UMA LISTA DE TEIMOSIAS
  • A preguiça é uma forma de teimosia: só faz o que quer quando quer.

  • Quem se culpa de algo morbidamente, é alguém que faz de tudo para evitar corrigir-se. A lamentação é uma forma de teimosia e obstinação – não é sinal de fraqueza, mas, de resistência à ideia da obediência simples. A pureza é simples, a fraqueza é uma opção teimosa de nunca se andar com Deus como Ele é, sempre que Ele pode ser como é para nós e em nós.

  • Falar muito é teimosia: quem fala demais nunca quer ouvir o suficiente.

  • Medo é uma forma de teimosia, é uma cegueira teimosa: recusa enfrentar aquilo que é óbvio ao bom senso e à calma. O medo treme até de tudo que não é perigoso – é um vício, um ciclo emocional e sentimental que se renova continuamente. O medo é uma carência e, sempre que lhe apetece, treme – até mesmo perto de Deus que protege de tudo. O medo não aceita sentir-se seguro, pois, é desconfiado por conveniência.

  • Religião é uma forma obstinada de não ceder à realidade de Deus. É o mesmo que dizer: "Já que tenho de crer, terá de ser do meu jeito!" Preferem saber das coisas do seu jeito, mais do que experimentar sem sombra de dúvida e de forma real e vivente a pessoa de Jesus. Religião é uma recusa de ver Deus, é um jeito mascarado e iludido de não ter de O conhecer como Ele é. Quem quiser conhecer Deus terá necessariamente de deixar de ser religioso, isto é, de deixar de ser teimoso.

  • Encobrir pecado é obstinação que mata, pois, só o que é colocado na luz e abandonado solenemente deixa de perturbar e de tentar o homem, perdendo, assim, aquela força de fazê-lo tropeçar em tudo que é inerte e sem vida real e duradoura para oferecer. Ninguém conseguirá livrar-se de seus pecados encobrindo-os. Encobrir os pecados é sinónimo de mantê-los.

  • Preocupação é obstinação, pois, é um vício sem o qual muitos acham que não conseguem viver ou sobreviver. A preocupação até acha que descontrair em segurança é pecado horrível!

  • A tolice é uma forma subtil de teimosia, pois quem é tolo só o é para encobrir algo de si ou em si, seja esse algo real ou imaginário.

  • O sonhador é teimoso, pois recusa fazer e sonha para não ter que fazer a coisa certa da maneira certa – muito menos fazer na hora certa. Todo o sonhador é pessoa impaciente e, por essa razão, sonha. Há que distinguir entre imaginar de forma a conceber algo futuramente, (colocando tais pensamentos diante do Arquitecto do mundo) e entre sonhar sem finalidade concreta. Sonhador é teimoso – pensador é persistente e paciente até com ele mesmo.

  • Todo fanático é teimoso, pois só é fanático quem quer o fim das coisas sem ter de passar pelos meios que alcançam esses mesmos fins. Fanático quer ter Deus sem ter de ser humilde, simples e preciso em sua conduta natural. Ele quer saltar pelo muro para não ter de entrar pela porta, João 10:1. Quem fala muito em Deus, faz isso para ter de evitar obedecê-lo, Lucas 6:46, Mat.7:22. Gosta de tentar agradar a Deus com palavras. Fanático é desobediente a Deus de forma mascarada, usando o nome de Deus em vão com a finalidade de escapar à obediência, usando-se da insinuação e da obediência dos outros em benefício próprio para tentar servir de modelo com palavreado que engana até a ele próprio. Seu objectivo é encobrir ou encobrir-se. Ele quer ser modelo por motivos dúbios e estranhos. Usa máscara e só engana a ele próprio.

