OS 50 DEGRAUS DO RELACIONAMENTO COM DEUS

Esta é uma humilde tentativa de revelar como o nosso relacionamento com Deus se estabelece, cresce ou termina. No entanto, depois de escrever algo, fica sempre em nós aquela sensação que alguma coisa ficou por dizer ou que algo ficou pouco claro. Mas, é apenas uma tentativa séria de descrever fielmente como subimos até ao céu.

Creio que cada etapa em seu devido tempo pode ser terminada abruptamente tanto quanto podemos passar facilmente para uma fase seguinte ou, dependendo da elasticidade espiritual de cada um, até mesmo pular por cima de um ou outro degrau. Existem pessoas espiritualmente mais atléticas que outras. Mas, todas terão de terminar esta subida, sejam mais ou menos ágeis. Quem não tem agilidade vai ter de usar a sabedoria que precisa pedir. É necessário terminar a subida com a perfeição que lhe convém. Na verdade, creio que é necessário terminarmos mais frescos, mais leves e mais espontâneos do que começamos. O caminho de Deus não cansa se voarmos como águias. Temos tudo para terminarmos mais frescos do que quando começamos a corrida.

Muitos começam a descer para terra e para o mundo achando que sobem para o céu. Outros, no entanto, sobem, queixam-se e questionam-se como fariam os que descem se fossem honestos (pois, as pessoas em erro nem sempre se questionam para se lamentarem e duvidarem da direcção que escolheram seguir, achando que se estão a corrigir mudando de direcção). Outros dos que descem crêem que, ao estarem na escada que leva para o céu, nada terão a temer se forem apanhados a descer. Para eles, o importante é estarem na escada. Esquecem que não é a escada que será levada para o céu carregada de pessoas, mas, as pessoas é que devem subir até haverem entrado. Custe o que custar, devemos subir até o último degrau.

Não devemos, também, ficar a pensar que dispensaremos um degrau depois de o havermos subido. Esta escada é a escada da experiência de vida. Estes degraus não são dispensados ou dispensáveis depois de haverem sido escalados ou conquistados - eles são acumuláveis. Cada degrau de uma escada, para além de servir para subirmos, torna-se indispensável para segurar a escada no lugar. Isto é, a vida toda é segurada através do acumular de experiências anteriores. Se retirarmos os degraus anteriores de qualquer escadaria, ela ruirá.

Quanto à descida, na verdade, o que custa é dar o primeiro passo para descer. Depois, começa-se a crer que é bem mais fácil descer que subir. Entretanto, as portas do céu fecham-se e, quando alguém recomeça a subida por haver mudado de ideias (de novo), é tarde demais. "Este povo maligno que recusa ouvir as minhas palavras (…) atirá-los-ei (…) não terei pena nem pouparei, nem terei deles compaixão para os não destruir", Jer.13:10,14. Espero que, no mínimo, alguns ainda se achem subindo e nunca se acomodem sempre que alcançam o degrau seguinte por haverem vencido, isto é, porque venceram uma etapa. "Ao que vencer e ao que guardar as minhas obras até o fim, Eu lhe darei autoridade sobre as nações...", Apoc.2:26.

  1. Ouvimos falar de Deus (talvez de outra maneira) e começamos a gostar.

  2. Começamos a sentir que não somos nada bons e ressentimo-nos disso. Gostaríamos de ser bons em vez de achar que devemos confessar todos os pecados e restaurar a justiça para estabelecer aquela paz especial em nosso coração. Ser bom torna-se substituto de nos apoderarmos da graça porque não queremos reconhecer os nossos pecados pelo nome e sentimo-nos descobertos (alcançados pela luz) e com tendências para tapar e encobrir. Choramos por não havermos sido bons e por necessitarmos ser salvos. Mas, isso não lágrimas de agradecimento pela existência de salvação e antes lágrimas de lamentações. São lágrimas que dizem: "Oh, quem me dera não estar numa situação de precisar ser salvo de meus pecados! " Começamos a perceber que não podemos esconder mais nada e isso pode chamar a amargura a nós. Aqui instala-se a duvida, pois, as pessoas prefeririam que o caminho fosse outro ou de outro jeito. Uns viram as costas, outros são mais audazes e persistentes e seguem em frente. Outros, aqui, entregam-se à discussão de doutrinas e ficam por ali o resto da vida na terra. Outros, ainda, desejam que já houvessem sido salvos para que não tivessem que passar pela limpeza que é indispensável e necessária. No entanto, há que entrar pela porta que é estreita. Para os que seguem em frente, vem aí o próximo degrau, pois será aqui que se decide do que queremos ser salvos: do pecado ou do inferno.

