ATREVA-SE A POUPAR NO TEMPO
"Andai em sabedoria para com os que estão de fora, remindo o tempo", Col.4:5

Dum ponto de vista humano, poupar tempo significaria andar apressado e deixar algumas coisas por fazer. Em termos divinos, seria o oposto: poupar no tempo significaria fazer algo muito bem para que não se tenha de voltar atrás para se tornar a fazer. Apenas “Aquele que é remisso na sua obra é irmão do que é destruidor”, Prov.18:9.

Mas hoje estive pensando em algo diferente destas coisas e admiro-me mesmo nunca ter visto as coisas desta forma. Cada crente que lança mão do arado deveria ter absoluta consciência do que está fazendo, pois pode poupar no tempo de salvação do pecado tanto dele próprio como dos outros, pode imprimir rapidez e solidez tanto na sua própria vida quanto nas vidas que o rodeiam. Espero poder transmitir tudo quanto me vai na alma da forma mais curta.

Um crente quando vem a Deus traz consigo muito do que aprendeu no mundo. Mas, caso sirva a Deus em seu espírito ainda, segue Deus em tudo quanto lhe é permitido e mostrado. Se constrói casa, se é Deus quem o junta no matrimónio e não ele próprio, se compra ou vende dentro dos parâmetros da bênção de Deus, seu coração estará sempre livre de se agarrar ao material, pois é Deus quem o guia dentro das suas próprias possibilidades espirituais: aquilo que pode lhe é prontamente dado.

Logo aqui vemos que uma pessoa fiel a Deus nunca terá por motivo construir uma casa que não seja para que seu Mestre lá venha habitar. Seu lar abre-se para os santos e famintos que se assemelham em tudo ao Mestre da sua alma e espírito. Ora, se assim é de facto, ao construir terá sempre por perto quem veja o que faz, tal como o mundo olhava e até impedia que o templo em Israel se reconstruísse após a era Babilónica. Assim, o mundo ao contemplar tudo aquilo que se faz pelos motivos certos, poderá confundir as coisas, pois em seu coração vê apenas uma única razão para desejar ter um lar, uma casa e esta nunca será a glória de Deus em exclusivo. Um filho de Deus assim que se casa, tem em mente que Deus seja glorificado pelos corações que irão compor seu lar. Mas o mundo olha para tudo aquilo em espírito de novela, de viver feliz para sempre através das coisas que acabam, sabendo ainda que acabam. Quer isto dizer que, caso os crentes construam dentro da vontade de Deus, caso estes consigam que seja Deus a construir seus próprios lares para glória Sua, o mundo pode ganhar um prolongamento de suas esperanças falsas, vendo que Deus pode dar “tudo” aquilo que dá aos crentes. O que se quer é que estes percam toda e qualquer esperança no mundo que os rodeia e nunca o oposto. Assim, quando alguém do mundo vê a bênção que descansa e vive sobre quem constrói para glória de Deus, caso seus motivos e obras estejam encobertas a quem os rodeia, logo muitos poderão desejar vir a Deus mas não por Deus, mas antes por aquilo que Deus pode dar. Esta situação não irá encurtar o tempo em pecado, para bem de quem assim acontece, mas antes irá proporcionar uma maneira de estender tanto o erro como ganhar uma nova esperança de se conseguir casa, lar, filhos e tudo aquilo que Cristo disse que antes deveríamos aborrecer para podermos entrar no Reino de Deus mesmo antes de morrermos, (pois se Deus não nos reinar por dentro agora, não o fará depois da morte também). Seria sempre melhor para qualquer pecador pensar que Deus irá permanecer longe dele com aqueles motivos, do que acreditar que vindo a Deus conseguirá tudo que seu coração deseja e que Deus se torne em provedor de concupiscência. Qualquer homem santo que não leve em conta que o mundo olha para tudo quanto os crentes fazem e que eles podem interpretar mal os motivos porque o crente constrói, não é sábio ao ponto de poupar no tempo de salvação do pecado daqueles que se tornaram em espectadores óbvios de tudo quanto se pode fazer por Deus. É de se esperar de crentes firmes que suas obras sejam puras, seus motivos claros e que seu amor seja real e bastante visível, caso este seja verdadeiro. Ser claro e ser honesto ajuda a poupar no tempo de salvação dos outros. Deixarmos de vez tudo quanto nossos corações anseiam ainda desta vida, poupará no tempo de salvação de nossos próprios pecados. Vamos lá lançar mão do arado então. Amem.

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José Mateus
zemateus@msn.com