PREPARAI O CAMINHO PARA O SENHOR
"Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas", Mat.3:3

Por vezes, de tanto se insistir naquilo que não resulta, as pessoas inclinam-se para acreditar que as coisas são complicadas. Afirmam que uma coisa simples torna-se complicada, ao invés de parar, pensar e tentar desvendar por que razão o simples e prático não funciona. A mentalidade humana insiste no erro e esse é o caminho que o erro assegura para manter as pessoas nele, aproveitando-se da frustração, da insatisfação e do fato de acreditarem que nada dá certo. As pessoas podem ser levadas pela incredulidade a insistir e a persistir. Não é somente a fé que não cessa de orar (não desiste de interceder). Quem não cessa de orar, não desiste, movido pela incredulidade, não receberá.

Por essa razão, criou-se uma certa mentalidade e um certo hábito mental à volta do erro que, muitas vezes, para tirarmos as pessoas desse erro necessitamos, primeiro, anular a mentalidade, a qual opera por ela mesma de forma espontânea e impulsiva. Quantas vezes se torna necessário enfrentar os modos, a forma de pensar e os hábitos para podermos chegar ao cerne da questão! (Muitos pregadores ficam satisfeitos quando conseguem ultrapassar essas barreiras e ficam-se por ali, esquecendo que ainda precisam resolver o verdadeiro problema, isto é, chegar à raiz da questão. Só eliminaram as barreiras e ainda não resolveram o problema).

Toda a pessoa que insiste no erro cria uma mentalidade de obstinação, sentindo-se mesmo ameaçada quando nega essa mentalidade. Essa mentalidade de erro tornou-se a protecção imaginária de quem a obtém. Não é apenas o erro que faz adoecer o coração e o espírito – é a forma de agir, são os hábitos de conduta e a forma de pensar que mantêm a pessoa errante, anulando qualquer possibilidade de chegar ao que é certo devido à conduta própria que criou. Essa forma de pensar e de agir torna-se um muro de obstinação, uma barreira de protecção ao próprio erro que não permite que se chegue ao verdadeiro problema. E, resolvendo a sua maneira de ser, a sua impaciência e obstinação, apenas anulou aquilo que impede de chegar ao verdadeiro problema, à real essência do pecado – algo que precisa ser resolvido após isso. Ainda não foi resolvida a raiz do problema quando os impedimentos foram todos exterminados ou anulados. Imagine uma colmeia onde a Abelha-Rainha é protegida por outras abelhas guerreiras, as quais não hesitam em perder as suas vidas pela causa que defendem. É assim que a mentalidade a os costumes aprendidos e cultivados lutam a favor do erro, o qual é responsável por produzir mais e mais pensamentos, mais costumes e defesas próprias, tal e qual a Abelha-Rainha produz mais e mais ovos e guerreiras para proveito próprio. Há que saber que defendemos o erro sempre que nos fechamos em nós próprios. “Busca seu próprio desejo aquele que se separa; ele insurge-se (ergue-se, obstina-se, levanta-se) contra a verdadeira sabedoria”, Prov.18:1. Isto significa que quem faz isso, resiste e insurge-se. É soberbo e será resistido por Deus e apoiado pelo diabo.

A maioria dos errantes ganharam essa forma de estar na vida porque tentaram alcançar o que era simples e não conseguiram, chegando mesmo ao ponto de desejar que Deus se torne parceiro cooperante de sua forma de pensar e não opositor e exterminador dela. Você precisa chegar ao ponto de suplicar a Deus para exterminar essa mentalidade de seu ser, tal deve ser o desejo de se livrar dela. “Transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”, Rom.12:2. Não existe qualquer possibilidade de alguém se aperceber de qual seja a verdadeira vontade de Deus, orar em conformidade e ser atendido, sem haver passado pela renovação de todo o seu entendimento. Se algum pregador tiver uma opinião diferente, é falso e prega a falsidade.

