QUANDO O JUÍZO SE PERVERTE
"Vós que converteis o juízo em alosna e deitais por terra a justiça"; "Ouvi agora isto, vós chefes que abominais a justiça e perverteis tudo o que é direito", Amos 5:7; Miqueias 3:9

O justíssimo juízo de Deus em terra tem como alvo apenas revelar aos homens o que ainda está para vir. Nada, nenhum castigo cá na terra, tem como pagar a divida, o buraco que se cria pelo ser humano nele mesmo, através do seu próprio pecado. A única justiça justa quanto baste contra o pecado é uma eternidade em tormento, pois a lei de Deus diz olho por olho e dente por dente -; se alguém despreza, revoga, martiriza a vida que é eterna, só pode experimentar o oposto dessa vida em forma eterna também. E se o paraíso é lugar de felicidade sem fim, logo olho por olho será dado em tormento sem igual. Não existe outra justiça relevante para com todo e qualquer pecado que nos separa de Deus, de Sua Vida sem fim, da felicidade que apenas n'Ele acabamos por achar. Eterna e bela é a Vida que nos tem para dar. Eterna e horrorosa será a contra face justa de toda a justiça sobre o pecado. Aquilo que deveriam experimentar em alegria e felicidade, experimentará o pecador em igual proporção em tormento eterno.

Quando Deus castiga, repreende severamente e destila horrores sobre os homens em pecado ainda cá na terra, nunca se pode pensar que tal coisa é tudo o que o pecador e seu pecado merecem. Deus é sábio, demonstra através dessas coisas às quais os homens se apegam, retirando-as deles pela suposta ira d'Ele ainda, para que sintam na sua própria pele, em seu próprio território, em sua arena sentimental de aspirações egoístas sem qualquer fim à vista, como Ele está irado mesmo. Ora: perdeu seu filho sob a ira de Deus, o filho que nem foi você que criou? Pare e pense que algo pior ainda está em eminência de lhe acontecer caso não se arrependa, voltando-se para quem pode ainda ser seu Pai. "Os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras das suas mãos, para deixarem de adorar aos demónios e aos ídolos de ouro, de prata, de bronze, de pedra e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar. Também não se arrependeram dos seus homicídios, nem das suas feitiçarias, nem da sua prostituição, nem dos seus furtos", Apoc.9:20,21. "E por causa das suas dores e por causa das suas chagas, blasfemaram o Deus do céu; e não se arrependeram das suas obras", Apoc.16:11.

Todos os castigos possíveis cá na terra servem e devem servir apenas como correctivos, como demonstrações, como ensejos demonstrativos de instaurar uma certa justiça e um certo sentir da justiça de Deus sobre o homem. Todo o castigo serve como demonstração e arma bem manejada pelas mãos audazes da graça de Deus -; servem para corrigir e fazer pensar quem nunca se esqueça. Ira na terra é manifestação de graça. Sabemos que leva ao temor a Deus, o qual é o princípio básico de toda a sabedoria que se possa chamar como tal. Toda a lei de Moisés tinha por preceito uma aplicação correctiva de justiça, para que não apenas Israel, mas todo o mundo à sua volta ouvisse falar desses estatutos e comentasse sobre os mesmos em conformidade com aquilo que seria a vontade de Deus se viesse a dizer. Lemos, quando Moisés divulgou toda a lei: "Congregai o povo, homens, mulheres e pequeninos e os estrangeiros que estão dentro das vossas portas, para que ouçam e aprendam e temam ao Senhor vosso Deus e tenham cuidado de cumprir todas as palavras desta lei", Deut.31:12. "Eis que vos ensinei estatutos e preceitos, como o Senhor meu Deus me ordenou, para que os observeis no meio da terra na qual estais entrando para a possuirdes. (6) Guardai-os e observai-os, porque isso é a vossa sabedoria e o vosso entendimento à vista dos povos, que ouvirão todos estes estatutos e dirão: Esta grande nação é deveras povo sábio e entendido. (7) Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o é a nós o Senhor nosso Deus todas as vezes que o invocamos? (8) E que grande nação há que tenha estatutos e preceitos tão justos como toda esta lei que hoje ponho perante vós?" Deut.4:5-8.