  3. Não temos alternativa: confessamos pecados pelo seu devido nome, um a um. Não dá para escapar ou fugir e esquecer! Entregamos aos outros tudo o que lhes tirámos e rectificamos todo o nosso passado pela justeza e justiça que nos é possível nesta fase; pedimos perdão a quem magoámos, explicando que nos estamos a arranjar com Deus, também. Abandonamos o pecado ou tudo aquilo que vemos como pecado. Esta explicação da razão por que estamos a fazer o que estamos a fazer serve para que nos entendam e para que nos sintamos justificados no que fazemos por ser ainda tão humilhante para nós fazê-lo. Ainda não nos apercebemos que glória não é humilhante, pois ter vergonha de fazer o que está certo é engano no qual não deveríamos acreditar. Mas, Deus em Sua misericórdia usa tudo isso para darmos testemunho da Sua verdade. Chega-nos uma paz muito boa porque estamos no bom caminho. Somos incentivados por essa paz a prosseguir porque, por causa dela, somos tentados a ficar por ali mesmo porque nos é agradável tudo quanto começamos a sentir. Isto é mais do que esperávamos receber e muito menos do que é necessário obter. É muito pouco ainda, mas, está muito acima daquilo que esperávamos encontrar ou acima daquilo que imaginaríamos ser possível existir. Caso deixemos um pecado por confessar ou caso achemos por bem não confessarmos certas coisas a pessoas devido à vergonha, a paz que experimentávamos decresce ou diminui significativamente. A nossa estabilidade espiritual e emocional fica abalada pela nossa recusa. E Deus aqui usa a emoção da pessoa para exemplificar as coisas do espírito apenas porque a pessoa ainda não sabe distinguir entre emoção e espírito. Mais adiante, Deus recusará usar a emoção para se explicar e para se dar a conhecer. Muitos ficam-se pelo confessar dos seus próprios pecados e até deixam de pregar sobre outras coisas da vida com Deus, tal é a revelação - isso por causa da paz que apenas começaram a sentir do lado de dentro - e acham que não existe mais nada pela frente, pois, todos gostam de sentir-se seguros quando ainda não estão no céu. Temem que esta experiencia de paz total cesse e tentam mantê-la por meios fraudulentos, isto é, tentam mantê-la pela força sem se darem conta que a paz se manterá por si própria em qualquer coração, contando que se mantenha limpo. A paz veio para ficar e não será abalada em quem permanecer achando tudo que ainda está escondido e oculto mais adiante. Que difícil e perigosa é esta encruzilhada, este cruzamento onde se cruzam emoção e espírito vivo! Somos levados pela emoção e sabemos que, depois da emoção, chega a ressaca que nos atormentará com algum tipo vazio. É só emoção que buscam e isso em substituição de obediência simples e imediata. Tudo que obtivemos deve-se a pura obediência. Por que tentar manter tal experiencia pela força ou pelo engenho então? Sentimo-nos felizes e satisfeitos com pouco. Fervemos em pouca água ainda. Contudo, o que faz qualquer recém-nascido regozijar-se nesta fase é divino e nunca devemos menosprezar nada do que acontece. Deveremos ser pequenos com os pequenos e considerar grande aquilo que é grande para um recém-nascido. Pregar para os outros também dá aquela segurança (falsa) que muitos procuram obter nesta fase por causa da experiência da paz real que temem perder. Ao começarem a ensinar os outros, dão a impressão que chegaram ao fim do saber e que não existe mais nada para descobrir neste filão de tesouros ainda escondidos e encobertos. Os humanos só buscam ter felicidade e quando acham aqui uma gota de água da vida ganham a certeza que acabaram de achar um rio inteiro. Basta de querer pregar para os outros! Ensinemos o nosso próprio coração! Chega de engano! Vamos seguir em frente? Vamo-nos acalmar? Só assim poderemos abrir espaço para alojarmos o céu inteiro dentro de nós um dia. Por isso Jesus disse: "Aqui na terra como no Céu". É melhor habituarmo-nos a coisas que nunca conseguiríamos imaginar existir sequer.

