OS MOTIVOS NA ORAÇÃO
"Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da Tua verdadequot;, Sal.115:1

Muitas das orações que são oferecidas, por muito bem elaboradas e sentidas que se tornem, por mais bíblicas que sejam, por muito que toquem quem as observa e ouve serem oferecidas, nunca alcançam que as pode responder por causa dos seus motivos. É de realçar a todos os crentes que o alvo de suas orações é Deus, não quem os possa ouvir ou apoiar ou corroborar nelas, não seu estímulo de soberba em palavras bem usadas e devidamente usadas. Se uma oração diluir toda uma congregação entre lágrimas e no entanto não alcançar Deus, se esta estiver composta de grande simplicidade e de eloquência mesmo e por Deus não chegar a ser ouvida, de que valeu ter sido oferecida e porque perdi meu tempo então?

Logo, existe esta possibilidade clara que impede qualquer oração da pessoa mais santa enquanto que a pessoa mais ímpia pode mesmo chegar a ser ouvida condicionalmente, mesmo sem palavras, quando seus motivos estão certos e seu coração pretende apenas que Deus se glorifique em sua vida de facto. É aqui que esbarra muita oração, onde se ficam pela peneira e são lançadas no lixo sem dó. É verdade que até nisto se pode dizer, como Jesus disse aos crentes, que "Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus", Mat 21:31.

O que traz glória a Deus? Uma vida ímpia nunca pode trazer glória a Deus; uma oração por responder muito menos. Mas, Deus tem muitas maneiras de glorificar Seu nome, pois, se uma oração não for ouvida porque a pessoa vive duma coisa e fala doutra, Deus trata de fazer entender que opta de preferência para a humilhação de quem ora, acima da devida resposta. Um motivo errado é pecado e coisa difícil de tolerar pelas leis dos céus, pois é assim que os gentios pedem também. E Cristo disse, "não vos assemelheis a eles".

Logo, quando alguém ora porque se encontra enfermo, quando alguém pede apenas porque tem problemas nunca levando em conta tanto a vontade, como o que pode glorificar Deus numa resposta, caso sua oração seja ouvida, será apenas para contribuir para o próprio engano e perdição de quem ora estando em pecado grosseiro ainda. Ou essa oração foi atendida pelo diabo em nome de Jesus, por Ele próprio não a haver atendido, ou foi atendida porque os pés de tal pedinte estão a ser colocados em lugares escorregadios de perdição. Não será serão apenas aos ricos que ocorre tudo o que nos relata o Salmo 73, mas, também aos hipócritas, os quais nunca levam em conta que a pessoa mais importante em todo o universo é Deus. Se a riqueza funciona com um ímpio, para que nunca se converta, também assim será com uma concretização dum pedido a quem nunca se considera hipócrita, sendo-o de facto. Nada pior pode acontecer a um hipócrita que sair com respostas em sua vida de oração, caso permaneça sendo hipócrita. Algo de muito errado se passa em tal vida. O que o dinheiro faz a um avarento, assim fará uma resposta à oração a um hipócrita que recebe o que pede em nome de Deus.

Nunca ninguém foi chamado a amar sua vida ou a de seu próximo de todo coração, mas a de Deus sim, a Ele de toda a alma e de todo coração. Sua honra tem de brilhar acima de qualquer suspeita, acima de qualquer desejo, muito acima de qualquer oração. Nunca serão os louvores que se cantam em sintonia maravilhosa que trazem glórias a Deus, mas os lábios purificados de quem os entoa. Deus será das únicas pessoas que não escutam a melodia, mas sim os lábios de quem os entoa, se o coração está limpo ou não. Muitas vezes, para que a glória de Deus resplandeça dentro duma igreja, os crentes precisam ser humilhados diante de todo mundo, diante de quem vê e observa que suas orações nunca são ouvidas. Mas, é de realçar que apenas os crentes serão os últimos a observar que suas próprias orações nem sequer alcançaram o tecto de sua igreja, quanto mais os céus! Eles temem investigar se obtiveram respostas, pois acham que é falta de fé fazê-lo! M nunca será pela ênfase que passarão a ser ouvidos para além de seus tectos de pecado, muito menos por uma "fé" emotiva e condicionada ao sentimentalismo e ao mundo das lágrimas. Se fossem as lágrimas que comovessem Deus, se fossem as súplicas e os clamores, logo o inferno estaria à frente da fila do atendimento! Mas sabemos que quem vê a face de Deus, esse será atendido. Pode qualquer um dos meus leitores ser atendido por alguém que não vê, nem está ao alcance da sua voz por acaso? Lemos que são "bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus".

