COMO SE SABE QUE A BÍBLIA É A PALAVRA DE DEUS?

A Bíblia é um mistério, de facto, mas apenas para quem não ouve Deus e para quem quer que ela seja misteriosa. Se alguém quiser ouvir Deus, quando alguém quer, de facto, ver vida, saberá se a Bíblia funciona ou não, se ela é de verdade inspirada e se ela tem poder para salvar – mas saberá por ele mesmo e nunca por doutrina ou através do testemunho de outros. Jesus mesmo disse: "Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, há de saber se a doutrina é d'Ele", João 7:17

Muitos tentam, em vão, provar e comprovar por outros meios e metodologias se a Bíblia é ou não a Palavra de Deus. Escavam túmulos, decifram datas e genealogias, comparam livros e doutrinas, quando não fazem outras coisas ainda mais estranhas que essas. O jeito mesmo será aproximarmo-nos do seu Autor. Por muito estranho que nos pareça que, desde o primeiro homem (Moisés) que Deus deu a escrever as Escrituras até ao último (João), vai uma enorme diferença de anos e circunstâncias as quais nunca impediram que a Bíblia mantivesse uma linha de raciocínio e de vida sem igual dentro dela. Nós sabemos que a única razão que aquelas leis estranhas de Moisés poderiam ter vida, seria apenas porque Deus se aproximava de quem obedecia e não por causa das leis em questão. Nem eram as leis que traziam vida, por muito sábias que fossem. Era Deus porque se obedecia. Se Deus nos mandar para a China, viveremos porque lhe fomos obedientes e para muita gente seria a morte deles irem para a China apenas porque alguém viveu indo para lá. Os homens da Bíblia nunca falaram uns com os outros e as Escrituras em nada se contradizem em seus sessenta e seis livros. Podemos ver como, não sendo um único homem a escrevê-la toda, mas muitos e alguns separados por mais de mil anos entre eles e por diferenças culturais que entretanto se iam evoluindo, alterando e modificando, umas coisas se interligam de forma absolutamente incrível. No entanto, por muitas provas que venhamos a obter através de nosso raciocino e comprovação intelectual, ouvimos Jesus aqui dizer que provas como essas (entre outras mais) nunca servirão como verdadeira prova de que essas Palavras são de Deus – não servirão de prova para Deus e nem para nossas almas, mesmo que possa ser prova suficiente para o homem intelectual que se quer manter intelectual. Na verdade, Jesus bem disse que Suas palavras eram vida e que, se nem fossem vida, para nada mais serviriam senão para condenar os homens e fazer com que eles se condenem a eles mesmos em seus próprios pensamentos.

É fácil crer em Deus. Neste mundo existe de tudo. O mundo está entregue à ilusão e daí a virem ter uma verdade, em forma de ilusão, da maneira como se agarrariam a algo caso fosse uma ilusão, vai apenas um pequeno passo. Existe algo mais concreto, mais prova que toda a ciência e toda a conclusão científica que se possa angariar sobre a Bíblia. É precisamente isso que temos de descobrir.

