APODERANDO-NOS DAQUELA TRANQUILIDADE
"Os ímpios, diz o meu Deus, não têm paz", Is. 57:21

Nesta análise queria perverter um pouco os conceitos daquilo que se pensa ser a impiedade, admitindo desde já que ninguém pensará ser ele próprio a quem se refere esta palavra desconcertante. Desde já se avisa que o reconhecer da verdade não traz perdição, mas sim uma salvação real, pois no refugiar-se em mentiras de perdedor indignamente levianas no que pensa de si próprio faz perecer quem peca. Pecado exposto, na luz para que todos vejam, morre e se transforma em santidade – pecado na luz é santidade, “pois tudo o que se manifesta é luz”, Ef.5:13 não podendo ser mais classificado como trevas sendo manifesto. Qualquer um reconhece que é pecador e não se houvesse isto tornado numa linguagem comum, de soberba até, nada de mal haveria em afirmá-lo. Mas a perversão humana até usa as verdades e as veredas da justiça para conceber vaidades. Diga a quem rouba que ele é pecador e verá que terá uma reacção (ensoberbecendo-se até por estar a reconhecê-lo!) totalmente diferente daquela que terá quando se lhe disser que é ladrão.

É importantíssimo saber e levar em conta que a única dádiva de qualquer oração, para além duma resposta concreta, será a paz com que somos premiados quando esta é eficaz no seu propósito e no seu alcance. Sem paz não haverá Deus em nós, podendo dar-se o caso muito raro de até ter havido resposta. Mas quero aqui referenciar que existem tipos de paz que diferem bastante uns dos outros, no que toca a tranquilidade espiritual. Existe a falta de paz natural de quem peca ou pecou. Existirão também e tão só aquelas ocasiões quando queremos alcançar o nosso Deus com um qualquer pedido ou angustia e que não consegue obter qualquer resposta d’Ele por uma qualquer razão que desconhecemos e que nunca será a infantil ausência de paz pelo pecado estar presente. Seja uma ou mesmo a outra, nunca deveremos abandonar os nossos postos de vigília a menos que hajamos alcançado tudo porque nos decidimos envolver com Deus naqueles momentos: não só a resposta mas a paz de Quem responde: “a Minha paz vos dou”.

Mesmo que Deus já haja respondido aos nossos pedidos e nos haja feito saber que o fez, como o fez a Jacob (pois obteve resposta antes de esta se vir a concretizar no terreno real) Gen.32:26, não larguemos a Sua aba enquanto não tivermos a nossa paz de espírito plenamente restabelecida sob pena de nos tornarmos assim um alvo fácil para Satanás com as suas injúrias para a dúvida leviana e preconceituosa enquanto esperamos por uma concretização duma resposta já dada. Tais pecados não terão nunca razão de ser e será por essa razão que devemos grudar a Ele até sermos abençoados não só com a resposta mas com a paz da mesma. Vamos por partes então.

As pessoas que estão em paz com Deus também têm as suas angústias. Mas ao contrário das que não trazem nos seus corações aquele selo de paz e tranquilidade intima sem igual, bastante real e muito marcante para quem a experimenta ou presencia noutros, trazem uma dose de angustia precisamente porque sabem que Deus pode restabelecer o seu normal estado do seu espírito harmonioso com aquela Sua presença inconfundível em Espírito no mais profundo intimo de qualquer ser humano (para além da resposta, pois sabemos que Deus disse a Moisés que o ouvira mas que não seguiria com eles mais, isto é, Moisés obteve a resposta que queria mas sem a presença de Deus estar assegurada).

Ora, sabendo que podem alcançar Deus com qualquer coisa que lhes possa ir no coração, angustiar-se-ão os tais mais do que o normal quando não recebem qualquer resposta ou sinal de cima. Mas sentir-se-ão mais angustiados caso Deus não esteja nessa resposta de viva presença, juntando Ele connosco também. Não será fácil aceitar que Deus nos não atenda ou entenda quando sabemos da sua real existência em amor eternamente profundo e devedor para com bons e maus. Mas o pior de todas as coisas será que ao sentimos aquele Omnipotente por perto, não conseguirmos sequer que Ele nos esteja a dar ouvidos naquilo que lhe pedimos, havendo promessas concretas que contrariam tal estado de coisas em nós mesmos. Veja-se como se sentiram aqueles cegos em Jericó e como eles não aceitaram os conselhos de ninguém para se calarem, sendo tidos como inoportunos e descabidos por outras pessoas Mat.20:29-34. Veja-se também o que diz Cristo em Lucas 18:1-8. Mas – e depois de sermos atendidos? A leviandade precoce levar-nos-á, sem sombra de dúvida, a uma aceitação extemporânea de que Deus assume de forma arbitrária e contra-procedente o controle das coisas que nos dizem respeito. Mas não será assim tão linear, pois mesmo depois de dar resposta aos nossos pedidos (coisa que nunca é extemporânea e muito menos leviana!), será muitas vezes necessário, depois de pedir uma intervenção Sua que assegure uma já dada resposta àquilo que pedimos, alcançarmos também aquela bênção de tranquilidade e paz as quais farão sempre parte daquele pacote de bênçãos gémeas (mas nascidas em tempos de intervenções distintas), enquanto a visão oficial da resposta ainda não se desenrole diante de nós. A Vida apenas começou quando tropeçamos em Cristo, por essa razão, se não lhe largamos a ilharga como daquela primeira vez que O buscamos e encontramos e fomos atendidos, porque razão haveríamos de nos assemelhar com aqueles Israelitas que depois de haverem passado o Mar Vermelho sem saber como, puseram infamemente a questão “está o Senhor no meio de nós ou não?” Ex.17:7.

