ORAR SEM CESSAR
"Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca desfalecer"
"Se enfraqueces no dia da angústia, a tua força é pequena"
"Orai sem cessar", Luc.18:1; Prov.24:10; 1Tes. 5:17

RESUMO:

  1. Quem desiste é frouxo

  2. Quem desiste é chantagista

  3. Quem chantageia busca o próprio interesse e não tem como achar, pois os seus motivos estão errados Prov. 18:1 Aquele que vive isolado busca seu próprio desejo; insurge-se contra a verdadeira sabedoria.

  4. Daí que quem desiste resiste. Pois, "o caminho dos prevaricadores é áspero" Prov. 13:15

  5. A persistência pode ser uma forma de pressionar Deus àquilo que ele nunca se submeterá.

Orar sem cessar - o que é isto?

A palavra sem cessar deve ser bem entendida. Ela quer dizer sem desistir, sem parar a meio, sem morrer na praia depois de nadar tanto na parte mais perigosa do nosso percurso das águas profundas da oração. Orar sem cessar não pode significar orar repetitivamente, pois isso contradiz o resto das Escrituras. "Orar sempre", sim, mas acima de tudo "nunca desfalecer". E orar sempre não é repetir-se - é não repetir-se sobre coisas respondidas e depois continuar a orar por outras coisas que também são a vontade de Deus; mas, até lá, não desistir sem resposta, seja sim ou não, é orar sem cessar. (Jesus diz que quem se repete é hipócrita. Ora vejamos porque afirma Ele isso, pois aos olhos dos crentes, os tais hipócritas são sempre tidos como "heróis da oração"! Acham que orar sem cessar é ser como os gentios e hipócritas que acham que serão ouvidos por muito falarem e por falarem sobre as mesmas coisas muitas vezes nas suas reuniões de oração, isto é, nas reunióes de seu tipo de orações. Por isso competem para poderem orar, tropeçando uns nos outros em vez de se inspirarem uns nos outros. Todos querem inspirar em vez de serem inspirados e acham que repetir e chorar repetindo é que se inspira e exorta. Tolos, não sabem o que fazem! Crucificam continuadamente um Cristo Vivo que talvez até já tenha respondido a alguns dos seus muitos pedidos, uma e outra vez ou enquanto continuam falando sobre o seu assunto que é motivado e colocado na incredulidade. Essa é a confiança que têm em Deus, essa é a capacidade de se ouvir a voz de Deus em resposta!) Orar quando já se foi ouvido, é pecado grosseiro e tem a capacidade de anular a resposta. Parar sem resposta, por presunção de fé falsamente assumida ou por negligência também é pecado.

Orar sem cessar quer dizer orar sem nunca desistir, nem no meio, nem no início quando tudo é mais estranho e difícil, nem no fim quando nos parece que nos vão faltar as forças e o ânimo. 1.Porque desistem então as pessoas duma coisa na oração, muitas vezes até de orar por qualquer outra coisa importante e simples? 2.Quais os motivos que levam Deus a tardar com muitas respostas, de tal forma que muitos crentes sucumbem na espera? 3.E porque razão, com outros, nem sabem o que é esperar, pois tão rápida é a resposta da parte de Deus? 4.Porque diz Deus que só aqueles que esperam voarão como águias, planando no ar sem nada abaixo para nada terem com que se cansar?

Não vamos falar aqui abertamente daqueles que desistem por incredulidade porque não vêm mais que um simples palmo à frente daquilo que pensam e imaginam. Também não vamos falar dos negligentes vagabundos dos seus próprios pensamentos e preocupações e atritos - os tais espinhos que sempre tornam qualquer palavra de Deus eternamente infrutífera. Também não vamos falar diretamente daqueles que se ocupam tanto com as coisas de Deus sem Deus, pois já se desviaram ou então aprendem com os desviados, ainda, não estando nos seus horizontes mais próximos o arrependimento porque têm lá amigos e familiares no mesmo barco do engano! Vamos falar daqueles que são no mínimo responsáveis e que lutam com Deus da maneira certa, sozinhos ou acompanhados sem se darem conta de estarem sozinhos ou acompanhados quando estão, desde que estejam em Deus com Deus tanto lhes faz que alguém os acompanhe ou não, mas que no entanto desistem antes da bênção por incoerência, por assistência e ajuda diabólica na oração, ou influências sedutoras que levam a uma qualquer forma de desistência! Qualquer santo sabe que se o diabo não mais pode impedir, ele ainda pode ajudar a fazer aquilo que o crente faz, ou não fosse ele o principal anjo da luz nas trevas!

Para haver uma desistência terá necessariamente de haver uma luta: alguém luta com Alguém. Quem não luta, nunca correrá o risco de desistir e nem correrá o risco de vir a ser abençoado por ser responsável e fiel em tudo. Quem luta com ou contra Deus, se não lutar, corre aquele risco perigoso de ser fingido e mascarado de submissão, parecendo submisso, mas sendo altivo como Paulo diz em Col.2:23, "(...) têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida e severidade para com o corpo, mas não têm valor (...)". Mais, quem não luta apenas porque quer parecer submisso, é precisamente um daqueles que irá desistir do caminho se vier a entrar na luta, pois não se submete a Deus - por essa razão nunca luta. Quem luta até ao fim, é quem sabe submeter-se a Deus, para sempre até, pois quem o faz uma vez ou mais tem por certo como o fazer constante e permanentemente! Quem não luta é altivo e quer parecer que não o é, por isso desiste antes ainda de começar, com a pretensão hipócrita de estar a ser submisso por não estar a "opor-se" a Deus. Para além de ter a idéia errada de submissão, tem o conhecimento errado sobre o que é a oração em sua essência mais fiel.

