem se houver transformado, nada estará ganho para tal pessoa também. Um qualquer adúltero pode levar sua aliança no seu dedo que não anulará seu adultério. pelo contrário eu creio mesmo que a aliança realçará o adultério. O baptismo pode realçar o pecado do homem do mesmo jeito. E se um pastor quiser salvar alguém em vez de a condenar, que não baptize tal pessoa em pecado. Também não recuse o baptismo a alguém que Jesus santificou, seja essa pessoa de que tamanho for. Amem.

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José Mateus
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