SOBRE TODOS OS NOSSOS PECADOS
"Meus caminhos te descrevi e tu me ouviste; ensina-me os teus estatutos", Sal.119:26

Não existe nada que nos impeça de ver Deus com excepção de duas coisas distintas e que formam uma parelha coesa: nosso coração e nossos pecados. Agora, temos por necessidade, quando em pecado, de encobrir enquanto pecamos. Existem muitas maneiras de encobrir. Uma delas é dizer: "todos somos pecadores – tu nunca pecaste?" E eu perguntarei: o que tem isto a ver com "Meus caminhos te descrevi"? Vês ó alma pecaminosa, que apenas queres evitar ver aquilo que és e aquilo que fizeste porque és? Outra maneira de se envolver com as trevas, escondendo lá aquilo que um dia há-de ser tornado publico, é dizer e afirmar: "mas eu tenho direito, não posso ser feliz também, dormindo com quem me ‘ama’?" Podemos também encobrir dizendo: "mas existem pessoas piores que eu! Eu não matei! Só menti!" Que tem isto a ver com "Meus caminhos te descrevi"? Será assim que tudo descrevemos diante de Deus? E se formos a analisar correctamente, tudo aquilo que o homem diz, é sempre em sua própria defesa. Mas será assim que se defende a nossa vida?

Porque quer Deus saber de nossa vida se Ele tudo sabe, tudo vê? Porque quer Ele saber e ouvir de nossa boca? Que mistério existe neste "descrever de nossos caminhos" então? É importante para quem e beneficia quem? O pecado é apenas fruto de alguém, dum monstro que existe dentro de nós: nós mesmos! Logo, para se poder chegar à fonte do pecado que jorrou para fora de nosso ser "lodo e lama", teremos de enfrentar a corrente mas em sentido contrário, seguindo para trás pelo caminho de onde saiu. O "lodo e lama" deixa rastro sendo fácil de seguir em sentido inverso, analisando profundamente nossos percursos e caminhos. Logo, entramos até ao ‘criador’ do pecado em nós, pois seguimos aquela pista, aquele rastro que deixou para trás. Assim, seguindo, chegamos à fonte e origem de toda aquela sujeira, o seu local do seu nascimento, de onde ainda nascem coisas estranhas, como lemos em Is.59:5: "Chocam ovos de basiliscos e tecem teias de aranha". É lá no ninho da aranha onde se quer chegar, para expor a imensa aranha das trevas na luz; seguindo a sua teia, chegamos lá; é lá, nos ovos, onde se acha o berço de todo o pecado, o autor do mal do mundo, da queda da humanidade.

Chegando ao coração do homem, logo se tem como transformar o mundo inteiro, pois desde logo será derramada aquela bênção especial de Deus - água viva que breve se transformará em "rios de água viva". Então, porque será assim tão importante confessar todos os nossos pecados e caminhos a Deus e aos homens contra quem nos elevamos, a quem defraudamos ou maltratamos? É obvio que se trata sempre duma questão da mais elementar justiça divina, pois se anteriormente nunca tivemos vergonha de planear ir dormir com a mulher do vizinho, porque havemos agora ter vergonha de restabelecer a nossa paz de espírito indo confessar o nosso mal à e com mulher com quem dormimos? Tem vergonha de fazer aquilo que está certo? Mas não teve ao fazer a coisa errada, ao infringir? Tem vergonha de estar a proceder correctamente e nunca a teve de pecar? Aplique aqui a regra de "Olho por olho e dente por dente" também.

Mas, para além disso, o pecado é como uma formiga que deixa um rasto, o qual podemos seguir em sentido inverso. Pecado deixa e proporciona marcas e trilhos desde a sua origem. É sabido que é assim que as formigas acham o seu caminho de volta para o ninho, deixando uma segregação por onde passam, visível para elas. Logo, assim será que devemos proceder para chegar àquela abelha-rainha, a mãe de todo o pecado, pois ela encontra-se dentro daquele ninho que tece coisas imundas, o qual tentamos desvendar e expor com a finalidade de chegar a toda a fonte do pecado em nós. Lembremo-nos, no entanto, que a confissão de pecado serve para nos deslocarmos e locomovermos para a sua origem e não para ficarmos a remoer a dor para nunca exterminarmos a sua fonte. É para chegarmos na origem do pecado e não para nos prendermos na sua dor. Assim, matando ao fio da espada através de Cristo quem germina o mal em nós, isto é, nós mesmos, podemos viver em total liberdade de espírito para que se ache paz duradoura com nosso Criador em nós, pois ressuscitaremos numa nova vida.

A confissão tem aquele poder estranho de, não apenas trazer pleno perdão, mas acima de tudo trazer a tal purificação total que permite sermos perdoados. A confissão integral, tem como expor tudo aquilo que origina as nossas obras más. Anulando a fonte, seguindo o caminho de volta, seguindo o rastro que deixou (pois o pecado deixa sempre rastro e rastreio visíveis para que se siga em seu encalço), chegando lá, à origem de todas as coisas, logo se anula pela exposição à luz tudo aquilo que fabrica imundícia e pecado sem fim, pois "os ímpios são como o mar agitado; pois não pode estar quieto e as suas águas lançam de si lama e lodo. Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus", Is.57:20-21. Mas até lá, "Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso (a oração) é para Mim abominação. (…) a convocação de assembleias... não posso suportar a iniquidade e o ajuntamento solene (os cultos)! Lavai-vos, purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos a maldade dos vossos actos; cessai de fazer o mal; aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva. Vinde, pois e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã", Is.1:13,16-18. "Se confessarmos nossos pecados Ele é fiel para nos PURIFICAR de toda a injustiça" em nós mesmos.

E você, quantos pecados já confessou? Descreva com precisão todos os seus caminhos ao Deus que perdoa quando alguém segue no encalço da origem de todo o mal. É assim que nos tornamos mais alvos que a neve, sendo purificados de origem pela confissão que chega ao fundo da questão – ao monstro qual vampiro que morre pela exposição à luz de Deus! Morrendo esse monstro, morre todo o pecado em nós.

Deus perdoa quando o assassino deixa de ser assassino pela conversão operada por Ele próprio, pois não confia noutra. E a conversão que Deus pede de nós, o tipo de conversão operada por Deus em nós, começa na exposição daquilo que somos, seguindo o trilho e o rastro que fizemos. Amem.

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José Mateus
zemateus@msn.com