Mas estando um coração limpo - pois assumo que não existe mais um pecado entre si e Deus, nem de seu passado, nem de todo seu presente por confessar ainda nem a Deus nem aos homens, muito menos por deixar e parar com ele! - tem porque falar com Deus sem gritarias. As pessoas gritam e clamam porque não crêem e não porque crêem. Qualquer ser humano que esteja diante de Deus nunca terá razões para descrer. Muitas vezes, porque descrêem se tornam efusivas, emotivas, barulhentas e cantantes! Todo o ladrão nunca entra pela porta duma casa, mas salta por cima do muro. Não será essa fé que nos trará uma resposta de Deus, seguramente. A Bíblia fala-nos duma fé não fingida, real, a qual é sempre uma prova real e concisa de tudo aquilo que não se chega a ver até Deus o haver entregue pessoalmente.

Mas, estando uma pessoa pronta a ser ouvida, limpa e colmatada, formada pelo sangue precioso de Jesus, estando suas vestes devidamente lavadas e brancas como a neve, restará então falar dos seus motivos quando ora. A fé em tal pessoa deve ser algo natural - muitas vezes tão natural que até lhe passa por despercebida - pois está e encontra-se na presença de Deus. Muitas vezes nos admiramos com a fé de Elias, o qual orou e em nenhuma das seis vezes sem resposta à vista ele desfaleceu em sua certeza que Deus lhe daria a chuva que prometera. Mas porque cria ele assim, desse jeito, contra todas as evidências? É que nos esquecemos que ele dizia, sem mentir, "Deus em cuja presença estou"! Mas seria triste de se ver que, depois de tanta coisa que fez e pelas quais passara até ali, suas orações pudessem ser impedidas porque temia Jezabel, ou porque temia ficar mal visto diante de quem se pronunciou sobre a vinda da chuva, ou porque era o Elias que via Deus. Ele orou em nome de Deus, dando glória a Deus - por isso foi ouvido depois de orar e ser provado, não cessando nem desistindo de sua oração até ver uma resposta em forma de mão de homem subindo do lado do mar.

Pode você perder a sua vida a esse ponto de lhe restar apenas dar glória a Deus em tudo quanto faz? Pode Deus dar-se ao luxo de atender sua oração quando sua voz se faz ouvir?

Pouca gente toma nota que nenhum homem glorificará Deus num inferno de lamúrias e lamentos; poucos oram a Deus porque a glória de Deus possa estar em causa quando alguém se perde, ou se encontra prestes a cair e ser dilacerado pelas chamas dum inferno sem fim à vista. "Pois na morte não há lembrança de Ti; no Seol quem Te louvará?" Sal.6:5. Logo, as pessoas se congratulam e se acham boas quando oram por aparentemente sentirem pena de quem se perde, fazendo que crêem que se perdem os ímpios à sua volta, mas nunca crerão de facto até que essa fé lhes seja real devido ao facto de levarem em linha de conta que todo pecador tem de ser salvo para dar glória a Deus! O Pecador merece o inferno e ter pena dele é estar contra Deus - Deus é que não merece que este se perca para sempre, havendo sido criado com tanto carinho. É Deus quem merece a salvação dos crentes. Muitos falam do versículo em João 3:16, mas na sua grande maioria esquecem-se que lá diz que PORQUE Deus amou o mundo de tal maneira! E se todo aquele que crê nunca se deve perder, será apenas porque Deus amou o mundo e a ele de tal maneira que não deseja que, crendo, se perca ainda. Isso nunca trará glória a Deus, mas ao diabo que quer fazer crer que o evangelho nunca resulta.