Quem desiste de uma Boa luta, perde a oportunidade única de se vir a submeter totalmente, um dia, à vontade e ao jeito do ser incrível que é Deus. Cada oração é um pequeno passo nessa influência subtil e sábia concedida e alinhavada por Ele, para que tenhamos porque nos submetermos voluntariamente ainda, nesse convite mascarado e puro à submissão real e realista e ao completo desterro de tudo aquilo que pode ser rebelde e ultrajante em nós contra Ele. Quem luta, como Jacó, Gen.32:24-30, acaba prevalecendo sempre porque acaba por se submeter também a outras coisas ou apenas a essa que de Deus pede com aquele fervor de quem acha que Deus é fiel e galardoador de quem assim O busca, de todo o coração, isto é, submete-se a Quem não se submete mas também nunca condena quem a Ele vem parecendo insubmisso sendo submisso, insubmisso mas com a finalidade de vir poder a submeter sem qualquer fingimento e que seja de que forma for: antes salva e transforma para que tal ser não apenas receba aquilo que pede a Deus, mas possa também vir a herdar a promessa da resposta junto com a resposta, aquilo que de Deus pedia sem cessar junto com aquilo que não queria mas que Deus pede, isto é, sem nunca e em momento algum pensar sequer em desistir apenas porque Deus não tem cara de quem cederá a alguma coisa! Quem luta com Deus acaba recebendo tanto aquilo que pediu como aquilo que não pediu sequer! Quem nunca finge a insubordinação diante de Deus e assume-a como tal perante e mediante Ele mesmo, nunca fingirá a submissão quando Deus haver terminado Sua obra em tal pessoa e ser. Toda pessoa que é o que é diante de Deus, persistirá em ser o que é quando Deus a houver transformado também, isto sob cooperação e conivência.

Como Deus nunca cede, os humanos têm-No como teriam um qualquer ser humano que tem motivos de sobra para ser egoísta. Mas Ele não é egoísta, mas usa sim aquele tempo de luta para quebrar quem é obstinado, para assim, depois de quebrar e submeter o pecador pedinte à Sua vontade libertadora, poder dar aquilo que tal ser pede ou pedia juntamente com o que nunca pediria por desconhecimento vagabundo, pois a ignorância é pecado e conseqüência de pecado e leviandade promíscua que atrai quem cede a ela. Deus usa o pedido para transfigurar o pedinte e atender ao pedido também, pois, pedindo se aproxima dum Deus transformador. Que nunca se pense, no entanto, que o pedido é o objeto primordial e principal da oração, pois não é - nem mesmo quando a pessoa o tem como tal e deus atende mesmo assim. Existe um processo paralelo a que Deus se entrega enquanto o pecador se entrega a outro de pedir de Deus, que é a santificação de quem pede. Deus usa qualquer tempo de oração para extinguir qualquer forma de egoísmo e de motivos que não O glorificam, mesmo quando tais motivos nada tenham a ver com o motivo daquela oração persistente; o pedinte usa o tempo de oração para alcançar de Deus tudo, mas tudo, aquilo que pede. Se desistir de uma pequena coisa, é um desistente. Que persista até ao fim e não desista, pois pode e tem como sair-se salvo de qualquer forma de egoísmo que ainda reste no subconsciente do pecador, nas trevas daquilo que ainda ignora, ostensivamente ou mesmo não. O pedinte apenas tem permissão de desistir logo, o mais rápido possível de qualquer forma de egoísmo, mascarado ou aberto.

Ana queria um filho porque era vituperada e ultrajada por ser estéril e, para além disso, desejava ser mãe. Humanamente falando nada de errado existiria em tal desejo. Mas, na verdade, estava saturado de egoísmos demais para alguém que ia sacrificar no templo de Deus. Ela, vendo que alcançaria seu pedido de Deus, mudou seu coração, seus motivos, resolvendo entregar tal filho a Deus mesmo antes de haver sido tornada fértil. Ela mudou seu coração e não seu pedido. O Evangelho consiste na mudança de coração, para fazermos por Deus aquilo que faríamos por nós. "Olho por olho e dente por dente" é a lei de Deus neste aspecto também.

Porque usa Deus este estratagema para conseguir aquilo que pretende apenas? E, o que Ele quer é o principal sempre. Apenas porque todo e qualquer pecador não quer ser santificado, a menos que isso seja aquilo que ele mais quer e deseja. Mas, santificação é o único desejo do justo. Quem não desiste, é justo por essa razão mesmo. Quem desiste é ímpio e não terá mais paz dali em diante. "Mas os ímpios são como o mar agitado; pois não pode estar quieto e as suas águas lançam de si lama e lodo. Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus", Is.57:20,21.

Quem desiste ofende Deus ou perde a bênção que não vê e nem pedia. Deus apenas retém porque precisa reter temporariamente ou não. O pecaminoso que trasngride a Lei, obriga Deus a fazer aquilo que não quer ter de fazer. Quem desiste recusa arranjar-se com Deus no principal (naquilo que não estará a pedir e que Deus precisa dar juntamente com qualquer resposta, para bem de quem pede!) e passa então a achar que Deus não o ama, não o quer ou que não existe sequer para o querer. Tudo começa, então, por se transformar numa lamúria em forma de chantagem apelando ao amor de Deus para ceder aos egoísmos da pessoa. Já vi crentes chegarem ao ponto de ameaçarem voltar para o mundo porque Deus lhes tira algo ou não lhes permite - ainda - o seu pedido. Desistir é conveniente para o pecador, pois será tão só uma forma de fugir com a sua nádega à seringa de Deus para continuar a manter um qualquer pecado que ama, mas que também tem como impedir a resposta àquela oração, querendo assim servir de abominação vingativa na face de quem odeia o pecado, pecado esse que Deus vê e examina com amor naquele tempo de oração. O silêncio de Deus é, por si só, uma resposta clara de Quem tem por natureza responder sempre bem e oportunamente. Deus ouve o justo e não o pedido; e Deus ouve a injustiça clamar por uma transformação acima do pedido que se faz mediante palavras de necessidade que se ouvem. Repito, esse pecado que Deus extermina durante aquele tempo de espera em oração que se quer viva, nem sempre estará relacionado com o pedido em questão, pois lemos, por exemplo, em 1Ped. 3:7, "Igualmente vós, maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais frágil e como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas orações"; também, "honra a teu pai e tua mãe para que te vá bem na terra".

