QUANDO É QUE PARTICIPAMOS DOS PECADOS DOS OUTROS?
"Portanto não sejais participantes com eles", Ef.5:7

Qualquer pecador sabe o que está certo ou errado – se não soubesse, nunca seria tido como culpado diante de Deus. Embora a ignorância seja possível, ela não deixa de ser um pecado também. A ignorância é pecado e deve-se ao pecado. Com um Deus tão perto que sabe e pode ensinar, a ignorância é sempre indesculpável a qualquer homem ou mulher.

Quando alguém sabe o que é pecado e sabe que sua própria consciência o abandona ao desprezo, logo trata de buscar apoios no sentimentalismo, na amizade, no divertimento viciado, no passar do tempo, sem nunca saciar sua sede de justiça interior em relação ao próprio confessando diante de Deus e dos homens. Ninguém quer ficar velho, mas todos querem que o tempo passe rapidamente. São estas as incoerências que facilmente se acham dentro de qualquer ser humano.

Existe uma insatisfação dentro de qualquer pecador que o faz sempre desejar estar fora do lugar onde está. Esse desconforto pode levar o homem a pensar que algo lhe falta dentro de si mesmo. O seu Criador em Espírito, dentro duma consciência tranquila e tranquilizada de facto por Quem a criou e sabe muito bem como funciona, é o que lhe falta. No entanto, as pessoas parecem nunca pensar que a falta de paz é uma forma abençoada de nos apercebermos que algo nos falta por dentro. A falta de paz de espírito, mesmo dentro dos maiores confortos ou dos maiores sufocos e problemas, é sinónimo de grande perigo. Foi o próprio Deus quem decretou que "Mas os ímpios são como o mar agitado; pois não pode estar quieto e as suas águas lançam de si lama e lodo. Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus", Is.57:20-21. Se não tem paz de espírito em qualquer circunstância, alguma impiedade reside em si (ainda).

Mas é comum ver-se alguém a tentar sair do sufoco no qual foi colocado por decreto divino e o qual deveria ser tido como um alerta, uma bênção persuasiva, de formas erróneas e que só visam sossegar quem não devia estar em sossego. Por essa razão é frequente acharmos que quem tem muitos problemas (mesmo de consciência), não passe sem dormir muito e só se levanta de sua cama sonegadora apenas quando não pode mais permanecer adormecido por motivos de maior importância, isso a seu ver, na sua perspectiva. Nestas circunstâncias de consciência acusadora, as pessoas buscam quem participe no seu rol de amizades como forma exaustiva de poder sofrer o desassossego e desconforto ao qual foi benignamente entregue por criação, caso esteja de mal com seu Criador. Estas pessoas desassossegadas buscam a companhia de crentes, tornam-se crentes mesmo e começam a louvar Deus sem nunca se limparem de seus pecados. Adão e Eva sentiram vontade de tapar as suas vergonhas, o que muitos nem fazem hoje. No entanto todos tentam evitar a grande questão de suas próprias consciências, no tocante àquele clamor interiorizado e sonegado abruptamente juntando-se aos crentes.

É assim que se arranjam formas de sonegar consciências manchadas, a favor das quais as pessoas nunca querem perder tempo. Há que haver verdade no mais íntimo de cada ser humano, caso este queira ter uma mínima hipótese de ser chamado à salvação das suas próprias incoerências, as quais já dificilmente reconhece. O maior inimigo de cada homem e mulher nunca deixa de ser ele próprio – que se saiba isto desde logo.

Logo, as pessoas, dando ouvidos ao clamor sufocado e sonegado das suas próprias incompetências e apetências de consciência, duvidam de si mesmos. Isto causa um labirinto de ruas muitas estreitas dentro do seu próprio ser, das quais logo se fartam por se acharem rodando no mesmo lugar vezes sem conta pelos mesmos motivos de sempre: fazer passar o tempo de desassossego dentro de si. É precisamente aqui que as pessoas buscam algo com que se entreter, desde droga a um simples passar do tempo a contemplar as fagulhas duma lareira a crepitar. Nada satisfaz o homem senão um encontro real com Aquele que lhe falta ainda dentro de si, pois dentro de nós se estabelecerá todo o Reino de Deus. Será a partir dali que Deus reinará sempre. É disso que sentimos falta e nos ludibriamos com coisas fúteis sem que haja algo de valor ou sem ele.

É também aqui que as pessoas buscam participantes exteriores para as suas vidas futilmente acusadoras. Com companhia por perto, todos se sentem apoiados e sem vontade de prestar ouvidos atentamente ao que se faz ouvir estridentemente dentro de si. Aquele clamor queima como fogo dentro de si mesmos, mas por amor ao que os perverte sempre e lhes retira toda a paz – em todos os sentidos e não apenas a paz de espírito – preferem auferir de apoios quanto lhes convém para nunca pensarem que não vão morrer, que nunca se vão abrir os livros das suas consciências aquando do justo juízo de Deus. Que se abram esses livros agora e se confesse diante de Quem tem pleno poder de tratar duma consciência manchada; voltemos pois a Quem a criou – Ele sabe como funciona tudo em nós, sabe como repor a paz de espírito da qual carecemos e muito! Ele bem sabe como a limpar!

Enquanto isso sucede, por amor ao mundo, por amor ao seu próximo, permita e contribua para que o ímpio se sinta ímpio e que haja honestidade dentro dele ainda. Não lhe feche as portas em amor, mas nunca seja tolo ao ponto de o fazer e de o deixar pensar ainda que pode vir chorar no seu ombro sem que seja absolutamente necessário obter uma real paz de espírito duradoura. Nunca permita que seja tido como participante activo nos pecados dos outros – para bem deles. Todo o sangue dessa gente que se quer manter corrompida a nível de consciência, será exigido de suas mãos. É possível salvar, amar sendo verdadeiro ainda. Tente e não participe nos pecados dos outros para bem deles.

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José Mateus
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