Temos o pólo de toda a impiedade e temos o extremo de toda a justiça, de todo bem na Terra. Logo, o que pode glorificar Satanás e seu reino mais do que um crente que sai de seu rebanho e de preferência de sua vontade? Se num exército sua honra é vencer uma certa batalha, muito maior glória se trará a esse mesmo exército caso seus inimigos abandonem suas fileiras para se poderem juntar a ele. Um inimigo saindo de seu posto, não apenas para abandoná-lo, mas acima de tudo para mudar de lado e ir dali em diante lutar a favor de quem se lhe opunha anteriormente e contra quem foi dos seus até então, eleva muito mais todo o moral tanto de quem comanda, como de quem luta e se desgasta pela causa de quem agora alberga seus inimigos como amigos no seu seio. Assim, é de realçar que maior glória para Deus não existirá que salvar quem se havia perdido.

Logo, se um Paulo que perseguia o exército de Deus se volta contra quem o inspirava e comandava, mudando todo o mundo à sua volta pela causa que antes perseguia e exterminava sem motivos de maior, isso trará absoluta glória a um Deus repentinamente magoado e injuriado por uma certa serpente enroscada na árvore do conhecimento do bem e do mal, incitando a usar a única maneira de se separar alguém do amor de Deus: pecando.

Não vou aqui enumerar outras coisas que podem e têm seguramente como impedir as orações de quem ora, mesmo lendo que se diz a alto e bom som que uma pequena desavença em casa pode impedir um reavivamento num país inteiro. Lemos que, "Igualmente vós, maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais frágil e como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas orações", 1Ped 3:7. Aqui não especifica qual o tipo de oração que este "pequeno" pecado impede, por essa razão assumimos que serão todas - mesmo as que possam vir a ser oferecidas para glória de Deus. Quero aqui e agora apenas dar todo ênfase à questão que, assim que um pecador se limpa traz glória infinita a Deus e assim que deixa de se converter, mina e danifica grandemente essa mesma glória que Lhe é devida desde a criação. Por isso lemos que Deus reclama de quem é aparentemente crente e limpo, dizendo: "O filho honra o pai e o servo ao seu amo; se Eu, pois, sou Pai, onde está a minha honra? E se Eu sou amo, onde está o temor de Mim? Diz o Senhor dos exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o Meu nome. E vós dizeis: Em que temos nós desprezado o Teu nome? Dizeis também: Eis aqui, que canseira! E o lançastes ao desprezo, diz o Senhor dos exércitos; e tendes trazido o que foi roubado e o coxo e o doente; assim trazeis a oferta. Aceitaria Eu isso de vossa mão? Diz o Senhor. Mas seja maldito o enganador que, tendo animal macho no seu rebanho, o vota e sacrifica ao Senhor o que tem mácula; porque Eu sou grande Rei, diz o Senhor dos exércitos e o Meu nome é temível entre as nações. Mas desde o nascente do sol até o poente é grande entre as nações o Meu nome; e em todo lugar se oferece ao Meu nome incenso e uma oblação pura; porque o Meu nome é grande entre as nações, diz o Senhor dos exércitos". Mal 1:6,13,14,11. Deus fala mais adiante que dificilmente se distingue um ímpio dum filho de Deus nestas circunstancias adversas, onde todos usam as mesmas palavras para orarem - só que uns falam e são ouvidos, enquanto outros apenas falam. Mas Deus promete que virá o dia em que "Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que o não serve", Mal 3:18.

Da próxima vez que estiver orando, pedindo, suplicando, veja se seus motivos são puros, devidamente férteis em tudo quanto pede. É você quem necessita ser atendido ou é o Deus de sua vida? Que se diga em sua igreja, em todo seu lar "Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao Teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da Tua verdade", Sal.115:1. Mas que suas palavras sejam verdadeiras.

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José Mateus
zemateus@msn.com