OS MORTOS QUE NUNCA QUEREM VIVER E OS "VIVOS" QUE NUNCA QUEREM MORRER
"Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me; pois, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á", Mat.16:24,25

Muitos homens "seguem" Cristo por aquilo que Ele pode representar a nível doutrinário, sacrificial, monetário, sentimental ou eterno. Nada disto é seguir Cristo de facto, pois entre conhecer um certo mapa dum certo país e viver nesse mesmo país, existe sempre uma enorme diferença. Conhecer o mapa é distinto de conhecer o país. A planta duma casa no papel nunca é casa em si. Cristo também é o próprio verbo em pessoa – mas a Bíblia não é Cristo. Cristo é a Bíblia viva, em forma vivente e efervescente mesmo quando não se conhece a Bíblia escrita. Assim, também o conhecimento certo sobre as coisas certas não são mais que meras representações da verdade que desejamos que, acima de tudo, seja real e vivificante. A pior das coisas que pode ocorrer a uma pessoa dada à ilusão e à fantasia, será sempre agarrar-se a uma verdade de forma pressuposta, fantasmagórica e irreal. A forma prática de toda a verdade nada tem a ver com a sua forma formulada e concebida na imaginação do pensamento. Toda a ilusão é uma forma de egoísmo e a verdade de Deus tem tudo contra qualquer tipo de demonstração de egoísmo, seja este sentimental apenas ou prático.

Qual a doutrina a que se agarra sempre como base de segurança? Lemos que as pessoas até podem ter Cristo por ilusão na vida prática dos seus dias, mantendo sempre que são detentores de toda a verdade. Até pode ser verdade que tudo aquilo que pregam, de que dispõem a nível sentimental, a nível doutrinário, a nível de conhecimentos, seja verdade; mas daí a virar coisa real, funcional e prática para eles também, vai um grande passo – tão grande quanto será sair do mapa para o país real representado nesse mesmo mapa! Uma coisa não tem nada a haver com a outra! E, para viver num certo país, não necessito necessariamente de conhecer todos os seus contornos - necessito, isso sim, adaptar-me real e fisicamente aos seus costumes e meios de comunicação.

É muito fácil pregar a verdade. Mas, caso nos apoderemos de toda a verdade, quer saibamos de todas aquelas coisas certas, quer leiamos os livros doutrinários que, por maior conveniência, nos deixam e permitem auferir duma certa paz de consciência auto-concebida e pouco duradoura – algo que não tem como permanecer, como a palavra que é e pode ser também do Deus vivo – saibamos que Deus ainda é real, pois nunca mudou. Se existe algo de distinto entre si e sua experiência actual de tudo aquilo que Pedro e Paulo experimentaram, então serve um deus diferente! Será a partir dessa grande questão que Pedro usa – e bem – as palavras "e, chegando-vos para ele, pedra viva, (…) vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo", 1Ped.2:4,5. Paulo e Pedro também falam desse assunto assim: "e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas" e "Porque não seguimos fábulas engenhosas quando vos fizemos conhecer o poder do nosso Senhor Jesus Cristo", 2Tim.4:4; 2Ped.1:16. Deus é Emanuel – terá de ser. Fábula não é, não tem como ser!

Então, achamos pessoas que supostamente saem duma vida própria, entregando-se àquelas doutrinas que acham que são as mais certas – e muitas vezes são mesmo certas – sem nunca se aperceberem que é o mesmo monstro que se agarrou a uma certa tábua de salvação para que não tenha que morrer na cruz com Cristo de forma real, sendo ele próprio sacrificado sobre aquelas chamas do Espírito Santo vivas e vindas do altar do Calvário. O monstro que se dedicava à prostituição ou outras coisas, dedica-se agora à vida no templo, com o que aprende de Paulo, de Calvino ou de Lutero. E sabemos que o pecador é sempre muito mais dedicado à sua tábua de salvação que um crente alguma vez será no tocante à sua realidade, pois acha que é essa tábua de salvação que salvou o monstro que é! Do mesmo modo, Paulo afirma que essas contendas são próprias de pessoas que também se dizem ser de Cristo – para não serem de "nenhum homem" – são homens de dissensão também, tal qual os outros todos! Eles pregam tudo aquilo que os homens de Deus pregaram ou pregam ainda, apenas porque carecem, eles próprios, do Deus vivo e tanto desejam que Ele seja vivo quanto desejam poder viver em seus pecados! Quem lhes dera terem Deus para abençoar seus pecados e egoísmos! Lemos de Paulo, que "Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo; ou, Eu de Apolo; ou Eu sou de Cefas; ou, Eu de Cristo", 1Cor 1:12. Dizer que se é de Cristo nunca será o mesmo que sê-lo de facto. Quem o é vive uma realidade que se torna tão inconsciente e verdadeira quanto o seu respirar. Quem tem consciência que respira está enfermo e precisa ver como e quando respira! Quem realmente tem uma oração dentro de seu coração, ora sem quase se dar conta da oração para se dar conta de Deus a Quem formula seu pedido ardente.

Também podemos assumir que a pessoa que respira depois ou antes de sentir um certo aperto ou falta de ar, não discute quais as qualidades, as fórmulas do ar que respira – está, isso sim, consciente da lufada de vida que esse mesmo ar lhe faz e permite auferir.  Ele não discute o ar com os cientistas, não inspira para ver se o ar existe, qual a formula do ar, mas respira e dá graças pela vida que este o faz experimentar! Os homens da doutrina discutem a constituição do ar, da vida, quando as pessoas estão em sufoco de vida. É bonito saber qual a composição do ar, mas saibamos que o ar não existe para sabermos do que é composto. Saber do que ele é feito, não faz oxigénio penetrar em meu sangue para me manter em vida. Os homens da doutrina vivem uma vida satânica sem o saberem; por muito verdadeiras que essas doutrinas ainda possam ser, deixarão de ser reais pelo tipo de uso que fazem delas.

Assim, vemos que sempre há alguém disposto – e muitas vezes pré-disposto mesmo – a seguir Cristo e a crer nas doutrinas que acha certas, apenas porque não quer tomar sua cruz e morrer. Apegam-se as doutrinas para salvar a "própria vida" e não para "perdê-la" como Cristo afirmou que deveriam fazer. São estas as tais pessoas que dizem que não se pode ser perfeito, que perguntam sempre como se faria numa inquisição: "E tu és perfeito"? Tudo o que querem é levar em conta e proteger de forma indirecta, é o pecado deles – uma mochila de pronto-socorro para que não tenham porque morrer enquanto servem no templo sem conhecer o Senhor do Templo verdadeiramente. Qual é o homem de Deus ao qual você se agarra e defende como se fosse seu igual? Qual o que critica?

1Cor.13:1-3: "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse amor (e Deus é quem é amor, em nós), seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine. E ainda que tivesse o dom de profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria". Quer salvar sua vida? Perca-a!

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José Mateus
zemateus@msn.com