Aquela persistência de qualquer pecador em alcançar algo de Deus, vira teimosia quando tal ser não desiste do seu pecado e quer a qualquer custo que Deus mesmo assim lhe conceda as coisas, passando por cima daquelas coisas que estão dentro da vontade d'Ele para a pessoa em questão: "Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação", 1Tes.4:3; mas, recusando-se a limpar a área da sua vida que faz Deus virar a cara a qualquer tipo de oração e pedido, o pecador não só não alcança tudo o que pode alcançar de Deus para ele próprio, como perde tudo aquilo que até ali ganhou pela fé, incluído a sua própria Vida em seu interior. Imagine-se, então, o tamanho do erro de quem nem distingue uma coisa da outra por se haver entregue a erros doutrinários, tais como os pecados haverem sido lavados quando se batizou, deixando de levar em conta textos tão fundamentais na oração, como "examine-se o homem" (qual homem, senão aquele que toma já a santa ceia e que foi batizado!) e também "Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. Portanto, vede diligentemente como andais, não como néscios, mas como sábios", Ef.5:15,17; e " se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados", 1Co 11:31. "Mas todas estas coisas, sendo condenadas, se manifestam pela luz, pois tudo o que se manifesta é luz", Ef.5:13. Você já manifestou todos os seus pecados um a um individualmente às pessoas e a Deus? Tudo é mesmo luz em si e dentro de si? Ora veja outra vez, a ver se não se está enganado a si mesmo. "E bem-aventurado será o homem que não se condena naquilo que aprova".

Não pode esperar que Deus responda a um pedido seu quando fuma, bebe, olha para a mulher do vizinho com olhos que focam automaticamente como as lentes modernas fariam para lugares específicos do corpo de alguém, ou quando fala mal de alguém amigo ou inimigo - há que se submeter à razão! O que conta é o que Deus quer, concorde com Ele ou não. Se não aceita as Suas condições, seja então honesto e vá pedir a outro ou consiga através de seus meios. Quando perder sua vida não poderá culpar Deus disso também.

E será que Deus é justo ao impedir a resposta a uma qualquer oração por motivos que muitas vezes nem se relacionam com a oração em questão? Claro que é Justo, continua sendo, pois de que outra forma chegaria a um coração egoísta e endurecido na verdade e na oração persistente para o transformar? As esposas não conquistam seus maridos através da maneira como cozinham?

A oração de quem está em pecado, visível ou não, ou amolece ou endurece - nunca ninguém permanece igual depois de orar certo, pois, ou fica mais duro ou amolecido. Nunca tente ver o que está mal com a oração, a menos que tenha mal de fato, mas sim aquilo que está mal com quem ora, consigo, pecador! É apenas você quem impede a sua própria oração, não a oração em si! Quem desiste será apenas porque não cede no pedido silencioso que Deus faz sobre seu pecado e usa essa desistência como forma de chantagem para que seja Deus a ceder a um ímpio de ímpias intenções, como que por pena do "pobre" pecador que se vai perder porque desistiu! Nunca nos esqueçamos que a oração nunca é um jogo de namorados, a menos que vejamos as coisas do lado de Deus. E se Deus não quer que este se perca, que ceda no que Deus lhe pede calado em Seu silêncio! Como Deus não cede, antes vira a cara a quem desiste: "o justo viverá da fé; e se ele recuar, a Minha alma não terá prazer nele", Heb.10:38; haverá muita gente no inferno ainda fazendo chantagem a Quem já nem os ouve mais - nunca mais! Quem desiste, ama-se a si próprio contra Deus e usa a própria alma como instrumento de chantagem contra Deus, na face d'Ele, para poder alcançar aquilo que lhe convém e que convém ao pecado! "Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites, infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus", Tiago 4:3,4. "Não vos enganeis, meus amados irmãos", 1:16. Que proveito há, meus irmãos se alguém disser que tem fé e não tiver obras?", 2:14. "A perseverança tenha a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos (aperfeiçoados), não faltando em coisa alguma", 1:4. A finalidade de tudo aquilo que Deus faz e possa fazer em tempo de oração, é que o pecador vire e se transforme entretanto num ser perfeito e limpo em tudo e em todos os aspectos, enquanto ora por outras coisas que se relacionem ou não com o Céu. Quem desiste de qualquer tipo de oração porque a resposta tarda, desiste disso também; quem desiste disso, resiste ao Espírito Santo, desistindo de Deus porque Deus não é ouvido de outra forma. Quem desiste da oração está também a desistir de Deus - constitui-se inimigo chantagista de Deus porque é amigo da carne que o compele a desistir para que se mantenha ainda viva em pecado - carne essa que compete com Deus pela posse e domínio e pelos motivos do coração em questão. Desistir quando se ora, é mais que endurecimento de coração: é tão só chantagear Deus a ceder ao pecado. "Orai sem cessar" esconde muita sabedoria por trás, muito mais que a que possamos imaginar. Que me corrijam se estiver errado. O tamanho da sua vontade em desistir depois de haver entrado na Santa luta de santificação, é a dimensão de amor-próprio acima de Deus e dos homens à sua volta. Você não cumpre a lei de Deus, por isso desiste, porque não está nos seus horizontes conseguir fazê-lo de livre vontade, espontaneamente e sem qualquer esforço. Seu estado de espírito não cumpre todos os requisitos da salvação que lhe vem sido oferecida.

Vivi numa zona na África onde, sendo seus súbitos, o rei era condescendente e carinhoso para com quem o consultasse. Mas havia a norma de que quem fosse lá pedir algo (justiça, ou algo diferente) e chegasse pela manhã ou numa altura em que o rei estivesse de saída e não o pudesse atender naquele instante, se o rei lhe dissesse para esperar ali até que voltasse e se apenas voltasse no dia seguinte, de tarde ou de manhã, o tal súbito não se atreveria a sair dali porque, não sabendo a que horas chegaria a majestade da zona, poderia não ser achado no seu posto de espera - isto daria a pena de morte a tal homem porque estaria pensando mal do rei. O respeito que tinha pela majestade e de sua bondade era demonstrado dessa forma, esperando. Poder-se-á até achar tal procedimento mau e desumano, mas é assim que funciona. É também isso que lemos em Lucas 12:35-47: (Pois o nosso Rei também se "ausentou" e sabemos que volta porque é fiel) "Estejam cingidos os vossos lombos e acesas as vossas candeias; e sede semelhantes a homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier e bater, logo possam abrir-lhe. Bem-aventurados aqueles servos, aos quais o senhor, quando vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá e os fará reclinar-se à mesa e, chegando-se, os servirá. Quer venha na segunda vigília, quer na terceira, bem-aventurados serão eles, se assim os achar. Sabei, porém, isto: se o dono da casa soubesse a que hora havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. (Como não sabe, deixa minar e é isso que Deus quer que nunca aconteça, pois qualquer ser santo terá de o ser por natureza e nunca por interesse ou por oportunismo, cedendo a impulsos e não a uma verdade que se torna real também!) Estai vós também apercebidos; porque, numa hora em que não penseis, virá o Filho do homem. Então Pedro perguntou: Senhor, dizes essa parábola a nós, ou também a todos? Respondeu o Senhor: Qual é, pois, o mordomo fiel e prudente, que o Senhor porá sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração? Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens. Mas, se aquele servo disser em teu coração: O meu senhor tarda em vir; e começar a espancar os criados e as criadas e a comer, a beber e a embriagar-se (entregando-se à dissolução porque se entregou à impaciência e ao desespero), virá o senhor desse servo num dia em que não o espera e numa hora de que não sabe, cortá-lo-á pelo meio e lhe dará a sua parte com os que são infiéis. O servo que soube a vontade do seu senhor e não se aprontou nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites".

