PERMANECER EM DEUS
"Portanto, o que desde o princípio ouvistes, permaneça em vós. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também vós permanecereis no Filho e no Pai", 1João 2:24

Nós sabemos que os pastores interpretam muito mal as Escrituras em todo lado. Quando são colocados perante o mandamento do Senhor Jesus que diz, "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos", Mat.28:19-20, vemos que não cumprem o que Jesus ordenou. Vemos que o principal mandamento é ensinar a observar e não ensinar. Hoje ensinam outros a ensinar e ninguém ensina a observar e como guardar TUDO que Jesus ensinou e pregou. Tanto a obediência, como a capacidade de se obedecer terão de ser ensinadas desde o início porque entusiasmo nunca salvou ninguém e não segurou quem a ele se segura.

O entusiasmo do primeiro dia de escola faz milagres no semblante de pais, mães e alunos. Mas, nós sabemos que esse entusiasmo nunca dura até ao fim de qualquer carreira escolar a menos que o aluno tenha disciplina para trabalhar sem se atrasar em suas tarefas para que nunca se venham a acumular formando um dia mau. Precisa-se de afinco, determinação, disciplina e carinho pela carreira adiante, junto com outros objectivos que não sejam apenas aquela alegria de se entrar na escola. O mesmo se pode dizer da vida com Deus. Por isso João diz: "Portanto, o que desde o princípio ouvistes, permaneça em vós. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também vós permanecereis no Filho e no Pai", 1João 2:24. Também lemos que "nos tornamos participantes de Cristo, se guardarmos firme até o fim a nossa confiança inicial", Heb.3:14.

Mas, para podermos manter nossa confiança inicial flamejando como no início, para crescermos em sobriedade sem perder na confiança que Deus nos dá no inicio e na alegria real que nos penetra dia e noite perto d’Ele, temos de ter muito mais que votos e decisões pontuais. Ninguém consegue sobreviver ou viver através de votos e promessas durante muito tempo. Algo mais substancial terá de se passar em nós, algo mais e acima de promessas e decisões que nos esquecemos na semana a seguir – ou no ano a seguir, ou na década seguinte. Se nos apegamos à verdade, se somos conquistados pela beleza das coisas, se facilmente somos tragados pelo semblante real de Deus, sendo tocados por algo que vem mesmo de Deus, teremos de levar em conta que a verdade em nós terá de se tornar real ainda (senão não permanece como verdade). Isso é tudo o que a Bíblia nos fala de "praticar a verdade". Não é praticar mandamentos, mas antes que a verdade se torne real em nós como nossa própria natureza espontânea e natural para ser praticada. A verdade tem de se tornar real, espontânea e natural em nós, por nós e para nós todos sem excepção. Tudo que for inferior a isso não é de Deus.

Uma comunhão com Deus que seja real e patrocinada pelo Espírito Santo deveria ser umas das coisas a levar sempre em conta se quisermos permanecer firmes até ao fim. Algo que tenha como ou porque corromper essa comunhão, como um pecado por confessar que seja, caminhos por corrigir, pecados antigos que não se coloquem na luz e no perdão que as pessoas nos possam dar após havermos confessado a essas mesmas pessoas, mais tarde ou mais cedo nos impedirão de prosseguir porque isso nos separa de Deus de forma real. Endurecimento quanto às coisas e interesses de Deus; accionar orações sobre nossos interesses acima dos de Deus sobre nós; não prescindir de nossos direitos sobre nossas vidas; costumes e modos de ser e de estar em nossas vidas; e tudo mais que possa interferir com aquilo que Deus é e pode ser em nossas vidas, tanto por dentro quanto pelo lado de fora, deve ser irremediavelmente banido, extinguido e dilacerado sem dó em sua totalidade neste exacto momento! Amargura contra Deus, pessoas ou nós próprios, desmotivação da qual não se analisa qual a sua origem real, culpa que não sai de nós apenas porque não queremos restituir ou entregar algo de volta (nem que seja honra a alguém), tudo mais deve ser levado em conta se quisermos permanecer firmes até ao fim de nossas carreiras. "Antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado", Heb.3:13. Se perdemos nosso primeiro amor em algum lugar, mesmo continuando crentes com maior labor, deveremos parar um pouco para verificarmos qual a causa da perda desse primeiro amor. Provavelmente já não temos alguém perto ou dentro de nós para amar. "Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, donde caíste e arrepende-te e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres", Apoc.2:4-5. A perda do primeiro amor vem após uma queda em algum lugar ou em alguma coisa que nos separe de Deus logo ali. É assim que não temos mais alguém para amar bem perto de nós e faz com que esse amor se torne frio. Lemos aqui que a pessoa não perdeu o amor – apenas perdeu o primeiro amor, aquele que era lindo de se ver em relação a Deus. Amar uma pessoa sempre presente e estar de bem com ela nunca será o mesmo que amar uma que está meio distante de nós. No primeiro caso o primeiro amor pode manter-se, no outro a saudade e o saudosismo.

Muitos outros que são fiéis em toda a casa de Deus, todos aqueles que Lhe podem ser obedientes incondicionalmente e se esforçam para adquirir o poder de permanecer assim, firmes, depois de terem tomado a decisão de irem obedecer, temem não poder chegar ao fim de sua longa caminhada amando Deus ainda de forma pura e natural. Temos de ter em conta que as hipóteses de chegarmos puros e sólidos no fim de nosso caminho são literalmente dependentes de sabermos viver só o dia de hoje, agora e só nele, vivendo de tal forma que nossa mente não se extravie dele por algum motivo nem para abençoar nem para amaldiçoar. Quem é fiel hoje e aprende a ser fiel, tem tudo para ser fiel até ao fim porque amanhã será hoje também e hoje nunca será amanhã. Tal como longe de Deus achamos que vamos ter tudo que vamos perder, do mesmo modo e perto de Deus podemos achar que vamos perder tudo que iremos ter. É fundamental sermos fiéis hoje só no trabalho de hoje, seja este feito para Deus, amigo ou inimigo. Essa prontidão é essencial para nossas vidas se manterem firmes e simples até ao fim de nossas carreiras espontâneas desde que viventes. Quem não conseguir ser obediente, perderá sua espontaneidade e quem perder suas faculdades de ser natural e real, perderá sua capacidade de obedecer. Uma coisa leva à outra, seja qual for a primeira a acontecer.

Não nos esqueçamos que, por muito difícil que nos seja mudar de religião ou de doutrina para nos apegarmos ao Deus vivo e presente em nós de forma real (sem suposições de crença e da tal fé que se esforça muito e se sacrifica para crer), temos de levar em conta que no fim de nossas carreiras temos de estar ainda mais frescos do que quando iniciamos a viver e a conviver com Deus de forma real. De outro jeito não entraremos nos céus. Que Deus tenha misericórdia de nós. Amem.

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José Mateus
zemateus@msn.com