Todo o justo juízo cá na terra é uma demonstração de compaixão, um alertar de tormentos vindouros, mas que ao mesmo tempo serve como correctivo para que os homens sintam necessidade de preservar suas vidas que perdurarão para sempre com eles, perdendo aquilo que irão perder sempre e em todo o caso. "Assim falou o Senhor dos exércitos: Executai juízo verdadeiro, mostrai bondade e compaixão, cada um para com o seu irmão", Zac.7:9. Logo, os homens de Israel trataram de perverter esse mesmo juízo, fazendo aquilo que não podia estar certo. Assim, apedrejavam sim, mas àqueles que lhes convinha. O que deveria usar-se como arma com capacidade de irradiar o mal de dentro dum povo, castigando e usando esse mesmo castigo como persuasão contra aqueles que ainda se ficaram apenas pelo sentir da tentação sem haver consumado sua ira em assassínio e seus prazeres em pedofilia ainda, era mal usado para benefício de quem era perverso e liderava todo um povo. Depois de tudo isto se haver consumado, todo o povo se desviava da lei mais justa, mais honesta, mais exemplar de toda a terra dentro de todo o seu contexto religioso e de religiosidade, a qual ainda hoje é usada como referência dentro de meios legais de países como os USA, entre outros.

Todo o processo de aplicação correctiva de justiça em Israel, desde a condenação de todos aqueles povos que sacrificavam seus próprios filhos no fogo, que adulteravam e pervertiam direitos fundamentais de todos os homens, a quem Deus deu um pré-aviso de quatrocentos anos ou mais de destruição massiva, quando falou a Abraão que lhe daria em herança e despojo toda aquela terra, servia apenas como um profundo alertar de toda a ira vindoura de Deus enquanto o homem ainda se podia converter, reservando-se Ele no direito ainda de vir aceitar ou não a conversão do dito homem ou mulher o qual se chegasse a Deus para ser devidamente e correctamente transformado. Por isso lemos que "Aborrecei o mal, amai o bem e estabelecei o juízo na porta. Talvez o Senhor, o Deus dos exércitos, tenha piedade do resto", Amos 5:15. "Quanto a mim, estou cheio do poder do Espírito do Senhor, assim como de justiça e de coragem, para declarar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado", Miqueias 3:8

Logo, quando os chefes do povo se iravam contra alguém, aplicavam os tais meios de justiça que apenas em casos de verdadeiro amor e compaixão deveriam estabelecer-se. Também quando recebiam peitas, quando as prostitutas se ofereciam aos seus juízes como prémio salvador, logo se livravam duma demonstração de ira justa sobre quem corrompe valores com os quais fomos eternamente criados. Em todo o mundo, toda a gente tem plena consciência do que é justo ou não.

Mas deixará de haver justiça eterna apenas porque os exactores estão todos corrompidos em deleite e abominações? Claro que não, pois se eu usar a Bíblia quando me encurvo diante dum ídolo, isso faz de mim um santo? Quem se afasta da Bíblia apenas porque existem religiosos que sentem prazer em se enganarem a eles mesmos, logo cava a sua própria cova. Por isso lemos "Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência", Ef.5:6. Ela virá por certo, como um ladrão de noite, naquele momento que ninguém espera que aconteça. Existe alguém mais justo que você que engana tanto a outros como a si mesmo e a Ele ninguém terá como corromper. "Ninguém vos engane com palavras vãs", nem mesmo a si se permita o desplante de se deixar enganar por si mesmo. "E disse-me o Senhor: Os profetas profetizam mentiras em meu nome; não os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei. Visão falsa, adivinhação, vaidade e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam", Jer.14:14. "Por isso convém atentarmos mais diligentemente para as coisas que ouvimos, para que em tempo algum nos desviemos delas. (2) Pois se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme e toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição, (3) como escaparemos nós, se descuidarmos de tão grande salvação?" Heb.2:1-3.

Não perverta o juízo, nem em sonhos, pois gasta seu tempo mal, quando o poderia estar gastando em buscar Deus de todo o seu coração a ver se ganha um coração novo. "E lhes darei um só coração e um só caminho, para que me temam para sempre, para seu bem e o bem de seus filhos, depois deles; Dizei aos turbados de coração: Sede fortes, não temais; eis o vosso Deus! Com vingança virá, sim com a recompensa de Deus; Ele virá e vos salvará" dos vossos próprios pecados que vos mantêm ainda cativos, Jer.32:39, Is.35:4; Pois "virá um Redentor a Sião e aos que em Jacó se desviarem da transgressão, diz o Senhor", Is.59:20. "Deus suscitou a seu Servo e a vós primeiramente vo-lo enviou para que vos abençoasse, desviando-vos, a cada um, das vossas maldades", Act.3:26. Para isso contribuía a justiça de então. Hoje faz Cristo em forma real esse papel, desde que esteja em nós de facto: "Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria e justiça e santificação e redenção; Porque, se o ministério da condenação tinha glória, muito mais excede em glória o ministério da justiça", 1Cor 1:30, 2Cor3:9

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José Mateus
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