Não será demais realçar a importância de que não deverá nunca ser por causa de pecados e pecadinhos que diante de Deus serão montanhas intransponíveis do ponto de vista da Sua Justiça (mesmo que não seja do ponto de vista da nossa própria), que nos devam tirar qualquer pedacinho de Paz a que temos direito por estarmos já reconciliados com Deus ou não. Já assumi que não teremos pecados por confessar em nossas vidas, sejam estes muito anteriores ao tempo presente ou não, todos de quantos nos pudermos recordar e de restituir tudo que roubamos aos seus antigos donos até. Também não teremos pecados e injúrias actuais e presentes mágoas contra Deus, tendo-O como mau (e nós talvez não), pois “o que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” Prov.28:13.

É por essa razão necessário antes e acima de tudo concordar com Deus com as coisas que Ele tem como preciosas e como más, pois a Sua visão acertada de qualquer coisa pode não coincidir com aquelas que temos como nossa, como sempre certa até que se nos abram os olhos da nossa cegueira imoral e injusta até para connosco mesmo. Por isso fala a Bíblia em “sermos reconciliados com a vontade de Deus (no fundo com o próprio Deus!)” Sem esta reconciliação nunca poderá haver qualquer entendimento entre Alguém que por natureza tem a vista bem mais vasta que nós e que pode apagar todos os nossos pecados pela luz e quem se apega ás suas próprias incoerências do ponto de vista de Sião e arredores. Concordando com Deus sobre as questões que por vezes só Ele vê como certas ou erradas, podemos confessá-las ou aceitá-las como questões de vida ou morte, tal qual são de facto.

Partindo pois do princípio assumido, sem qualquer negligencia da nossa parte, de que não mantemos conscientemente em trevas nada por confessar e por pedir perdão a Deus ou a outras pessoas, podemos então passar a analisar esta ‘falsa’ questão que será a falta de paz quando temos plena consciência de que estamos bem com Deus!  Se nos falta a paz por coisas concretas e nunca por coisas sem nexo importante, temos por obrigação deixar tudo aquilo que estamos a fazer e buscar Deus para que Ele fale também de Sua Justiça, sob pena de estarmos em desobediência por não querermos ir ouvir “o que Espírito diz ás igrejas”. Qualquer falta de paz deve-nos levar a buscar Deus em vez de nos tornarmos presunçosos de que ‘Deus está sobre controlo de tudo’ e de que somos filhos de Deus e por isso nada demais nos poderá surpreender e coisas que mais! Uma coisa é certa: quem não vigia e não ora por consequência directa dessa vigia, cai e nunca sabe porquê! Se estivermos em falta de paz quando limpos, devemos buscar Deus tal qual faríamos se estivéssemos ainda em pecado grosseiro, ou buscaremos Deus apenas por nós?

A presunção sempre foi o pior aliado do homem e não apenas por lhe ser companhia vulgar, frequente e assídua deveras, pois permite a este assumir-se sempre como o melhor (mesmo que seja o maior vilão) e, como a falsa igreja em Apoc. 18:7, sempre “diz em seu coração: estou assentada como rainha e não sou viúva e não verei pranto”; a quem Deus responde “portanto num só dia virão as suas pragas, a morte, o pranto e a fome e será queimada no fogo”. O caminho mais fácil para quem está angustiado ou pressentindo que algo se passa para além do seu campo visual, será ir jogar um futebol ou distrair-se com um qualquer programa de televisão quando Jesus está precisamente à porta e bate! E para Jesus nos bater à porta, basta sermos crentes já. Quando é que vamos começar a dar atenção à voz de Deus? Não diz Deus em época de Novo testamento sobre Cristo: “guarda-te diante d’Ele e ouve a sua voz e não o provoques à ira, porque não perdoará vossa rebelião; porque o meu nome está n’Ele. Mas se diligentemente ouvires a Sua voz e fizeres tudo o que Eu disser, então serei inimigo dos teus inimigos e adversário dos teus adversários”, Ex.15:26; 23:20-22.

Logo, se estivermos com um peso no coração que vem de Deus, nunca nos devemos refugiar na inutilidade e na distracção a ver, pois, se passa tal coisa de nós. Mas pode ser que algo em forma de Espírito de oração, sendo o Espírito a interceder em nós, por nós diante do trono de toda a graça, o qual ignoramos pelo peso do Senhor nos ser desagradável de suportar. Pois, se os ímpios nunca terão como e porque alcançar essa paz, logo o crente que vê Deus por estar limpo diante dele Mat.5:8, tem como e porque alcança a Sua paz, não porque confessa, (pois foi aos discípulos que foi prometido), mas porque intercede e não se torna leviano ao ponto de ignorar o peso Deus em si, a vontade suprema manifesta através de tal coisa estranha a ser humano, isto é, de estar precisamente guiado em oração também. Que se saiba que será isto precisamente o que significa orar no Espírito. Este é o peso que os profetas de antigamente diziam estar sobre eles e o qual diziam ser “Peso do Senhor”. Alcance sua própria paz mesmo estando fora do pecado. Nunca entristeça o Espírito Santo e nunca despreze uma profecia em si. Se é pecado os outros ignorarem algo que Deus lhe manifesta, imagine para si mesmo – o próprio.

Voltar para Index de Meus Livros

José Mateus
zemateus@msn.com