Crer em Deus não salva, a menos que creiamos nele como verdade experimental e funcional, porque Ele nos é real. Crer quando Ele nos fala nunca será a mesma coisa que crer quando não nos fala. Abraão creu quando Deus lhe falou. O homem separado de Deus tem a capacidade de duvidar de tudo que é verdade porque esta separado de Deus, mesmo que ache e concorde que tudo na Bíblia é verdade e irrefutável. Ler sua Bíblia enquanto separado de Deus aumenta suas dúvidas tanto quando lhe pode fazer aproximar de Deus. Mesmo que possamos e por vezes devamos memorizar textos da Bíblia, nunca nos poderemos esquecer que as palavras que Ele nos fala são vida e não palavras para aprendermos e para lermos. Qualquer homem também terá a capacidade de se agarrar a tudo quanto é ilusão e que gostaria que fosse verdade porque seus anseios são pecado e seu intuito é a verdade. Daí que os terroristas creiam que é Deus que os inspira a matar outros porque lhes são diferentes e distintos e também porque se obrigam a acreditar que Deus os enviou porque nem podem crer pela realidade das coisas, sendo que a realidade de Deus os haver enviado nem existe sequer. Do mesmo jeito existem pessoas que se obrigam a crer que Deus quer que se casem com uma certa pessoa porque somente a própria deseja tal coisa demais. Os homens têm certos rancores, ou certos amores e certas ilusões sobre poder, dinheiro, romance entre outras coisas, os quais gostariam sempre de ver concretizados. Chegam mesmo ao ponto de se ofenderem contra Deus sempre que não recebem dele o que seu pecado deseja ou porque não pode fazer uso da forma, do jeito, da maneira que deseja, como se entre eles e Deus houvesse um diálogo sentimental verdadeiro para Lhe poderem colocar questões, questionamentos e exigências ou pedidos incoerentes. Quem é Deus quando é o homem quem impõe? E Deus, sendo Deus, nem impõe quando fala o que fala. Mas Jesus disse e falou que, a menos que creiamos conforme as Escrituras explicam e inspiram como verdades que se devem concretizar facilmente em nós, por nós e para nós também, esses rios de água viva nunca fluirão de nós, por nós e nem em nós. Se essas palavras se concretizam apenas através da força e não da inspiração e da concretização que não seja nossa, toda a fé será vã – por mais correcta e precisa que ela seja na letra. Não podemos crer conforme mais nos convém, ou conforme nossa religião ou cultura, mas antes (como Jesus disse) "conforme as Escrituras". Lemos assim então: "Quem crê em mim como a Escritura diz, do seu interior correrão rios de água viva", João 7:38. Ora, serão estes "rios de água viva" que servirão de maior prova e evidência que as escrituras são de facto inspiradas de Deus e funcionam de forma simples desde que através de Deus. É isto que se conclui deste capítulo (7) de João, onde Cristo nos fala de crer conforme as Escrituras de forma precisa e de como saberemos que essa doutrina vem de Deus e desde que tenhamos em conta que Suas palavras são vida e não palavras. Devemos ser estudiosos se com isso entendermos que deveremos ser viventes através das Escrituras. A finalidade é a Vida Constante, sem altos e baixos, que Deus nos dá agora - precisamente aquilo que Jesus diz ser Vida Eterna, a qual começa aqui na terra antes de morrermos.

As pessoas crêem muitas vezes porque não têm o que acham que deviam ter e obter. Como desejam muito algo ou que algo se concretize logo e que por essa razão desviam suas atenções de outras coisas que se concretizariam logo caso nem estivessem a pressionar Deus com coisas dos dias que ainda não chegaram, impacientemente crêem como moeda de troca, como se fosse algo demais crer em verdades de agora que não são visíveis, as quais deveriam ser mais reais que as visíveis. Nós vamos a uma loja com dinheiro para podermos trazer o que nos falta. Do mesmo modo se acha por aí que a fé é a moeda que a loja de Deus aceita para tocar por bens. Mas, na verdade, a fé não é moeda de troca, pois ela é a própria dádiva em si, é o fruto de nossa aproximação a Deus, é fruto do Espírito e não oferenda, o que faz com que a fé que não é real seja sempre falsa e quase nunca se manifeste como tal – mesmo quando bate muito certinho com aquilo que é a verdade no papel. Por isso é que Jesus achou necessário que fossemos avisados de tornar a árvore boa quando é boa (pois pode estar camuflada e escondida ainda) e tornar a árvore má quando é má de verdade, Mat.12:33,34. Existem pessoas (a grande maioria delas) que crêem, sim, mas porque sabem de tudo e nunca porque experimentam as coisas que sabem e sobre as quais Deus nos fala também ao coração. Existe uma forma de nos emocionarmos sobre verdades e existe, também, uma forma de experimentarmos em concreto tudo quanto Deus nos fala. Eu quero dizer que existem pessoas que têm tudo para não crerem em Deus, mas que mesmo assim se esforçam para fazê-lo. Por isso lemos estas palavras de Jesus: "Aquele que PODE crer…", Mar.9:23.