  4. Começamos a ficar ligeiramente cansados da nossa vida antiga ao confessarmos todos os nossos pecados e, embora isto possa acontecer tanto antes quanto depois deste degrau, tanto em simultâneo quanto em outras fases iniciais desta vida que já é nossa e a qual encontra-se em fase crescente, temos a ligeira percepção que é a vida que levámos até ali que nos cansa e não o labor. A verdade começa a ser nossa aliada e conhecida e, quanto mais a conhecemos e obedecemos, mais as feridas que ela nos fez saram. Os golpes e os cortes profundos feitos pela verdade eram precisos e bem intencionados. Sempre foram. Uma aversão e um ódio contra pecado em nós começa a surgir das profundezas da nossa alma e torna-se cada mais intenso na medida em que a Vida Eterna se estabiliza e solidifica dentro de nós. A vida eterna mal começou. Ela ainda vai apoderar-se de nós integralmente. Ela deve reinar em nós. E será sempre uma preciosa ajuda que apressa os tempos caso nós nos esforcemos para nos apoderarmos dessa Vida. Isso ajuda a Vida Eterna a apoderar-se de nós. Vamos ver até que ponto Deus nos consegue reinar. Também obtemos aquela noção da certeza que esta vida deveria ter sido sempre nossa. Deveríamos estar a viver com ela desde sempre. Parece ser aquilo que sempre nos faltou. Ela é-nos familiar. Parece que sempre a conhecemos! A verdade é que a conhecemos pela criação que somos. Por essa Vida nos ser tão familiar, o diabo tenta-nos facilmente a negligenciá-la. Contudo, sentimos cansaço só de pensar e imaginar a vida antiga. Era essa vida que nos cansava e não as coisas. O cansaço aumenta sempre que os olhos do nosso coração são colocados nas perdas que sofremos ao invés do lucro, isto é, Cristo e a Vida real. Agora, podemos perceber porque razão é necessário pregar sobre perseverança aos novos convertidos nesta fase. Realmente precisam saber como funciona a paciência, a perseverança, a motivação e todas as coisas relacionas com a persistência espiritual no encalço dessa verdade. É necessário ensiná-los como fazer as coisas e não apenas ensiná-los a saber das coisas. Jesus disse: "...Ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado", Mat.28:20. Isso seria o mesmo que dizer, "ensinando-os como observar as coisas". Ele não disse para ensinarmos as coisas e antes ensinar a guardar as coisas que Ele ensinou. E logo após havermos completado esta parte da vontade de Deus, alcançaremos a promessa do descanso em Deus, Heb.10:36.

  5. De repente tudo parece confuso. Vezes sem conta nem sabemos qual o rumo a tomar para a nossa vida futura porque ainda confundimos o céu com a terra facilmente e Deus não nos está falando das coisas da terra enquanto entendemos que sim; desejamos a bênção para os alvos anteriores e Deus abençoa, sim, mas, para outros voos e aspirações mais solenes e mais definitivas e eternas. Existe um desencontro de ideias entre nós e Deus. Muitas vezes, nesta fase, não sabemos o que ler nem como orar porque queremos ouvir como nos convém e não porque a Bíblia ou a oração sejam enigmas. Mas, a Bíblia torna-se fácil de entender se for através da luz. O próprio entendimento das coisas precisa ser anulado rapidamente. A falta de fé é uma saída para se poder explicar o que se passa e tentar perceber porque razão Deus tem outras ideias a nosso respeito. A confusão faz-nos achar que não sabemos o que fazer. Na verdade, isso acontece porque misturamos uma vida com a outra em nossa cabeça pequena. Muitas vezes, aplicamos a força para termos fé quando a fé só se substancia e se evidencia pela iluminação e pelo entendimento do que vemos de Deus. Não existe força capaz de substituir o entendimento iluminado das coisas de Deus. A incredulidade é um problema difícil de resolver nos descrentes precisamente porque preferem a força acima da sabedoria que vem de Deus através da limpeza de coração. Não podemos querer levantar uma pena usando a força de jumento que ainda insiste em nós. Teimosia não é perseverança e não poderá resultar em fé.