Porque desistem as pessoas, então? O que será que os leva a chegar a tais extremos de chantagear o próprio Criador do mundo que não tem razão para não ser apenas Bom? Porque se desiste sabendo que Ele disse que, "o Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve"? Como é que se desiste de algo que é fácil sem se ser fingido e chantagista? Assumamos que, se o Seu jugo é suave (e Deus não mente!) o pecador só desiste por razões que assume como válidas às quais Deus nunca cede - o que torna o pecado de tal homem maior ainda, pois defende o pecado diante de Deus! Se desisto, será tão somente porque entro em rota de colisão com Deus, ser contra Ser e não pedido contra Resposta. Entendemos, então porque se lê que "os murmuradores" não herdarão o reino de Deus, essa herança que recebemos já e agora, enquanto estamos neste tabernáculo terreno. O murmúrio é irreverência e rebeldia, é porfiar com Deus, o que equivale ao pecado de idolatria e feitiçaria, se lermos com atenção as Escrituras, (1Sam.5:23: "Porque a rebelião é como o pecado de adivinhação e a obstinação é como a iniqüidade de idolatria. Porquanto rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou, a ti"). Quem murmura desistiu, quem desiste não está propriamente a desistir - está a resistir! Está a resistir usando até o seu último recurso, que é usar a sua própria vida (ou a de outros até) como recurso de chantagem para convencer Deus a ceder a si quando Ele antes quer que o pecador ceda a Ele para salvação do próprio e não para salvação de Deus!

Existe um pássaro comum na África que chamam pássaro-do-mel. Esta pequena ave alimenta-se de mel, mas não tem como chegar a ele diretamente, pois as picadas de quem faz mel matariam a minúscula ave se fosse atrevida e presunçosa a ponto de enfrentar as abelhas duma qualquer colméia. Então foi-lhe dado um dom de verificar onde se encontra o mel - uma boa visão ao longe voando por alto - e o dom de mostrar duma forma que lhe é muito peculiar onde há mel a outros animais que se alimentam dele, incluindo o homem local, perdendo o medo por causa da fome, para assim conseguir que lhe deixem um pouco dos restos do manjar de quem tem como enfrentar abelhas sem morrer. Cristo conseguiu esse mel para nós, pois lemos que "pois manteiga e mel comerá todo aquele que ficar de resto no meio da terra" e também, "Tomei o livrinho da mão do anjo, e o comi; e na minha boca era doce como mel", Apoc.10:10. A grande peculiaridade deste pequeno pássaro é a maneira chata e incessante como atrai a atenção de quem acha buscando mel: voa por cima dele, pica-lhe a cabeça e faz muito barulho até que o animal (ou o homem) entenda que deve seguir o pássaro que sabe onde se encontra mel (vírgula) e que este deve ter alguma mensagem a transmitir-lhe através dessa linguagem diferente. Assim que o outro animal entende a mensagem, este pássaro muda o seu comportamento e vira líder, mostrando onde se encontra mel pousando de árvore em árvore para dar tempo que o sigam, pois entende que quem o pode ajudar deve ser esperado. Há pássaros mais sábios que pessoas que não esperam em Deus! Depois de comer, quem lá foi levado acaba por deixar sempre um resto no chão para que o guia se alimente, como as migalhas que caem da mesa de quem tem muito pão e que servem para alimentar quem é humilde e pequeno ainda.

Assisti uma vez a um documentário sobre uma cena destas onde estavam envolvidos um texugo e esse pássaro. De início, o texugo sentiu-se perturbado e molestado porque estaria tão ocupado e preocupado na busca de mel, que se metia em tudo o que era buraco, no chão e nas árvores, em busca desse precioso alimento e não queria de jeito nenhum abandonar a sua preocupação pelo atrevimento daquele pássaro. O pássaro, porém, não lhe dava qualquer descanso, procurando tirá-lo da sua preocupação e fome, buscando aquilo que a ave sabia onde havia, mas que não conseguia recolher. A intensidade da perturbação foi tal que o texugo desistiu da "auto-busca" do mel e, depois duns poucos ataques infrutíferos ao pássaro persistente, algum instinto natural (pois Deus também lho deu para ter como dar de comer a quem não pode) fez com que seguisse e desse ouvido ao passarinho, em vez de resisti-lo. A busca insistente e teimosa do texugo não permitia espaço a ouvir um passarinho insignificante e insistente! Sua fome virou em teimosia e se transformaria em morte caso não cedesse.

O que leva o homem ignorante a lutar assim, a resistir ao pequeno pássaro da sua própria consciência? Porque luta desse jeito chegando ao ponto de desistir porque quer comida a qualquer custo, sabendo ainda que Deus não cede a quem está errado de espírito e obstinado na busca de alimento a ponto de não mais desejar ser humilde para ser guiado? Qual o motivo dessa luta sem tréguas para o pecador? Que o leva a atentar contra a própria vida assim, correndo o risco de nunca achar o seu mel, desistindo porque é teimoso em vez de o levar a aceder àquela linguagem de Deus em forma de passarinho de consciência? Porque não lê o homem nas entrelinhas, se sabe que Deus responde sempre e Jesus disse "que vos darei TUDO que pedirdes"? Que engano será este que leva o homem a nunca crer em Deus, antes preferindo desistir para não deixar de ser teimoso e obstinado, tendo-se como justo ou mesmo mais justo que o próprio Deus acima do céu e da terra? Porque não cede o homem à razão quando há um pássaro dentro do seu ser, na sua consciência, a insistir que lhe dêem atenção mesmo que não se expresse na mesma linguagem, mas que mesmo assim comunica à sua maneira uma verdade que beneficia a ambos?

