O PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO
"Há pecado para morte e por esse não digo que ore", 1João 5:16

Muito se fala deste pecado. Onde passo todos falam, uns como que temendo, outros nada temendo, pensando que nunca o terão como cometer. Todos, no entanto, relacionam este pecado com palavras dirigidas à pessoa do Espírito Santo. Eu acho que é algo mais que isso, pois palavras não devem ser o fundamento, a base, deste pecado, a menos que essas palavras sejam fruto de algo que se passe interiormente de facto, uma certa reacção a um certo trabalho de anti-cirurgia interior.

Em primeiro lugar, esse pecado é cometido perante a presença real do Espírito Santo – ou não fosse ele um pecado "contra o Espírito Santo". Se Ele não estiver presente, nunca pode ser um pecado contra Ele – Ele tem de estar lá presente, operando. Em segundo lugar, tem de ser algo que pode operar em sentido contrário à operação deste mesmo Espírito em cada um de nós. Este Espírito é Santo e manifesta Santidade, operando-a em nós através de nós. A sua vertente é uma operação, um criar e efectuar – o que o torna mais que uma revelação e manifestação. Ele é operante e recriador. O pecado contra o Espírito Santo implica uma contra operação igual, só que em sentido invertido, em dureza e sabedoria só que em sentido oposto, alcançando um resultado distinto da Santidade. É algo "CONTRA" o Espírito Santo, contra-efectivando também, pois o Espírito Santo é operante e, esse pecado, é contra-operante.

Veja o que aconteceu quando o Espírito de Deus andava sobre os abismos vazios – ali nasceu a terra. Imagine o que pode acontecer se Deus passar por cima da sua vida vazia. Imagine, agora, o que será alguém fazer passar essa obra por obra de Satanás.

Quero com isto dizer que se "peca para a morte" onde Deus opera e este pecado tem de ser igualmente achado em contra-produção. Em termos biológicos, podemos dizer que, enquanto um propõe e fabrica glóbulos vermelhos, outro cria e recria células cancerígenas. Por isso, este pecado implica ter os mecanismos, a sabedoria, toda a dureza de ser contra-efectivante e contra-procedente em recriação, contra-produzindo e deixando suas sementes espalhadas em terra fértil, ou pela dureza, ou pela doutrina, ou pelo pecado, ou mesmo pela imitação do evangelho, onde alguém se insurge contra-operante, efectivando, incentivando contra a Obra de Deus em nós – esse será o verdadeiro pecado contra o Espírito Santo. Nem mesmo a ignorância tem como não pecar contra o Espírito Santo caso a Sua obra seja sensível e visível. "Assim como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé", 2Tim.3:8. Moisés tirava um milagre do seu coração a mando de Deus, estes faziam o mesmo para alcançar algo distinto e contrario à obediência a Deus, endurecendo quem deveria ouvir o que fala às sete igrejas pelos cinco continentes deste actual mundanismo religioso e precário de verdade real e realizadora. É preciso ser-se contra-procedente em nome de Deus para se pecar contra o Espírito Santo. A palavra "anticristo", significa na sua, também, "igual a Cristo".

Em ultimo lugar, a consumação deste pecado é quando a dureza se instala definitivamente. "Então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte. Não vos enganeis, meus amados irmãos", Tiago 1:15-16. Por isso, qualquer pecado, qualquer doutrina, qualquer homem pode e tem como pecar contra o Espírito Santo. É Deus quem opera tanto o querer como o fazer em nós – o pecado do qual falamos aqui efectua também tanto o querer como o fazer contra aquilo que Deus quer e promove naquele momento (ou mesmo noutro, pois Deus está em todo canto do mundo). Este pecado é um anti-evangelista, pensando que o que se está a fazer é por e para Deus.

Tal como os fariseus de antigamente, hoje também se pode fazer pleno uso das Escrituras para se ser contra-procedente, efectivando e re-efectivando através de qualquer meio tudo aquilo que Deus quer desarreigar da face de todo o Universo para sempre: a dureza de coração. Este pecado usa qualquer meio para alcançar os seus fins. Basta tão só Deus dizer arrepende-te enquanto alguém promove a arremete uma alma para crer que já se arrependeu, para os milagres, para as línguas, para o céu ou mesmo para a terra, para aquilo que nos pode ser acrescido pela graça de Deus enquanto Deus instiga através do Seu Espírito para algo distinto naquele momento, criando-se um paraíso de tolos que corre perigo eterno perante a presença de Deus. Uma enfermidade nunca terá porque me condenar ao inferno, com ela poderei sempre comparecer diante do justo Juízo de Deus, pois o seu salário nunca será a morte. Mas é das enfermidades de nossa alma que devemos cuidar sempre e acima de tudo – é dessas coisas que devemos ser salvos. Quem promove a doutrina de Cristo para que quem mencione Seu bendito nome tenha porque não se afastar de toda a iniquidade, promove heresia e cobra de Deus a Sua ira intransigente. Cremos que a obra de Deus é esta: Salvar o Seu povo dos seus pecados (e nunca dos pecados dos outros), (Mat.1:21), pois "Deus suscitou a seu Servo e a vós primeiramente vo-lo enviou para que vos abençoasse, desviando-vos, a cada um, das vossas maldades", Act.3:26. Por isso, "Aparte-se da injustiça todo aquele que profere o nome do Senhor", 2Tim.2:19; esse é o Selo do Senhor nos Seus. Assim, "virá um Redentor aos que, em Jacó, se desviarem da transgressão, diz o Senhor", Is.59:20. Quem promove outras coisas corre sérios riscos de ter o juízo de Deus à perna com efeitos eternos e mesmo irreversíveis.

Qualquer pecado é sempre voluntário, pois até os cativos nele param de fazer certas coisas quando se lhes oferece um bem (ou um mal) maior, quando lhes pode servir. Um homem, muitas vezes, deixa de fumar apenas porque a mulher do vizinho não gostará dele por causa do tabaco. Caso deixe de fumar, consegue fecundar o óvulo do próprio pecado dela, consegue aquilo que queria. Se pode deixar de pecar pelo pecado, não o poderá deixar por Deus também?

Agora, é na promoção desta voluntariedade, mas em sentido inverso, que consiste o pecado contra o Espírito Santo – ai de quem promove esta voluntariedade, que faça tropeçar um dos pequeninos. Melhor lhe seria ser lançado no fundo do mar. Quem tem doutrinas que promovem, incitam e capacitam crer em Deus pelo pecado, corre sérios riscos de nunca ter volta em tudo quanto faz. Mas, se o fizer onde Deus está operando pessoalmente, é mais que certo que não será perdoado, sabendo o que faz ou não (pois deveria saber melhor), contra-operando e vendo o que faz, criando um estado de espírito que faz com que outros, por este mundo fora, nunca mais ouçam Deus e a voz do Seu Espírito. Ponha-se enroscado também numa árvore da mentira e incite a comerem dela e terá o inevitável juízo de Deus sobre si, havendo Deus ordenado outra coisa a ser feita. É principalmente entre crentes que ouço, "não irmão, isso não é de Deus, pois Deus é amor!", usando sempre a verdade para encaixar a mentira. Mas, tenha sempre presente que Deus pode ser Emanuel e que seus hábitos doutrinários podem sempre dar de caras com Quem não evitará encontrar-se consigo frente a frente também, pois, lemos que "o que faz coisas grandes e insondáveis (...) passa junto a mim e não O vejo; sim, vai passando adiante, mas não o percebo", Jó9:10-11. Deus pode passar por si a qualquer momento do mesmo modo. Amem.

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José Mateus
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