  6. Muitas vezes apercebemo-nos que Deus, em vez de dar, tira-nos as coisas e das coisas - até de algumas que Ele acha importantes. Esquecemos que importante, para Ele, somos nós. "Pois, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder-se ou prejudicar-se a si mesmo?" Luc.9:25. As causas de Deus são muito importantes, mas, Deus é mais. Então, Deus aplica o mesmo princípio e a mesma regra a nosso respeito: nós somos mais importantes para ele que qualquer tipo de trabalho ou acontecimento. Se tiver de optar, opta por nós.

  7. Ainda estamos subindo. Apercebemo-nos que o céu pode descer sobre nós a qualquer momento porque a terra morreu para nós (nem que seja aparentemente) e o céu começa a fazer sentido - finalmente! Isso chama-se virar o nosso rosto para o lado certo, para onde devemos. Mas, não significa que chegamos lá - apenas começamos a achar que chegamos. Que nos serviria crer em mentiras? Não seria isso uma mentira forte para fazer-nos parar de caminhar?

  8. O diabo, por vezes, diz-nos que Deus está morto e prosseguimos confiando no Senhor sem saber muito bem como. Conhecemos a verdade profundamente e é essa verdade a base da fé. Contudo, ainda precisamos muito para aprendermos a viver a fé e a Vida de Cristo de forma natural. Não é fácil reconhecer aquilo que nos é natural tratando-se de coisas espirituais, as quais ainda não nos habituamos, pois, são simples e simplicidade ainda pode causar-nos muita confusão nesta fase.

  9. Começamos a amar a Bíblia e a Bíblia começa a amar-nos também com as suas revelações; o nosso melhor professor agora é invisível, real e seguro; a Ele queremos ouvir e, agora, também Ele nos quer ouvir. Por essa razão aprendemos instintivamente a orar do jeito que devemos. Não nos esquecemos que Ele deseja ouvir-nos tanto quanto deseja que o consigamos ouvir. A verdade é que, se já aprendemos alguma coisa d'Ele, certamente já ouvimos a Sua voz de alguma forma. Agora precisamos aprofundar essa comunhão e esse relacionamento com Ele e aprender a distinguir a voz d'Ele das outras.  

  10. Agora começamos a acreditar que a nossa vida não foi criada em vão, para apodrecer, mesmo sabendo que ainda pode apodrecer. Pedimos, emotivamente, que isso nunca aconteça, tal é a percepção da realidade de que nos podemos salvar de tudo que é mau! É precisamente nesta fase que começamos a crer que nada fizemos ainda. As tentações do diabo são nesse sentido e isso é útil, pois, leva-nos a aprender, a esperar e a ter fortes expectativas na providência de Deus de todo coração. As tentações e as acusações de supormos que ainda não fizemos nada leva-nos a ver, no seu devido tempo, que a obra de Deus é no coração e não fora dele. Também nos leva a aprender esperar a em Deus continuamente porque essas tentações tentam fazer de nós pessoas frenéticas cujos caminhos nunca dão em nada. Em certas ocasiões podemos pensar que nem no início da vontade de Deus nos encontramos ainda. E o diabo (muito disfarçadamente) faz-nos pensar que já temos uma certa idade e que já deveríamos te feito certas coisas que nunca fizemos. É frequente ouvirmos dizer: "Eu já tenho muitos anos! Não posso adiar mais as coisas!" E isso ofende Deus, pois quem conta os anos não leva em conta que viverá eternamente. O que são uns anos à luz da eternidade? Não estamos a olhar para as coisas com olhos terrenos? Mesmo assim, o caminho para uma comunhão permanente e incondicional abre-se para nós. Contudo, muitos nem se apercebem porque pensam nas coisas da terra ao invés de pensarem em obedecer e em ouvir a opinião de Deus para obedecer! E Deus tem o seu tempo de falar.