  • O erro é obstinação, pois muitos alegam que a perfeição é uma actividade, quando activo e irrequieto é o erro. A perfeição é simplicidade e subsiste através dela. Nós conseguimos ser perfeitos por natureza, isso se deixarmos de ser errados e activos através da teimosia. A perfeição é deixar renascer a natureza com a qual fomos criados originalmente para que tome conta das nossas acções todas da maneira certa. E, para isso acontecer, teremos de deixar de ser activos do jeito do erro e através da sua maneira peculiar de manter alguém desenfreado, atarefado e ocupado. Essa natureza perfeita vive e orienta-se por ela mesma, se tiver com ela a presença de Deus: é como um fio eléctrico que funciona com electricidade e não precisa de mais nada que não a própria electricidade para funcionar na perfeição. Deus é que é activo em nós se somos canais distribuidores de Sua própria natureza. Nunca vi um fio eléctrico pular na parede para dar luz no tecto. E quando alguém vê a luz, olha para a lâmpada e o fio nem é notado. Mas, o fio é importante para que haja luz, tal como você. Haja luz.

  • Para quem vive, de facto, chegado a Deus, a auto-defesa é mais uma forma de teimosia que uma necessidade absoluta, pois, se é Deus quem nos defende ou defenderá, deveríamos era permanecer fazendo aquilo que temos de fazer em vez de nos ocuparmos com a defesa da honra ou de outra coisa qualquer. Quem se ocupa medindo ou combatendo os ventos da tempestade, nunca se ocupa em entrar no Abrigo. Quem quiser medir o tamanho do erro, a força da tempestade, terá de sair do Abrigo e envolver-se no que assola lá fora. Para alguém se defender, terá de sair da comunhão com Deus – aquilo que deve ser sua única ocupação e a preferência de todos aqueles que verdadeiramente amam a Deus.

  • A teimosia é o oposto da persistência, pois teima em não levar as coisas até ao fim e desculpa-se através da obstinação, usando e desforrando-se de certas coisas para não ter de fazê-las. A teimosia cansa e desgasta, quando a persistência descansa e arruma a casa. Uma mula que pára e que recusa andar não é teimosa? Ela cansar-se-á só de estar parada e quem não persiste é teimoso e cansar-se-á de ser teimoso do mesmo jeito.

  • A ignorância é outra forma arrogante e teimosa de viver neste mundo, pois, com um Deus que ensina tão perto de todos não existe ignorância que não seja pecado. Basta, apenas, pedir sabedoria para a termos logo ali ao nosso alcance, Tiago 1:5. O ignorante ou recusa pedir ou recusa receber.

  • Quem ensina acima de ser ensinado, quem ensina para nunca aprender na prática, é supra-teimoso – na verdade é um tolo inteligente, é um tolo acima da média, pois, será Deus e não homem quem lhe perguntará porque não pratica o que prega ou porque não tentou fazer conforme sabia.

  • A idolatria e a adoração de tudo quanto não seja Deus real é obstinação e falta de bom-senso, falta de vontade de ser real, prático, conciso e preciso. A idolatria faz uso do medo de perder (teimosia) para se estabelecer e para manter as pessoas a adorarem aquilo que nem ouve e nem se mexe sozinho. Mostrem-me uma imagem numa procissão que ande sozinha! Mas, mesmo que se mexesse, não a adoraria.

  • A fantasia é teimosia arrogante. A realidade e a verdade dentro de nós é sinal de humildade e enorme motivo de satisfação interior – sempre.

  • A insatisfação é uma forma de teimosia, pois, recusa saciar-se da única coisa que realmente pode inverter todo o ciclo de pecado e insatisfação em todos os homens: Deus em Sua vida abundante. Pessoa insatisfeita é sempre pessoa que não quer Deus em sua própria vida – ela é teimosa no seu parecer quanto àquilo que quer, ou que não quer. Sua visão está torcida.

  • Sacrifício é uma forma de não ceder, de nunca ter de obedecer através da simplicidade; é maneira de tentar comprar de Deus tudo aquilo que Ele só quer dar de graça à nossa obediência. Por essa razão existe um treino na obediência incondicional antes de termos a maior das dádivas: Cristo em pessoa real dentro de nós, como aconteceu em Pentecostes (...o Espírito Santo (...) que Deus deu àqueles que lhe obedecem”, João 15:26; 14:17,26; Act.5:32).

  • Impaciência é uma actividade interior teimosa, um ciclo vicioso, cativante e manipulador – até tem energia própria e arranja desculpas para não ter paciência, pois culpa a paciência de não fazer nada quando só a paciência consegue tudo. A impaciência é coisa cega e só não vê porque não quer ser como a paciência e nem se quer vê-la por perto, pois, dela guarda rancor e tem inveja irreconciliável por muitos motivos óbvios.

