O MAIOR ERRO DOS CRENTES
"Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: o Seu nome será Emanuel", Is.7:14

Há um erro crasso, no geral, entre todo o povo de Deus: nunca têm Deus por real. Saem duma fantasia do mundo onde se crê que Deus é mítico, sobrenatural, distante, tudo antónimos de real. Se Deus é sobrenatural, a nossa fé é e será vã. A fé que salva é viva, a esperança que manipula essa mesma fé viva é, o amor real quanto baste – tão real que queima em nós quando nos aproximamos dele. É algo que Andrew Murray descrevia como "o nosso coração estranhamente queimando em nós". Os discípulos de Emaús também tentaram descrever o que se passava com eles deste modo: "Porventura não se nos abrasava o coração, quando pelo caminho nos falava e quando nos abria as Escrituras?" Lucas 24:32.

A Bíblia, quando nos pede para crer, nunca nos pede para crermos numa fantasia, senão na verdade quando esta nos é real - não só quando esta é verdade, mas acima de tudo sempre que a verdade se torna real e sempre presente. Judas cria em Jesus e até conviveu com Ele. Mas, era verdadeiramente descrente na sua essência de ser. Quem não tem como crer de forma real, está separando Deus do facto. Logo, não pode crer por opção e nem tão-pouco ser forçado a crer para não achar que crê numa mentira. Quando nos arrependemos, logo podemos crer sem qualquer esforço. Daí nascem as palavras bem aplicadas de Jesus: "aquele que PODE crer", tem como crer, Marc.9:23.

Existe uma barreira de separação entre homem e Deus, entre crente e Deus, a qual nos impede de ver Deus. Os limpos de coração têm como ver Deus de facto e, a esses, Jesus considera-os bem-aventurados Mat.5:8. Logo, a fé deixa de ser dúvida e a dúvida deixa de ser fé. Quem se esforça para crer, duvida de facto. Existe uma fase da nossa vida na qual a dúvida é fé. Existe outra na qual a "fé" deixa de ser algo santo, pois quando Deus se instala em nossos corações de facto, não temos porque permanecer na dívida à dúvida mais. Estando nós separados de Deus, essa dúvida que se instala em nós, é a descrição real e fiel de tudo aquilo que se passa dentro de nós. Por essa razão lemos "e se o coração nos condena..." 1João 3:20. Qualquer dúvida também pode ser derivante de fé e uma variante dela, pois duvidar da mentira é ter caminho aberto para a verdade. A verdade não tem porque temer ser questionada também - só o pecador é que teme questionar a mentira e, por essa razão, temerá crer na verdade como real e tê-la apenas como tal.

É pecado "crer" quando não estamos persuadidos, como Paulo, ("Porque estou PERSUADIDO de que, nem a morte nos poderá separar do amor de Deus"); é também pecado grosseiro quando a pessoa nunca tem razão para descrer e se entrega a uma dúvida egoistamente movida por desejar receber de Deus aquilo que Ele não está nem pronto, nem disposto a dar.

A fé que não está baseada em verdade, em realidade, permanecerá sendo dúvida e duvidosa. O mundo sente no ar que Deus não é real dentro da igreja; logo, esse mesmo mundo é criticado por essa mesma igreja por nunca crerem. Mas, será que estão assim tão errados, quando se discute dentro das portas da igreja sobre futilidades legalistas precisamente porque não têm Deus com eles (com alguma coisa terão de se ocupar!) estando um mundo inteiro à beira do precipício sem volta?

Quando é que a verdadeira fé começa a ser para si a verdadeira "prova das coisas que não se vêem"? Um fundamento bem fundamentado? Um Rei pagão disse uma vez: "todas as Suas obras são verdade". Poderá ele saber mais que a grande maioria dos crentes no mundo hoje? A maioria dos crentes afirma isso apenas porque lêem isso na Bíblia e não porque falem por experiência própria como aquele rei. A fé é fruto duma comunhão com Deus assim que as nossas iniquidades deixam de estar a separar-nos da real presença de Deus pela confissão integral, espontânea, minuciosa e pormenorizada das mesmas - uma a uma. Em vez de Deus nos dizer "Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça", antes nos dirá "E acontecerá que, antes de clamarem eles, eu responderei; e estando eles ainda falando, eu os ouvirei", Is.59:1-2;65:24.

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José Mateus
zemateus@msn.com