Analisemos este fenômeno que poderia ser de vida e é de morte para muitos daqueles que lutam com Deus. Sabemos que há quem haja lutado com Deus e prevalecido. Também sabemos a que cederá Deus apenas e tão só. Então a luta não é de ser evitada, mas sim a desistência dela será o que deve ser evitado a qualquer custo - o desfecho final dessa luta é que poderá e terá de ser orientado. Qual foi a admiração de Jacó, que ao não haver cedido naquilo que pedia de Deus e ao ver que não morrera, antes se salvara de todos os seus temores! Exclamou e disse: "Porque tenho visto Deus face a face e a minha vida foi preservada!" Então entendamos que quem luta com Deus é quem está obedecendo e não quem é rebelde - quem desiste da luta é que é rebelde e incoerente até com ele mesmo! Será desses que Deus nunca se pode vir a agradar, pois lemos que, "o Meu servo, se desistir, Minha alma não se agradará dele". Porque terá de haver "uma luta" para que Deus ouça e, mais importante ainda, para que o pecador seja atendido? O que ocorre de tão importante durante este tempo de luta para que Deus, de início, não pareça estar na disposição de atender para passar a atender depois?

Vou fazer uma afirmação agora que ao longo de todo este trecho vai transparecer: não é a oração do justo que Deus ouve - é ao justo da oração! Então, a oração nunca estará dependente daquilo que falo ou consigo dizer diante de Deus, mas sim daquilo que sou, da minha atitude e principalmente daquilo que Cristo pode ser em mim por mim. Se assim não fosse, como seria possível ocorrer o que Isaías escreveu "E acontecerá que, antes de clamarem eles, eu responderei; e estando eles ainda falando, eu os ouvirei"? (Is.65:24). Se dependesse daquilo que dizemos, isto nunca seria possível, pois, Deus atende mesmo antes que falemos! Mas, não apenas é possível, como é a meta da comunhão com Deus a atingir. Deus ouve o justo e não a sua oração. E podemos chegar ao ponto de ser prontamente ouvidos! Não disse Ele aos amigos de Jó "e o meu servo Jó orará por vós; porque deveras a ele aceitarei"? Não disse "a oração dele Eu aceitarei", mas sim "a ele".

Se o pecador pretender ser fingido e achar que é santo quando não é, ou que não necessita de ser para ser ouvido, não lutará com Deus. Mas se for honesto e obtiver verdade dentro de si mesmo, sente o afastamento - o abismo - entre ele e Quem o pode ouvir e, nesse tempo de oração, sente como necessidade única poder transpor esse abismo para poder chegar bem pertinho de Quem parece que não ouve e estar de bem com Ele. Será na maioria das vezes por essa razão que nunca se deve desistir e não Lhe dar descanso até que estabeleça e ponha nunca deve desistir até haja sido restabelecido e estabelecido tudo aquilo que seja para glória e honra. Não se propõe que seja Deus a transpô-lo vindo para o seu mundo de pecado, mas sim ele a entrar no mundo de Deus em pessoa e não desistir disso por nada deste mundo - ali nenhum pecador tem como se manter em pé, pois a Vida não o permite. Quem desiste de Deus, perde até o mundo ao qual se agarrou para não ir a Deus. Então, para poder chegar onde é ouvido ele e não a oração, terá que ter havido uma transformação no pecador para que tenha fôlego e vida nele ainda, depois de transpor aquele abismo que separa o homem de Deus, para ter como poder-se dirigir a Deus ainda no terreno d'Ele. Daí as palavras de Cristo, "Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas e (depois de escapar ainda tenhais como) estar em pé na presença do Filho do homem", Luc.21:36.

Sem querer repetir-me, afirmo que quem não entra em luta ou em colisão com Deus, ou é fingido ou tornou-se igual a Deus. Existem dois pólos de divergência contínua - Deus e pecador e alguém vai ter de mudar para haver entendimento (pois, ser pecador em vez de constituir razão para não se ir ter com Deus, deve ser a razão principal de se fazer isso mesmo!) Essa divergência contínua, Deus quer transformar em convergência eterna, que se mantenha eterna, pois, de outra forma será divergência eterna! Ora Deus nunca cede, mas tem poder para transformar quem está pedindo enquanto pede e fazer a pessoa deleitar-se em sua própria transformação, enquanto estiver e se mantiver a pedir! Por norma, as pessoas apenas se deleitam na transformação dos outros. Deus é como aquela mãe que aproveita para pentear o seu filho rebelde e de cabelo emaranhado quando este vem chorar no seu regaço, para lhe mudar a aparência enquanto a mãe finge que não o ouve. Quanto mais tempo a mãe levar para ouvir, mais tempo ela tem para arranjar seu cabelo. Só o fato de vir chorar no regaço já manifesta humilhação e uma quebra direta com a sua rebeldia. Se, porém, desistir de pedir e de se colocar em seu regaço, perde aquilo que conta verdadeiramente para a mãe.