Crer em algo que não seja verdade ou que não possa vir a ser verdade e real ao mesmo tempo, é fé falsa. O homem afastado de Deus nunca conseguirá crer nas verdades de Deus, porque estas nunca se concretizarão fora dele do jeito de Deus. Eu posso crer tanto que estarei indo para o céu mesmo estando com os dois pés no inferno, como também posso crer que estarei condenado estando com meus pés já dentro do céu. O coração do homem é tão enganoso quando não é entendido e conhecido, que qualquer um pode ser enganado por ele. A incredulidade é descrer de algo que é real e verdadeiro e será por essa razão que é algo muito condenável. A incredulidade também é crer em algo que não nem real nem verdade. A incredulidade toca as estações e faz crer que estamos perto do céu sendo mentira, quanto nos fará crer que estamos perto do inferno sem ser verdade também. Na Bíblia, crer é sempre sinónimo de crer naquilo que é verdade quando se torna real – nunca crer como moeda de troca. Fé é, de certa forma, ceder às realidades, quer sejam visíveis já ou ainda não. Quando Deus não está comigo, a fé que aceita Deus, irá afirmar de pés juntos e de forma irredutível que Deus não está comigo porque não está e fala conforme essa verdade e realidade. Dessa forma posso arranjar minha vida para que Ele esteja comigo, porque a realidade faz-me encarar a realidade que é realmente verdade. A religião das pessoas leva-os quase sempre a afirmar que Deus está com eles quando não está. Isso é incredulidade e nunca fé, mesmo quando o mundo nos afirma que é a "nossa fé". Quando Jonas falou à cidade de Níneve, caso o povo de lá cresse que Deus estava com eles em vez de crerem que estavam condenados, é obvio que nunca se teriam arrependido como fizeram.

Meus pensamentos são das maiores realidades e das mais mais invisíveis que possuo. O ar que respiro é coisa que nunca vejo a olho nu (a menos que esteja poluído). As verdades da Bíblia podem-se tornar sempre mais reais e mais concretas que tudo isso em conjunto e para mim. Nós vemos e deduzimos pelo vento que existe o ar. E o Espírito sopra em nós e por nós com o mesmo realismo. Do mesmo modo veremos pelos efeitos devastadores que a Bíblia é de facto verdade, pois assolam toda a árvore de pecado em nós. Os rios de água viva que nos trazem grande alegria e paz de espírito sem nos esforçarmos, serão a consequência mais óbvia e natural que experimentaremos quando Deus se nos torna real. Mas nunca tente imaginar como vai ser antes disso vir a acontecer – e se o fizer, faça por nunca se prender à sua ideia de como vai ser. É assim que nascem religiões sem Deus e com assombro de verdade. Essas verdades das quais as igrejas falam, são fantasmas que os assombram e fazem duvidar quando deveriam ser realidades que os podem fazer crer e tornar deveras crentes viventes, por provarem aquilo que é por vezes muito invisível pela natureza que possuem dentro de si como pessoa. Por essa razão lemos que, "Ora, a fé é a prova das coisas que não se vêem (e o firme fundamento das coisas que se esperam", Heb.11:1. Isto não é o mesmo que ver para crer, nem por sombras. Isto é, em todo o sentido da verdade, crermos porque é a vida eterna e constante que flúi como rios de água viva através de nós quem nos induz a crer. Quando Jesus diz "Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus", João 3:36, quer dizer que aquele que pode crer, consegue-o porque essa vida eterna e constante está dentro dele e não porque a dita fé faz que adquira essa vida só depois da morte. É a vida que faz crer e não o crer que faz a vida ser eterna e constante. As pessoas que se separem todos seus pecados e que os confessem para se libertarem deles pela via da luz e logo descobrirão que será muito mais fácil crerem em Deus que respirar – mas só para eles e não para quem possam desejar que creiam por eles.

Que Deus abençoe todo aquele "que pode crer" e o faz quando pode. A obediência vem instalar-se em nós pela fé, após a fé ser tornada real e concreta através da Vida Eterna. Mas esta fé só se torna prova concreta quando a Vida eterna se instalou em nós. Quem crê porque se força e se esforça para crer, nunca será igual a quem crê porque pode e tem como e porque crer, ou como quem nem pode negar o que lhe está acontecendo, mesmo que queira. Um é hipócrita e o outro é verdadeiro, mesmo tendo ambos a mesma linguagem de expressão académica ou religiosa. Por essa razão é que Jesus afirmou a apóstolos escolhidos, "Não, eu vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis", Luc.13:3,5. As pessoas perecerão apenas porque esta fé que se adquire nunca foi adquirida porque "mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça", Is.59:2. Por essa razão Pedro, assustado, perguntou assim: "Então Pedro perguntou: Senhor, dizes essa parábola a nós, ou também a todos?" Luc.12:41. E será por essa razão que Pedro em sua epistola afirma que a fé é adquirida e nunca forçada, pois diz-nos assim: "Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que connosco alcançaram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo", 2Ped.1:1.

