RECONLICIAÇÃO – DO QUE TRATA?
"Acaso andarão dois juntos se não estiverem de acordo?", Amos 3:3

Hoje tudose tornou superficial e plastificado. Se alguém deseja mudar o aspecto de uma superfície, plastifica-a com uma imagem; para mudar uma parede, cola-se papel; para mudar um rosto, coloca-se maquilhagem e recorre-se à superficialidade da estética. Estamos na era do "Fast Food", isto é, da comida de plástico. E não seria de admirar que entre os crentes a reconciliação se houvesse tornado um mero assunto de conveniência quando Deus sempre quis que fosse tema de vida. A reconciliação é muito mais que forçar um entendimento e pedir perdão. A verdadeira reconciliação é uma convergência de corações, uma união de vidas, um uníssono de motivos nos objectivos mútuos, uma sintonia espontânea e um amor convergente e incondicional por termos como base a verdade e a vida. Quando lemos na Bíblia, "Reconcilia-vos com Deus", tenhamos isso em mente. Você está reconciliado com Deus dessa maneira? Ou optou por uma "reconciliação" superficial, conveniente e plastificada que lhe permite continuar a viver no pecado ou da sua maneira? Como poderá estar reconciliado sem mudar profundamente? Você está reconciliado e de acordo com Quem disse, "Não suporto a iniquidade"? Is.1:13.

A verdadeira reconciliação é um mandamento e devemos buscar ser (e não apenas estar) reconciliados com a verdade, com Jesus e com a Vida Eterna (constante) em nós. Essa Vida começa aqui na terra e não tem altos e baixos, pois é constante e permanente.

Existem vários problemas no caminho deste tipo de reconciliação. Ora, vejamos apenas alguns.

O principal problema é o homem não sustentar a ideia de que ele precisa mudar. Logo, assume que a reconciliação é tarefa de outros para com ele, quando, na verdade, a sua parte é a única responsabilidade real que tem em mãos. Devemos saber que a reconciliação é um dever moral, algo que o próprio precisa fazer e não terceiros. A reconciliação é um mandamento e não apenas uma dádiva.

O outro problema é o homem lidar com a reconciliação de forma superficial e externa porque lhe dói ver-se como iníquo. Sabe que, reconciliando-se, perde a vida própria? Não seria de admirar que os homens inventassem um tipo de reconciliação onde se mantém a vida própria e o esforço da carne. A verdadeira reconciliação deve começar no íntimo dos íntimos e extravasar para o lado de fora. O cálice tem de transbordar e não encher-se de fora para dentro. Lidar com o erro, a iniquidade, o pecado de forma superficial demonstra o desejo de encobrir e de não revelar para exterminar de raiz tudo que Deus mostra ser mau em nós. Só revelando e colocando na luz se conseguirá uma verdadeira reconciliação de íntimos e de corações. Embora um encontro real com Deus seja um acontecimento, a reconciliação é um processo, salvo raras excepções. O mal é morto sendo exposto na e pela luz. Isto é, a luz, ao expor, coloca o homem pecador perante a opção instintiva de retrair-se e esconder. Contudo, a luz, ao expor, exige que o homem coloque na luz para haver uma cooperação e convergência de intenções e de obra, isto é, uma cooperação em sentido comum estipulado por Deus. É, então, necessário saber qual a diferença entre a luz expor e nós expormos. "Aquele que não junta comigo, espalha", disse Jesus. É um trabalho em conjunto e não unilateral. Já alguma viu uma reconciliação onde só uma das partes está envolvida e activa?

O outro problema, mesmo havendo uma convergência de motivos e, também, de objectivos, é o modo como se tenta efectuar ou efectivar essa reconciliação. A auto-regeneração não é o mesmo que a regeneração operada através da obediência e da estreita colaboração, cumplicidade e cooperação com o Espírito Santo e em total entrega, confiança e compreensão. Muitas vezes, o homem quer resolver escondendo, quando Deus resolve expondo; o homem quer esquecer ignorando e Deus quer esquecer limpando e perdoando. Não podemos ignorar o facto de que o modo é um elemento fundamental para haver uma convergência e cooperação em um assunto tão íntimo e tão sério quanto a reconciliação. Amém.

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José Mateus
zemateus@msn.com