  • A falta de vida é uma teimosia, pois a nossa luz precária impede-nos de ver a luz verdadeira, tal qual a luz dentro de uma cidade impede-nos de ver as estrelas da noite.

  • Todo o vício é sempre uma forma cega de teimosia, pois é algo que era inconsciente e tornou-se hábito consciente e persuasivo, o qual até pode convencer que é uma necessidade a ser levada em conta no topo das prioridades da nossa lista de preferências e sem querer estar em qualquer outra lista de espera.

  • Avareza e amor ao dinheiro é uma teimosia, pois se não fosse assim, as pessoas gastavam só o que precisavam. Vemos que quem ama o dinheiro é precisamente quem gasta mal e pior, ou então não gasta no que é necessário gastar quando é necessário gastar.

  • Toda a dúvida diante da verdade é teimosia, tal como é toda a certeza no erro. A dúvida que nasce sempre que olhamos o erro de frente, desconfiando dele, é fé; a dúvida que nasce quando olhamos a verdade de frente é incredulidade. A certeza, quando estamos errados, é uma forma de incredulidade teimosa, a qual não aceita opiniões diferentes daquilo que pensa ou que deseja que se torne verdade por egoísmo que não se quer reconciliar com a verdade por motivos próprios. O erro tem de acreditar nele próprio e "pensar positivo", senão não anda. Pensar positivo é a força de muito tipo de teimosia. A pessoa que acredita no erro, ao ser colocada perante a verdade, não quer mudar de opinião. É teimosa.

  • A incerteza e a incapacidade são teimosias que não deixam fazer nada. E é tão fácil sair da incerteza: bastará verificar os factos à luz de Deus se O acharmos. Mas, para O acharmos como Ele é (e não apenas pensar que O encontramos ou 'acha-Lo' como Ele não é), o nosso coração não pode estar dividido nem preocupado ou ocupado com outros afazeres. Se Deus é Vida, não precisamos de mais nada - e nem de nos ocuparmos com outras coisas para as termos ao nosso alcance. Ocupemo-nos só de e com Deus em pessoa viva e real em nós (conquanto seja mesmo real).

  • Sentimentalismo é uma forma de teimosia, pois amor é amor independentemente daquilo que se sente. Amor não é sentimento, mas, é persistência em uma vida natural que não olha o que faz de bem, sempre que o faz e nem a quem o faz. Amor existe e subsiste por si mesmo e não por aquilo que possamos sentir. O que se sente não prefaz o amor, mas, é o amor que nos faz sentir – quando existe e é Pessoa real dentro de nós, 1 João 4:7-9.

  • Qualquer desvio sexual, qualquer pancada e sujeira sobre sexo são sempre teimosias que pretendem e prometem dar o que nunca podem dar. Deixe de ser teimoso na sujeira. Obsessão sexual é sempre uma forma de presunção, pois acha que é e pode ser, dar ou receber aquilo que não pode dar a ninguém. O sexo normal como foi criado só é coisa para pessoa normal que vive conforme aquilo que foi criado sem ser de forma robotizada, programada e viciada. O sexo não existe fora da criação e da função para a qual foi criado e pouco me importa se os homens deste mundo não pensem em mais nada. Eles que me perdoem o desapontamento.

  • Vaidade é teimosia e orientação perversa, pois, se somos como somos é porque Deus sabe o que temos de ser, pois, foi Ele quem nos fez e só Ele nos pode mudar.

  • Nunca nos esqueçamos de duas coisas: que existem mais formas de teimosia para além destas aqui descritas e que todo pecado será sempre, mais tarde ou mais cedo, antes ou depois, uma forma de teimosia. Não orar, não ler a Bíblia é teimosia e nunca vi alguém colocar a Bíblia de lado sem ser através de uma ou de outra forma de teimosia e de obstinação. A segunda coisa que nunca podemos esquecer é que, para Deus (e Ele só fala a verdade), a teimosia e a obstinação são como feitiçaria, 1 Samuel 15:22,23. Pensava você que não era feiticeiro e nem idólatra? Amem.

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José Mateus
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