  11. Pressionamos e prosseguimos ora andando, ora cambaleando; ora orando bem, ora orando mal; ora achando que oramos mal quando oramos bem e que oramos bem quando orarmos mal. É uma luta tanto contra as orações do tipo errado como contra a forma certa de orar por falta de hábitos correctos e de conhecimento. "O meu povo tropeça por falta de conhecimento", Os.4:6. Enquanto tivermos pedidos questionáveis à luz da vontade de Deus, não saberemos o que será orar com poder e com virtude. Também será difícil sabermos o que é recebermos todos os pedidos que fazemos. As orações erradas acontecem por força do hábito religioso ao qual a maioria das pessoas se encontra sujeita. Contudo, mantendo os modos, os hábitos, os motivos e as forças antigas e lutando através deles, terminaremos em morte interior e, consequentemente, em morte eterna. Todas as orações precisam de estar impregnadas com os motivos certos e com o poder do Espírito. "Orai no Espírito". Iremos começar a orar da maneira certa a partir de agora? Será que nos apercebemos que isso se é uma responsabilidade pessoal? Será que Deus pode responder a todos os nossos pedidos, mesmo que a resposta seja "não"? É muito importante recebermos respostas concretas. Se Deus disser que "não", é sinal que Ele nos ouviu e nós a Ele. Um "não" significa que Deus tem algo diferente em mente, que nos podemos aperfeiçoar e que nós obedeceremos e nos sujeitaremos a Ele. Um "sim" torna-nos pessoas responsáveis e humildes. As duas coisas estabelecem o relacionamento com Deus. Precisamos atingir o ponto onde todas as orações sejam atendidas. Essa é a promessa de Jesus.

  12. Por vezes arriscamos um olhar para trás para nos certificarmos de que estamos seguindo na direcção certa e que já progredimos em algum aspecto da nossa vida. Se soubéssemos que Cristo está certo, nem perderíamos tempo dando de comer ao vício de olhar para onde não devemos, pois quem olha para trás também olha para outros lados e revela que tem a capacidade de olhar para a frente quando olhou em sentido contrário. Muitos destes maus hábitos voltam por causa da dúvida ocasional (da qual o diabo sabe aproveitar-se); por causa da impaciência; e devido ao facto de havermos achado que a nossa aprendizagem já estaria perto do fim. A impaciência e a falta de vontade em cumprir! Ai destas irmãs gémeas! Desejaríamos que tudo tivesse terminado, mas, o alvo ainda se encontra diante de nós. Contudo, a misericórdia de Deus acompanha-nos, Gen.19:19. Todas as coisas de Deus precisam urgentemente de se tornarem o nosso primeiro e único instinto - a nossa única forma de viver. E Deus reforça todos os Seus pontos de vista e repete algumas coisas importantes para aquele momento. E Ele já nos havia falado! 

  13. Aqui entramos num relacionamento com Deus mais aberto, mais franco e mais profundo quando tudo nos indicava que nos estávamos afastando. Mas, é Deus quem comanda e não nós e ainda bem que assim é. Sentíamos estar prestes a perder, perto da derrota. Mas, afinal vencemos. Lutamos com Deus e vencemos sem saber como. Na verdade, foi Ele que nos ganhou, conquistando-nos quando (porque) lutamos com Ele. Também não entendemos porque razão estamos mais aconchegados em Deus havendo lutado com Ele. Por havermos lutado, não tínhamos a ideia que nos envolveríamos com Ele e nos tornaríamos um pouco mais como Ele. Sentimo-nos mais perto de Deus que nunca. A perda da vida própria começa, aqui, a tornar-se cada dia mais evidente.