Mas quem luta corre o risco de, depois de lutar, não ter como ficar em pé, "de permanecer, ainda, diante do Filho do Homem" após haver lutado e vencido, podendo não ter ainda vontade de começar tudo de novo, de continuar num novo dia e por novos meios transformados e que precisam ser alicerçados. As pessoas sempre que perdem tudo, sentem-se desanimados a ponto de nunca mais se reanimarem para encetarem uma nova vida dentro deles. Quem se chega a submeter prevalece e continua - quem não se submete prevarica e desvia-se sempre. Quem desiste da vida a seguir, ainda não se submeteu a Deus, que é Vida - a nova Vida. Já vi muitos desviarem-se apenas porque dizem que Deus os abandonou, quando são eles próprios que não se submetem porque Deus tarda em responder, sendo por culpa própria que o Filho do Homem tarda em aparecer. As respostas às suas orações, muitas vezes, dependem apenas e tão só deles, daqueles que oram. Como não se submetem à vontade de Deus, à sua santificação e preferencialmente se dedicam à santificação dos outros, ao abrir mão dum qualquer pecado, nunca veêm a alva e são abandonados a eles próprios para se secarem como um galho fora da videira, como diz Isaías, "se eles não falarem segundo esta palavra, nunca lhes raiará a alva". E sabemos que um galho fora da figueira não murcha logo, assim que é desprendido, mas apenas dias depois e o da vide já parece seco enquanto está na árvore, o que é um puro engano. Quando menos se espera, o da vide brota folhas e o da figueira seca e murcha. Enquanto estiver verde, enquanto se sente verde, gloria-se na mentira que é a sua verdura decadente. E aquilo que impede Deus de responder pode até, em muitos casos, nem estar diretamente relacionado com o que pedem. Crente, entre si e a terra prometida pode ainda estar o rio Jordão, o mar vermelho, um deserto desconhecido e perigoso - mas será isso razão bastante para desistir de algo que sabe ser a plena vontade de Deus, para si também, da qual também irá, por certo, usufruir eternamente? Que ambição será essa que só ambiciona aquilo que não tem como ser mantido? Vê como tem de ser mudado? E como! Esqueça que é crente e lembre-se que é pecador. Quem sabe, talvez assim possa ter como ser razoável e coerente para com Deus ainda! Mas não desista da luta apenas porque é pecador, pois Deus veio para transformar e será apenas para isso que penetrará em toda a sua vida, por dentro e por fora.

Ora, Deus luta com aquilo que não faz parte do pedido do homem, mas antes faz parte de todo homem em si. O homem luta com Deus por causa do pedido - Deus luta por causa do homem em si, para o tornar justo, para o justificar! E ambos terão de se respeitar naquilo que querem e exigem um do outro - é esse o acordo de princípios que deve prevalecer. Deus prometeu responder a tudo aquilo que se pedisse desde que se conseguisse permanecer n'Ele e Ele em nós. Se este "permanecer" é antes ou depois de orar, não é de nossa conta, pois é para sempre: antes e depois, mesmo que pareça que durante o tempo durante o qual pedimos não estamos de acordo. Ora, o objetivo de todas as orações será que Deus ouça mal pedimos, isto é, que o agora santo esteja num estado de conservação e de espírito tal que nem chegue a ser necessário pedir sequer, pois o seu coração e estado de espírito permitem que todos os seus próprios desejos já sejam orações efervescentes, acutilantes e poderosas aproximando-se do Deus vivo, Sal.37:4, pede recebe logo uma resposta por se encontrar na máxima perfeição mesmo antes de pedir. Será aí onde Deus quer que cheguemos, nesse estado de espírito que prevalece sempre, pois é aí que vemos e revemos que, de fato, Seu jugo é suave e Seu fardo muito leve de carregar porque no fundo não somos nós que suportamos o jugo, mas sim Ele em nós. Mas quem desiste apenas revela o quanto se ama a si mesmo ainda e como acha, na prática, que ou sabe mais que Deus ou é Deus quem está errado e nunca ele próprio.

Quando, então, é que Seu jugo se torna pesado demais e insuportável? Que faz alguém desistir senão algo a que ele mesmo se recusa por discordar, não aceitar, não desejar esperar mais, ou que o leve mesmo a rebelar-se contra o que acha que não sabe mesmo sabendo do que se trata e só nunca sabe porque não aceita, ou não quer aceitar que sabe? Há pessoas que mudam de doutrina aceitando uma que sabem ser falsa, de igreja, de Deus até, mas extemporânea e convenientemente mudada, apenas porque a sua vida com Deus não funciona mais; porquê? Como não querem, não aceitam relacionar um qualquer pecado em si, no qual Deus está mexendo, com a sua falta de vida ou de resposta conclusiva - a qual encerra sempre qualquer questão com Deus - relacionando a falta de respostas com a decadência da sua estrela e assim preferem e assumem desistir, antes culpando Deus e quem junto com Ele prega a verdade e a semeia diligentemente - antes isso a dobrar seus joelhos obstinados, a sua coluna entorpecida e teimosa e seu olhar ainda obstinado! Desistente, ama-se a si mesmo muito mais que aquele que não desiste dum certo objeto ou objetivo a que se propôs alcançar de Deus para ele mesmo. Não se querem humilhar naquilo que Deus quer ver fora do hábito, do dia, do coração, da boca, do trabalho, do lar de quem pede! E ainda assim desistem daquele objeto que se tornou no meio que os leva a apresentarem-se diante de Deus! Não cedendo em algo que fere a sua consciência ao ponto de ruptura, ao ponto de não mais sentir acusação alguma sequer, o pedinte escolhe e cria um caminho próprio que lhe convém pelo pecado existente em si, o qual quer sobreviver a qualquer custo ainda, mas que certamente o levará ao matadouro, à sua própria morte - antes isso do que ceder em algo "que não sabe o que é"! Será a partir daí que "há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte", pois a verdadeira sabedoria diz que "o que pecar contra mim fará mal à sua própria alma; todos os que me odeiam amam a morte", Prov.14:12,8:36. Quem ama a própria vida, perdê-la-á ainda. Como Deus não vai ceder, alguém ficará entregue ao sol, separado do tronco, da seiva, da árvore, para que seque e venha um dia a ser lançado no fogo. Tudo aquilo que vier a acontecer-lhe enquanto estiver separado de Deus em pessoa (mesmo que não em crença) será de sua inteira responsabilidade!

Por isso, quem entra na luta (e também se um atleta lutar nos jogos públicos, não será coroado se não lutar legitimamente, 2Tim.2:5), para não ter que perder, desiste - antes isso a ter de se humilhar sobre algo que quer manter a qualquer custo fora de qualquer discussão! Numa prova de atletismo, quem desiste fica em maior honra que quem vai até ao fim e perde para outro. Quem desiste pode deixar no ar que estava magoado ou que era fraco. Deus quer discutir com o pedinte a própria posse do pedinte e não só do pedido, quem pede o pedido e nada mais! Tudo o resto será para consumo e para jogar fora depois de ser usado. Que seja Deus a ceder e nunca o próprio! Essa é a linguagem mas não a fala, a atitude mas não aquilo que manifesta, de quem não cede a Deus em algo que Ele também não irá ceder. Bem-aventurado aquele homem que se coloca sempre ao lado de Deus contra sua essência de vida. Mas como acham que Deus é que tem de ser sempre "o bom da fita", o pecador pedinte o mau, o bom terá de ceder primeiro e o pecador talvez! Coitado de quem assim pensa! Será entregue ao vento para se desidratar e ao sol para ser seco! É destes que a Bíblia fala quando diz "Porquanto dizes: Rico sou e estou enriquecido e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, um miserável, um pobre, um cego e nu!" Apoc.3:17.