Paulo afirma categoricamente que existe simplicidade nos caminhos de Cristo. O Caminho é verdadeiramente simples e prático. “Mas, temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo”, 2Cor.11:3. “…Em simplicidade de coração, temendo a Deus”, Col.3:22. Devido ao fato deste caminho ser simples, pode gerar-se a mentalidade que deriva do erro e podem exercitar-se esses sentidos criados para perseguir os caminhos de Deus ou até mesmo de tentar prosseguir neles de forma errante. Se algo verdadeiro não funciona com simplicidade, devemos parar até acharmos a razão ou a causa dessa anormalidade ao invés de forçar os caminhos a adaptarem-se a nós, insistindo e voltar a insistir numa forma de vida que cria hábitos nos sentidos das pessoas capazes de anular por completo a possibilidade de se achar o caminho certo ou de se manter nele. A Bíblia não funciona em sua vida? Sua vida não consegue estar de acordo com a Bíblia? Então, existe a possibilidade de você estar insistindo para que a Bíblia comece a estar de acordo com a sua vida ao invés de ser você a ser transformado ao ponto da sua própria vida se tornar o Livro da Vida aberto para todos lerem. “…Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo (…) escrita não com tinta, mas, com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas, nas tábuas de carne do coração”, 2Cor.3:3. Se você não der valor a estas minhas palavras, há-de chegar o dia que duvidará de Deus e até mesmo da Sua existência ou da Sua benevolência – o que equivalerá a ser descrente “porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que é galardoador dos que o buscam (isto é, que é benevolente) ”, Heb.11:6. Isso acontecerá porque existem barreiras que impedem a graça de operar em sua vida, as quais você recusa exterminar para sempre e duma vez por todas. Olhando para estas questões, vemos qual a enormidade da importância “de endireitar as veredas de Deus e de preparar o caminho para o Senhor”. Tudo em nós precisa mudar caso desejemos poder trilhar esses caminhos. Deus não pode guiar e instruir através de caminhos estranhos, mas, só pode aparecer estando nós encaminhados. Esses caminhos certos precisam ser achados antes de podermos pedir para sermos guiados. Só podemos ser guiados neles. Deus guia – e só pode guiar – por esses caminhos e não estando nós em outros caminhos. Estando em outros caminhos, ouviremos apenas o silêncio de Deus e o fato de estar silencioso deve alertar-nos para a possibilidade de nossas veredas estarem tortas ou serem mesmo tortas de raiz.

Vamos usar os Reis que vieram do oriente como exemplo. Eles viram e seguiram a Estrela desde o oriente e dirigiram-se para Israel. Até aqui, tudo esteve bem porque, até aquele momento, não faziam a menor ideia de onde estaria o Salvador. Mas, ao serem guiados em direcção a Israel, começaram a ter ideias. A partir dum certo ponto, começaram a seguir suas ideias em direcção a Jerusalém e deixaram de ver a Estrela. Creio que se seguissem em direcção a Belém, a estrela continuaria sendo vista. Mas, ao haverem entrado em Israel, acreditaram que a capital seria o destino mais provável. Enganaram-se redondamente e a Estrela desapareceu e deixou de vista. A estrela nunca poderia guiá-los para Jerusalém porque nunca guiaria para o lugar errado. O que estariam pensando quando a estrela sumiu? Poderiam acreditar que, como já estavam encaminhados, a estrela deixara de ser útil e resolveu sumir. Persistiram em direcção a Jerusalém. Mas, quando foram reencaminhados para Belém, a estrela tornou a aparecer. Sua teoria estava errada. A Estrela nunca poderia guiar para Jerusalém porque Jesus não estava lá. Poderia guiar, apenas, para Belém. Desapareceu por estarem desencaminhados e não por estarem encaminhados. Pela graça de Deus, as Escrituras foram luz para eles, cujas profecias redirecionaram seus passos para Belém e isso fez com que a Estrela reaparecesse para levá-los até ao seu destino. Fizeram um desvio desnecessário, o qual causou a morte de muitas crianças dois anos mais tarde. Como eram reis, dirigiram-se ao Rei Herodes, o inimigo da Verdade, para saberem onde nasceria o rei dos Judeus.

Muitas vezes, deduzimos coisas erradas sendo lesados por desculpas ou achando justificações para o que nunca se justifica. Quando a estrela deixa de guiar, muitos continuam achando que estão sendo guiados. Arranjam sempre justificações para a falta de poder em suas vidas, pela falta de santidade, para os problemas na igreja, continuando a crer que não foram abandonados por Deus ou que não estão por conta própria por se manterem apenas com ideias evangélicas.