  14. Alguns dos muitos rios de água viva começam a fluir livremente de dentro de nós e começamos a desejar mais. Sentimos que nos rendemos a Deus e nem é verdade. Isso é Deus ensinando-nos e demonstrando-nos como tudo deve processar-se, o quanto devemos fazer e a maneira como devemos fazer.

  15. Julgamos o pecado facilmente e achamos que, com isso e desse jeito, o pecado abandonar-nos-á. Essa tendência para a justiça própria, esse jeito do mundo de ser sumário para não ser confuso (agora contra um novo inimigo que conseguimos ver bem ou mal), ainda existe em nós. Ainda não sabemos o que é lutar com as armas de Deus e usamos facilmente as nossas ou, então, ficamos estagnados pegando nas armas de Deus por não sabermos o que ou como fazer com elas. Muitos, nesta fase, escondem os seus talentos por vários motivos. Na verdade, quando ainda temos um amor secreto para com o pecado, somos implacáveis a julgá-lo. Falta-nos saber que o pecado se apoderou das coisas santas e estamos a colocar tudo dentro no mesmo saco, o santo com o profano, passando ambos a fio de espada. Julgar não é o mesmo que condenar para sempre. A morte do pecado é ou já foi conseguida através de Cristo e da sabedoria. "O sábio escala a cidade dos valentes e derriba a fortaleza...", Prov.21:22.

  16. O nosso coração começa a queimar estranhamente e é um queimar literal e real - parece um fogo físico e real. Por vezes colocamos a nossa mão no peito para ver se está quente cá fora também, Luc.24:32. Muitos vão ao médico confirmar se não estão doentes fisicamente tal é a intensidade e a realidade do calor no coração.

  17. Somos humilhados sempre que esperávamos exaltação. Achamos isso muito estranho, logo agora que a presença de Deus nos é real, ou começou a ser.

  18. Mas, apercebemo-nos que existe amor real para com Deus e para com aquilo que Lhe é querido também. No entanto, por vezes confundimos as coisas. Somos tentados a amar do nosso jeito antigo, porque a nossa memória programada ainda nos trai e o nosso jeito antigo de andar, de viver, ainda quer dominar porque a vida antiga ainda nos é familiar e recente. Somos compulsivos no que está certo e vem de Deus e tentamos fazer o que está certo do nosso jeito ou do jeito de outros. Essa compulsividade é prova disso. Mas, não é o jeito de Deus (ainda), pois, recusamos optar por sermos eternos, calmos e activamente constantes de imediato. Temos pressa e agimos de maneira impaciente com as coisas espirituais. Essa pressa é a defesa da carne, é a sua sobrevivência. Mas, quem tenta fazer o que está certo de seu jeito próprio, também se esforça para que Deus faça as coisas da carne de Seu jeito, isto é, que Deus use Seu poder para servir o que é profano devido aos amores do coração do homem. É aqui que a chama de muitos pode esfriar-se caso não abdiquem de todos os seus direitos e modos conscientemente, para além de abdicar de sua própria vida, claro. Uma coisa é abandonar a vida própria, outra é abandonar os modos dela. E o diabo leva-nos a crer que temos de fazer coisas do nosso jeito para Deus e para os outros - não que as coisas sejam erradas, mas, porque o diabo sabe que o nosso jeito será repudiado por Deus solenemente. Ainda nem nos passou pela cabeça o que significa “aqui na terra seja feito como no céu”, isto é, do mesmo jeito e com as mesmas finalidades e em Seu próprio ritmo. Aos que vencem e negam-se, aos que se apoderam de Deus depois de se negarem e não ficam ociosos e inactivos por se haverem negado, aos que não ficam sem saber para onde ir depois de se haverem distanciado dos seus modos próprios e nem ficam perdidos porque se perderam a si mesmos, a todos aqueles que podem dar o próximo passo e sabem que o têm de o dar e o que precisam de fazer, incentivemos a que continuem subindo todos os nossos degraus. Dos outros despedimo-nos aqui, pois, mesmo que prossigam sendo crentes, mesmo que consigam ser crentes, os nossos caminhos serão diferentes e separam-se aqui.