Só há uma maneira de resolver este dilema ao qual Deus nunca vai ceder - cedendo quem está em erro grosseiro, aceitando quem não está e não reconhece por, não apenas ser cego mas, como já lemos, "não sabe que é cego" sequer porque não quer saber de tal coisa, para não ter de ceder naquilo que gosta de manter em vida! Mas "o caminho dos prevaricadores é áspero" Prov.13:15. Não vai ter saída sem ser ou a saída da humilhação ou o de ser cortado e lançado fora, pois Cristo avisou que "quem não permanece em Mim é lançado fora, como a vara, e seca; tais varas são recolhidas, lançadas no fogo e queimadas", João 15:6. Ninguém terá como evitar isso.

Então, porque desiste alguém naquele tempo em que parece que Deus se esqueceu de nós? Vamos por partes. Pensamos que se esqueceu apenas porque Ele está ativo numa outra área da nossa vida que não reconhecemos ser válida nem para se dar atenção sequer quanto mais de Deus se atrever a mexer lá por Sua autoria e determinação! Desistimos porque não aceitamos ceder em algo que não reconhecemos ser justo mexer lá sequer, quanto mais vir a ceder nisso mesmo! Como Deus não cede e tem um braço forte e invencível, quem luta e não cede cansar-se-á eventualmente e usará uma última arma contra Deus: o seu próprio suspiro de desistência, sua própria vida como moeda de troca. Mas, se Cristo não trocou algo seu para dar em troca de todas as vidas sobre a terra, Mat.4:9,10, porque pensaríamos nós que cederá a uma chantagem ainda? Desistindo um pecador, acaba por ser uma forma de chantagem, de endurecimento que diz apenas, "vamos ver quem sabe melhor, vamos ver se cedo!" Como Deus é bom, tal pecador acha que sob tal forma de pressão Deus irá ceder, pois não quer que alguém se perca, pelo menos nenhum daqueles que crêem como está escrito "para que todo aquele que crê não se perca, não pereça", João 3:16.

Qualquer tipo de desistente acaba por ser sempre um "super-endurecido" que se acha um super-homem, que se vê como um herói pela grande quantidade de amor-próprio que possui em si e que nunca reconhece como tal, pois chantageia Deus com a sua própria vida. Quem faz isso ama-se a si mesmo ao ponto do suicídio e usa a sua vida como escudo diante das narinas da ira de Deus! O Seu fardo é leve e o pecador desistente e endurecido torna-o e acha-o pesado e insuportável. Será sempre alvo da ira de Deus por não ter esses direitos sobre sua vida e estar a abusando dos mesmos! Qualquer gênero de suicida é criminoso, é assassino e será desterrado para sempre, a menos que se possa recuperar a tempo da sua tolice, da sua vaidade e desvario - o que não lhe é fácil, pois acha-se sempre com a razão, justificando-se continuamente diante de quem o quer apenas convencer do seu pecado para ter como o salvar dele! É aqui que se ouve a alto e bom som, "Pelo que, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz não endureçais os vossos corações", Heb.3:7,8. Diz "hoje" dessa forma porque amanhã pode ser tarde demais!

Que diz da sua vida crente, você que é frouxo e talvez interesseiro no seu relacionamento com Deus? Antes fosse deveras interesseiro sem ser tolo e frouxo, pois se desejasse a vida de fato não se agarraria à morte com esse desplante e essa veemência toda! Será que ainda vai a tempo de se recuperar da sua triste e infeliz tolice? É que cada dia que passa sobre esse estado de coisas apenas vai contribuir para piorar o seu estado de espírito que já se vai afastando por tendência e não mais para ganhar tempo apenas. Diante de Deus nesse estado de espírito nunca se ganha tempo - perde-se! Amanhã, maior será o endurecimento e menor a condescendência de Deus para consigo - ou acha que Deus não se ira? Quem acha que foi que expulsou a toque de chicote quem negociava diante d'Ele para poder "ganhar" (perder!) a sua vida dentro dos Seus átrios? Como poderá você negociar com ele a sua vida, pondo-a no espeto da sua incoerência cheia de chantagem promíscua? Como se pode ganhar a nossa vida suicidando-a, colocando-a na grelha por cima de fogo ardendo já na ira de Deus? Não vês ó homem tolo que não estás no teu juízo perfeito? Julgas mal e enganas o teu próprio coração e ainda achas que fazes a obra do século! Quem venceu Deus algum dia? Apenas quem cedeu até na questão da chantagem! Esses sim, lutam com Deus e homens e vencem, como Jacó! Que se passa na tua triste vida?

Ora, então vemos que quem desiste não cede, mas endurece o seu próprio coração, desiste para não ter que vir a ceder. É dai que advém a palavra em Is.59:1,2 "Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça".

"Aquele que vive isolado busca seu próprio desejo; insurge-se contra a verdadeira sabedoria", Prov.18:1. Vemos então que quem luta com Deus faz bem - mas terá que ceder, terá que vencer cedendo, perdendo, Sem perder, nunca ganhará. Deus quer algo do pecador que o pecador retém e não quer dar a Deus - o pecador também quer algo de Deus, que retém e quer dar ou não. E se Deus não quiser dar? Desistirá da vida por causa duma tolice dessas? O confronto é inevitável tanto a quem quer salvar como a quem acha que se quer salvar - mas não de si mesmo e antes a si mesmo, pois, nunca se vê como seu próprio inimigo. Qualquer pecador acha que Deus é injusto, mesmo quando não o reconhece nem para si mesmo, por haver ganho uma certa linguagem deslavada de crente de igreja que impõe sempre que se deve dizer sempre que Deus é bom como palavra de fé, para assim se ter como satisfazer muito gênero de bichinho egoísta em si mesmo - apenas egoísta e sem validade e força diante de Quem se ora. Qualquer desistente ama-se em extremo e não tem limites para a sua cobiça e auto-defesa tola. Chega a usar a sua própria vida como escudo, a pô-la no inferno se for necessário, para ver se alcança permanecer naquilo em que Deus não quer, não deixa e nem permite aparecer dentro dos seus templos, os quais somos nós apenas. Lemos que quem ama a sua própria vida, isto é, aquela que quer ter e com a qual chantageia Deus, homens, mulheres e crianças, perdê-la-á, seguramente. Quem nunca cederá a qualquer tipo de chantagem é o Deus que conheço.