Devido ao instinto que pende para errar e por causa da confusão criada pelos caminhos que não resultam – ou deixaram de resultar - existem palavras que, mal entendidas, podem criar ainda mais confusão. Por vezes, as palavras são mal entendidas porque a nossa doutrina, ideia ou anseios e desejos podem manipular as nossas interpretações e até mesmo as nossas crenças. Podemos crer conforme aquilo que desejaríamos que fosse verdade. E, por vezes, existem palavras que, traduzidas, não produzem os mesmos significados do original e antes o significado que justifica as nossas crenças. Por exemplo: "E creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna", At.13:48. (Antes de dizer alguma coisa acerca deste versículo, permitam-me dizer que creio solenemente na doutrina verdadeira da eleição ou predestinação. Também creio que é, provavelmente, uma das doutrinas mais disseminadas pelas Escrituras. Contudo, não creio que este versículo caia dentro da categoria dessa doutrina). Podemos crer conforme aquilo que desejaríamos que fosse verdade. E, por vezes, existem palavras que, traduzidas, não produzem os mesmos significados do original. Isso pode substanciar as doutrinas erradas, incompletas, desejadas que apreciamos. Neste versículo encontramos um desses casos. De acordo com o original, as palavras "ordenados para a vida eterna", neste versículo, significam "ser preparado e colocado em ordem, ser colocado/achado na disposição de receber". Quando se fala, aqui, dos que se encontravam ordenados para a vida eterna, significa que haviam sido preparados para a receberem naquele momento. Uns iriam estar preparados mais tarde e, talvez, outros nunca chegassem ao ponto de estarem preparados para receberem tal tipo de vida abundante, constante e permanente. Os tais tornar-se-iam úteis para preparar os santos ainda melhor através de perseguições e provações. Nada é desperdiçado no Reino de Deus e até mesmo o estrume é usado para fazer as flores florirem melhor e terem ainda mais vida e serem mais saudáveis. Por exemplo, João Batista preparou o povo para receber Cristo, fazendo-os arrependerem-se, confessar e abandonar cada pecado pelo nome. Isso viria criar uma disposição no coração para Cristo ser recebido como Ele é, destituindo a ideia fixa de como Ele seria. Foi dito de João que "ele iria diante Cristo (...) para preparar um povo bem disposto", isto é, com para obterem a disposição de coração capaz e disposto a receber Cristo como Ele é, Luc.1:17. Cristo, por sua vez, preparou o povo - e muito principalmente os discípulos - para receberem o Espírito Santo (isto é, a vida eterna, abundante e constante). E o Espírito Santo prepara as pessoas para uma entrada no céu. O que nos iremos tornar depois disso ou para o que seremos preparados ainda não sabemos. Ora, todas etapas são preparos para as etapas seguintes. "Àquele que bem ordena o seu caminho eu mostrarei a salvação de Deus", Sal.50:23. Tem tudo a ver com o ordenar de caminhos e corações. Ora, existe sempre uma preparação prévia, quer a pessoa ou pessoas estejam conscientes disso ou não. Existe uma preparação solene para um avivamento da dimensão daquele que ocorreu nos tempos de Paulo. Logo, os que já estavam ordenados, cujos caminhos haviam sido preparados, salvaram-se. Não se perdeu um deles sequer. Os demais poderiam preparar-se através do que ocorreria após isso ou, então, endureceram-se. Como Paulo disse aos Coríntios, "para levar o Evangelho para além de vós". Por essas razões é que aqueles que trabalham na obra nunca devem estar desenquadrados com a liderança de Deus. Existem planos feitos por Deus que devem ser seguidos. E onde existem bons planos, existem passos em seus tempos para serem dados, coisas para serem alcançadas e vontade para ser feita duma maneira específica. Ele é o Caminho e sabe quando e como fazer tudo. Sabemos que o coxo curado por Pedro e João na porta do templo em Jerusalém nunca havia sido curado em anos anteriores, nem mesmo quando Cristo entrava e saía do Templo. Ele era colocado ali há anos e todos os dias. Não deve haver coisa mais importante para fazer o Reino avançar que seguir Jesus em Seus tempos. Ele torna tudo belo a Seu tempo. Tudo segue em Sua rota e conforme Seus planos e tempos, isso em ordem absoluta. Precisamos estar prontos para viver de acordo com planos em seus tempos. Estejamos prontos para viver dessa maneira.

Há que começar colocando o nosso passado em ordem, confessando cada pecado e restituindo pedidos de desculpas a quem de direito; há que tratar de nossa forma de pensar acerca dos caminhos que pensamos serem de Deus, sendo ou não evangélicos; nossos maus hábitos, impaciências e desejos pessoais precisam ser colocados no corredor da morte para serem, eventualmente e o mais depressa possível, crucificados com Cristo; há que estar preparados para o fato de tudo se tornar novo assim que recebermos a vida abundante que Jesus promete, o que significa receber a vida eterna. Há que ordenar nossos caminhos e mantê-los bem ordenados se queremos receber de Deus aquilo que prometeu a respeito da eternidade. A estrela nunca guiará e nem aparecerá para guiar para rumo incerto, para o lugar errado, para a vida terrena favorecendo a carne e o carnal. Tenhamos isso em mente sempre que nos aproximarmos de Jesus seja por que razão for. “Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores e pede condições de paz. Assim, pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo. Bom é o sal, mas, se ele degenerar, com que se adubará? Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça”, Luc.14:28-35. Amém.

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José Mateus
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