EM VEZ DE RECLAMAR DAS PRAGAS, ARREPENDA-SE
"E os homens foram abrasados com grande calor; e blasfemaram o nome de Deus, que tem poder sobre estas pragas; e não se arrependeram para lhe darem glória", Apoc.16:9

É frequente Deus mandar flagelos sobre pessoas individuais, comunidades ou mesmo sobre o mundo inteiro. O que não deveríamos fazer, era reclamar contra um Deus justíssimo quando faz uma coisa dessas.

As pessoas vivem como querem, batendo e matando se necessário for, apenas porque seu desejo lhes faz subir à cabeça que têm direitos incontestáveis sobre as vidas de quem querem dominar, sobre filhos, afilhados, empregados, mães ou pais, sobre os bens que Deus pôs à disposição de quem sabe o que é a gratidão do amor, sendo que, assim, os que não sabem se deterioram ainda mais. Desse jeito, logo se candidatam aos flagelos que a Deus compete muito bem dar ou não, distribuir sobre quem quer, apenas para que quem sobrevive tenha como ver e se precaver e arrepender-se logo ao ver o mal que coube a quem não sobreviveu e isso como aviso do que lhe pode vir a acontecer ainda. Muitas vezes, essas mesmas pessoas que sobrevivem ficam afectadas pelo mal corrector (que saiu para os corrigir) e clamam de dor em vez de clamarem de arrependimento. É nesses momentos que deveríamos esquecer toda a nossa dor para que não nos venha a acontecer coisa pior ainda. O que Deus quer, o que Ele recomenda  e pretende com tudo isso, é levar-nos ao arrependimento – tão simples quanto isso! Devemo-nos aperceber da ira dele sobre nós mais do que da nossa dor.

Mas, as pessoas em agonia pensam ainda (acham mesmo) que Deus é sempre injusto porque são eles os que não são ímpios. Já antes achavam, quando Deus não lhes concedia a mulher, o dinheiro, o carro do vizinho. Logo, não admira que seu coração esteja pervertido, também, quanto à justiça de tal forma de pensar e desejar. Assim, quem tem um coração perverso e pervertido sob uma séria e comprometedora combinação de luxúria e calmaria, terá o mesmo coração quando não vê a justiça de Deus, quando não deduz que é justa porque recai sobre ele e não sobre outros. É frequente, as mães crentes mas obstinadas, quando por mal seu ou blasfémia sua lhes é tirado um filho que mais pertence a Deus que a elas, não se sentirem com vontade de se arrependerem dos seus próprios pecados, aos que se entregaram, mas antes de se lastimarem contra Deus. É possível, também, então, não reconhecerem a poderosa, soberana mão de Deus sobre elas, para que não tenham porque reconhecer seu erro. Se cada pecado é sempre um atentado contra a própria vida, porque se lamentam os humanos apenas sempre que é Deus quem os quer corrigir através de flagelos, sejam este grandes ou pequenos? Mas se reconhecem, como foi o caso aqui em Apocalipse, que esses males advêm de Deus pessoalmente, se não foram obstinadamente ateu e se mesmo assim continuarem a achar-se justos na sua injustiça, santos no pecado, enganando seu próprio coração maligno e suicida; ou se, para não se humilharem diante de quem devem uma apologia, um pedido de perdão carente – não se humilham porque lhes é penoso fazer o que está bem feito e bem estipulado - então não admira que Deus lhes retire um segundo ou mesmo terceiro filho, lhes dê um segundo ou terceiro flagelo ou uma dor, com a finalidade expressa de que se arrependam para nunca terem de perecer, pois, "algo pior ainda te pode acontecer". Em vez de reclamarem, deveriam era pensar que Deus poderia deixá-los a pensar que nada de mal lhes irá acontecer, para assim caírem no inferno repentinamente sem aviso. Se lermos atentamente o Salmo 73, é precisamente isso que deduzimos.

Mas, a quem Deus ainda pode salvar, a quem ainda pode amar, tomar e manter como filhos para que não se percam (pois lemos que é da Sua vontade que nenhum daqueles que n'Ele crê se perca – João 3:16), a esses Deus ainda repreende para se converterem de tudo ou de algumas coisas das quais ainda lhes falta converterem-se. Uma alma convertida será uma alma perdoada – apenas. Deus perdoa a quem se transforma de verdade, em natureza, na essência de todo o seu espírito, por um novo milagre que todos terão de buscar n'Ele. Acreditar que nascemos de novo nunca nos fará sair como novas criaturas – mas sendo verdadeiramente renovados, creremos sem esforço que algo mudou radicalmente em nós e que assim fomos perdoados. Lemos que “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia”, Prov.28:13. Há que arranjar jeito e Vida que nos faça voltar contra o pecado e para Deus duma vez por todas e não apenas voltarmo-nos contra o pecado porque nunca mudamos e nunca queremos mudar de verdade. No mundo evangélico existem porcos que se vestem de roupas limpas que roubam em algum lugar, ou as conseguem comprar pelos dízimos que recebem e sacam dos pobres iguais a eles - aqueles que andam atrás de bênção e não de Deus em pessoa. Quem dá a ladrão para que lhe possa roubar em nome de Deus, é ladrão de coração também. "Acaso andarão dois juntos, se não estiverem de acordo", se não forem iguais? Amos 3:3.

Deus perdoa um assassino quando este vira dador de vida, quando se torna no oposto de tudo aquilo que era antes mas por dentro em sua essência, como se deu com o Apóstolo Paulo; perdoa um gatuno quando este dá do que é seu, como Zaqueu o fez; pelos frutos se reconhecem os salvos, nunca porque eles compram Deus através de suas obras, mas sim por seu coração haver mudado de facto e aquilo que fazem de seguida apenas comprova tudo o que se deu dentro deles. Muitos nem notam que dão quando dão, como eu não noto que respiro quando estou respirando. Os justos vivem pela justiça que apenas Deus vê, não o próprio. “Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? (38) Quando te vimos forasteiro e te acolhemos? Ou nu e te vestimos? (39) Quando te vimos enfermo, ou na prisão e fomos visitar-te?” Mat.25:37-39. Estes não sabiam sequer quando e onde haviam feito o bem que lhes competia fazer. Mas quando sabemos, há que fazê-lo na mesma, deixando de lado a hiper-consciência toda, reconhecendo-a à luz de Deus para que pereça sem que paremos de fazer tudo aquilo que está certo por natureza.

Está a ser molestado? Provado no fogo inocentemente como Jó foi? Então não blasfeme mas ceda sob a poderosíssima mão de Deus como Jó fez. Quantos pecados antigos, recentes, a pessoas ou a Deus, confessou? Ou acha que será pelo baptismo que seus pecados serão encobertos? Desde quando o simbolismo é a coisa real e o livra e iliba duma confissão verdadeira e genuína? Se sua consciência não se conseguir esquecer e sobrepor naturalmente a todas as acusações, como poderá o baptismo vir a torná-lo real? Com o baptismo, muito provavelmente nada se passou em si ainda. Se acusa Deus, se está ressentido acusando ainda, logo não cumpre a verdadeira razão do castigo de quem ama: a correcção espontânea. “E os homens foram abrasados com grande calor; e blasfemaram o nome de Deus, que tem poder sobre estas pragas; e não se arrependeram para lhe darem glória”. Quem nunca se arrepende, será porque acha que Deus está errado. Ámen.

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José Mateus
zemateus@msn.com