Finalizando, quem não luta é fingido, hipócrita, descrente ou preguiçoso e desleixado, tolo, negligente ou desviado para as suas próprias idéias de como devem ser as coisas santas. Quem entra na luta porque é consistente ou quer vir a ser, é inteligente ou quer poder ser, (pois Deus tem como tornar tolos em sábios desde que se reconheçam tais quais são), é obediente à voz da razão, do Espírito ou quer vir a ser e não se importa com as chantagens e do desprezo de Satanás e das pessoas. Mas se não desistir do seu pecado e apenas estar na disposição de enganar-se a si mesmo permanecendo nos átrios de Deus, para poder estar "com Deus" mas nunca fora do pecado preferido e com isso tentar enganar o Espírito que ora em nós por nós, terá de apreender como se haver com Deus de maneira diferente daquela que Ananias e Safira tentaram, mentindo a Quem não se pode mentir, diante de quem não deviam, (Atos 5). Se estes caíram mortos, porque acha que tentando dar a volta a Deus ainda nos advirá algo diferente e mais coerente e em maior conformidade com os nossos próprios pecados e anseios pecaminosos? É certo que quem luta tem de ter algo santo nele, pois de outra forma não entraria num tal estado de espírito de se poder vir a entender com Deus em forma real, sabendo de antemão que Deus é sempre uma pessoa real e difícil de ser enganada. Mas o seu pecado leva-o a ter alucinações muito estranhas sobre quem é Deus de fato e sobre aquilo que Ele pretende de nós, em nós.

Não será a oração que Ele ouve, mas sim ao justo. Vamo-nos Justificar então, para que em nada tenhamos falta alguma. Tornemo-nos justos - é essa a razão porque Deus tarda em ouvir, isto é, porque não somos justos diante d'Ele nem tão pouco vir a ser justificados. Crente, que as suas orações não sejam impedidas depois de as encetar, mas sim bem concluídas através da sua própria salvação e que sua vida lhe seja devolvida salva e purificada. É disto que se deve viver, pois Tiago e Pedro dizem, "Eis que chamamos bem-aventurados os que suportaram aflições. Ouvistes da paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu, porque o Senhor é cheio de misericórdia e compaixão, alcançando o fim (a finalidade) da vossa fé, a salvação das vossas almas. Vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de (com a finalidade de) oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus por Jesus Cristo", Tiago 5:11, 1Ped.1:9;2:5.

Se sabemos que haverá luta, se sabemos que "a carne luta contra o Espírito e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis", isto é, desistindo em vez de fazer o que se quer feito, ou desistir da luta para podermos fazermos tudo o que queremos , Gal.5:17, vamos então propor ao nosso coração uma luta sem tréguas com Deus mas contra nós mesmos a favor da nossa vida e nunca contra ela, pois Deus é glorificado em que demos muitos frutos e nunca nos perdoará tal veleidade sob pena de estarmos a destruir o templo que Ele próprio quer ver e ter edificado para sempre, sabendo e entendendo que também somos suicidas quando não nos convém sê-lo. Quem pede e recebe é quem tem como glorificar Deus. Quem não recebe, será quem se suicidará, endurecendo-se cada vez mais, de maneira mais subtil e com a "melhor" tolice! Daí que, "exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado; porque nos temos tornado participantes de Cristo, se é que guardamos firme até o fim a nossa confiança inicial", Heb.3:13,14. "Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê", Rom.10:4. Quem crê entra na luta. Deus também, mas para tornar justo quem crê - Ele aproveita para ter como salvar, por isso dizem as Escrituras "e serás salvo" com o verbo no futuro e não como alguns enganadores auto-enganados pretendem que seja entendido para proveito próprio ainda!

Então, nunca nos defendamos diante de Deus, antes, defendamos Deus diante de nós próprios. É assim que alcançamos d'Ele tudo aquilo, mas tudo mesmo, o que lhe pedimos, pois é essa a promessa da boca dele ao permanecermos e estarmos dentro da Sua vontade e "esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição" e de outras coisas mais, 1Tes.4:3. "E esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que já alcançamos as coisas que lhe temos pedido também", 1João 5:14,15. Mas "necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, (todo o tipo de santificação!) alcanceis a promessa", Heb.10:36.

Quem desiste, na verdade resiste até ao fim. Vamos então orar sem cessar, sem desistir no meio, chegando ao fim da oração com as mesmas forças com as quais começamos, "guardando firme até o fim a nossa confiança inicial" porque estreito e apertado é o caminho, Heb.3:14. Quem desiste é quem prefere não ceder, como Deus também prefere nunca ceder e antes deixar perder quem quer continuar a ser tolo e descuidado com sua própria vida. Falamos apenas daqueles que entram na luta e desistem. Aqueles que não entram na luta, não merecem que discutamos o seu caso sequer - que se arrependam e apenas depois leiam isto que escrevi muito resumidamente. A estes que nem entendem o que a palavra "dever" em Lucas 18:1 pode ainda vir a significar para eles, ("Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre"), não cabe saber aquilo que o Senhor Jesus disse sob pena de sermos achados a deitar pérolas a porcos enlameados e nojentos pela sua imundície. Ele disse: "Ao que vencer e ao que guardar as minhas obras até o fim, Eu lhe darei autoridade sobre as nações", Apoc.2:26. "Mas o Meu justo viverá da fé; e se ele recuar, a Minha alma não terá prazer nele", Heb.10:38. Amem, Senhor, vem logo. Amém.

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José Mateus
zemateus@msn.com