O QUE NOS PODE SEPARAR DO AMOR DE DEUS
"…O qual (…) também intercede por nós; quem nos separará do amor de Cristo", Rom.8:35

Esta porção da Bíblia será, talvez, a que as pessoas pior entendem nas Escrituras. E sabemos que, quem entende mal, em sua própria opinião acha sempre que sabe mais e melhor. Vamos ver de perto e com maior abertura de coração e espírito esta parte da Bíblia que muitos querem que se refira a eles. Muitos acham que este amor se refere a um amor para com eles, direccionado para o próprio, enquanto a Bíblia aqui apenas se refere a um amor que jorra a partir deles, de dentro deles mesmos, o qual é Deus neles – e Deus é amor. É deste amor que não seremos separados, do amor que consegue cumprir toda a lei de Deus.

Também analisam apenas o que lhes convém, pois muitos (sem se saber bem como o conseguem fazer) começaram por achar através desta porção das Escrituras que ali se diz que "nem o pecado nos separará do amor de Deus" – algo que é absolutamente falso, pois nem Adão e Eva escaparam duma queda e eles teriam muito mais razões para nunca se haverem separado deste amor de Deus que qualquer um de nós. Entendamos por esta parte da Bíblia que Paulo quer dizer, mais precisamente, que tal é o amor e a Vida de Deus dentro de quem vive e convive com Ele, que nem a tribulação, nem a morte, nem a vida poderão fazer uma pessoa tropeçar em algo que o poderá separar de Deus e Sua Vida dentro de si, sendo tal pessoa constituída e feita mais que vencedora sobre qualquer pecado e tentação - por Cristo – desde que em Cristo de facto. Nem aqui e nem em nenhum outro lugar se lê que o pecado não separa de Deus e deste Seu amor que jorra do próprio e não para o próprio. O que se lê aqui é que, quem vive da plenitude de Deus (quando não é fictícia e imaginária apenas), esta nos dá a vitória sobe o mundo e tudo o que nos poderá vir a separar de Deus – porque existem coisas que nos podem separar de Deus facilmente. "...As vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós", Is.59:2. Se o pecado não separa de Deus, Deus mudou entretanto, pois Adão e Eva foram separados de Deus pelo pecado. Esse mesmo pecado separou Eva e Adão de Deus, como separou Adão de Eva. A própria união que havia entre Adão e Eva desfez-se ao pecarem, pois  Adão começou a acusar Eva do seu próprio pecado e do pecado dela diante de Deus.

Ontem, estava lendo aquela porção de Mat.7:23: "Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade". Apercebi-me de quão convencidas estas pessoas estavam sobre sua posição em Deus. Eles estariam tão convencidos de estarem salvos e prontos para a eternidade que saíram a pregar e a profetizar para os outros e nem mesmo Deus a dizer-lhes "Nunca vos conheci" os conseguia demover das suas presunções, os conseguia convencer do contrário, pois ainda argumentavam com Deus sobre o assunto. Serão os que têm a dita certeza da salvação que se encontram nesta situação, os quais se enquadram dentro desta descrição de crentes bobos.

Nenhum de nós desejará enganar-se sobre algo tão crucial quanto a sua própria vida. Por essa razão, vamos ver mais de perto e dentro do contexto do resto da Bíblia o que, realmente, significam estas palavras. Na verdade, sempre que ouço os crentes falarem do estado de calamidade no qual se acham todas as igrejas actualmente e sem excepção, acho-os sem estarem a falar de si próprios. Pena é que façam uso do estado (real) em que se encontram as igrejas para terem matéria para encobrirem suas próprias falhas e seus próprios pecados – se bem que, desvendando as próprias falhas nunca signifique que se possam aceitar as de outrem. 

O erro na interpretação do livro de Romanos e especialmente o capítulo 8, vem do erro crasso na interpretação "intercede por nós". O que se divulga e se pretende fazer passar pelos púlpitos actuais muito erradamente, é que Jesus intercede lá nos Céus pelos homens cá na terra, tal como os Católicos crêem sobre Maria. Mas, na verdade, isso não é assim. O que se entende por estas palavras é tão só que Ele intercede dentro dos crentes por eles como se fossem eles, isto é, através deles – por nós – e isso com gemidos inexprimíveis se for necessário, sendo o próprio homem a expressar esses mesmos gemidos (conforme lemos que, "Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e está com dores de parto até agora; e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos…", Rom.8:22,23). "Cristo EM vós, esperança de glória", Ele mesmo escrevendo e queimando pessoalmente e individualmente a Lei do amor dentro de nós, por (através de) nós, o que é a única promessa válida de todo o Novo Testamento conforme se pode ler em Jer.31:30-34.

Este amor que lemos aqui, então, não se trata dum amor para connosco, mas antes dum amor dentro de nós para com Deus e para outros seres, o qual se torna verdadeiro e é real. É deste amor que nada nos conseguirá separar – o amor de amarmos e não o de sermos amados. Amem.

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José Mateus
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