"Bem-aventurados os puros (purificados) de coração, pois eles verão Deus", Mat.5:8. E crê de forma natural quem vê Deus em seu espírito de forma real, para quem Deus se pode tornar mais real que seu próprio pensamento, (pois, podemos assumir que nossos pensamentos até podem ser forçados, encontrados pela concentração ou pelo desejo colocado em algo, mas Deus está lá, estando e sem ser através da força). Essa Vida em nós, a qual nos reina quase instintivamente, é ela que nos faz crer naturalmente, "não por força nem por violência, mas pelo Espírito", Zac.4:6. E se essa vida nem for instintiva mas consciente, natural e nossa mesmo, ou esta sendo impedida, ou nem existe em nós. Se pode crer, então creia. Mas se não consegue crer, limpe seu coração e verá que muito naturalmente o jugo de crer se tornará suave e fácil e logo deixará de vacilar entre dois ou três pensamentos, entre fé e dúvida – a menos que queira duvidar ostensivamente. O coração dividido é sinónimo de pecado existente em nossas vidas. Por essa razão lemos de Tiago, filho de Maria, "Limpai as mãos, pecadores; e vós de espírito vacilante, purificai os corações. Chegai-vos para Deus e ele se chegará para vós", Tiago 4:8. A fé será uma consequência natural então – só que real desta vez caso os corações sejam realmente purificados do jeito de Deus, através da Luz e da exposição a ela.

Se sua consciência, depois de avivada e renovada, se mantiver limpa, a fé nunca se naufragará em si, nem por sombras. "Conservemos a fé e uma boa consciência, a qual alguns havendo rejeitado, naufragaram na fé", 1Tim.1:19. O pecado nunca é aquilo que queremos que ele seja, mas tudo aquilo que Deus diz que é, sem excepção. Por essa razão temos que crer como as Escrituras dizem e afirmam e nunca como desejamos crer apenas porque nos convém, ou porque nascemos dentro duma certa religião a qual tememos renegar porque nossos familiares perdidos se ressentirão com isso. A religião é o câncer da humanidade, o pior inimigo dum Deus real e o maior impedimento duma fé refrigerante, inteligente, exigente e tornada real. A fé como fruto é consequência natural duma Vida eterna em nós sempre que real; essa vida real vem pela purificação real de nossos corações e essa purificação dá-se mesmo de maneira consciente pela presença de Cristo em nós, tornando real aqui e agora aquilo que Jesus já fez no Calvário. Por essa razão é que fé vem pelo ouvir, mesmo que siga um percurso que nos parece longo até se tornar fé real. "Por Ele cremos" e por Seus méritos conseguimos ver, ter e obedecer a uma Vida que penetra até ao lugar mais insignificante de nosso ser aqui e agora, a qual nos faz crer. Por essa razão lemos que a fé é fruto do Espírito também e que Cristo é o único caminho até ela – desde que seja Cristo de forma real e dentro de nós e não uma imagem ou uma miragem em nossa cabeça ou em nossa igreja. Uma estátua nunca salvou ninguém nem uma imaginação ou miragem da verdade, mesmo que evangélica. As pessoas começaram a dedicar-se a Maria e aos santos, ao bruxedo e ao espiritismo dentro da igreja porque o Cristo que tinham ali deixou de poder salvar, Is.59:1,2 e por isso buscaram substitutos com o nome d'Ele. Aproximando-nos de Deus, do Deus real, obedecendo a Ele de seguida e só a Ele (porque se não sou obediente a Ele serei a mim mesmo), saberemos se a Bíblia fala a verdade ou não então. Nenhuma prova científica será tão exacta quanto esta. Amem.

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José Mateus
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