  19. Assim que damos o primeiro passo como se tudo estivesse começando de novo, apercebemo-nos que, na verdade, nem existia amor verdadeiro e exclusivo para com Deus em nós. Havia amor, sim, mas era o nosso misturado com o de Deus, aquele que Ele ainda está a derramar em nós. Achávamos que esse amor era para nós, mas, na verdade, é para ser através de nós direccionado para os outros e para Deus - não somos o alvo desse amor, antes os distribuidores e os canais, pois somos feitos para amar e refeitos só para sermos amor e não para sermos amados. Por havermos pensado que o amor se destinava a nós, nasceu a confusão. É aqui que muitos dos nossos caminhos se tornam apertados, pois, nem sempre se abdicou do amor antigo e do jeito de amar que aprendemos com o mundo, aquele seu jeito contaminado e minado de presunção e egoísmos, o qual usava a palavra amor para fins egoístas tendo o próprio como alvo e exclusivo beneficiário final. O mundo ensinou-nos a ser amáveis e queridos para nos aproveitarmos e recebermos algo de volta. Por essa razão somos, muitas vezes, prestáveis. Mas, com Deus isso já não funciona assim, mesmo que tenha funcionado até aqui para sermos alcançados, pois Deus tornou-se Judeu para os Judeus e Grego para os Gregos para que se tornassem como Ele. E após havermos sido alcançados já não somos nem Judeus e nem Gregos - somos celestiais. No Seu Reino já não existe Grego ou Judeu. Ou tornamo-nos logo como Ele ou arriscamo-nos a estar perdidos, futuramente, em raciocínios e doutrinas, achando que sabemos tudo. Ele tornou-se Judeu para o Judeu para que o Judeu pudesse tornar-se como Ele.

  20. Também é aqui que começamos a orar pelas coisas certas do jeito certo. Isso deve-se principalmente ao facto de havermos colocado toda a forma de egoísmo de lado de forma real (e não apenas de forma teórica). O poder do verdadeiro amor e da visão que obtemos por causa da luz que brilhou ao nosso redor faz-nos temer a indisciplina e a negligência. Por isso fazemos votos renovados diante de Deus e prometemos-Lhe ser-Lhe fiéis. São votos renovados. É necessário que sejam renovados de vez em quando. E Deus tenta terminar toda a obra que começou. Orar desta maneira certa ainda parece-nos algo estranho, pois nunca fomos habituados a tal coisa. E porque isso assim acontece, as nossas orações começam a fazer sentido. Ele também corresponde com respostas mais claras mesmo em cima do acontecimento. Contudo, ainda nos parece estranho e dizemos a Deus, (como se Ele se fosse enganar só porque não conhecemos bem o Caminho novo e porque ainda não nos habituámos a ele): “Pronto, Senhor, se tu queres assim, assim farei. Mas, olha que acho que eu posso estar errado!” É o medo de perder quem fala assim e não a realidade das coisas seguras em Cristo. Na medida que as coisas se tornam mais reais em nós, começam a fazer parte do nosso conhecimento (pois, todas as coisas de Deus necessitam tornar-se reais e concretas, ainda que não do nosso jeito). Por vezes, agimos como se parecesse que sabemos melhor e que sabemos fazer melhor que Deus - só não o afirmamos. Deus passa por cima dessa forma de pensar pretensiosa, inoperante e castrante. Ele prefere levar-nos a um patamar onde a Sua graça se pode tornar mais clara e mais evidente em nós. Necessitamos urgentemente de um coração onde isso possa acontecer. O Senhor conquista o terreno da incredulidade e da ignorância para Ele e fá-lo frutificar com novos frutos. Jesus prevalece sobre nós. Na verdade, Deus precisa que saibamos melhor de outro jeito e, por essa razão, tenta conquistar todo o nosso terreno para Ele, pois o mundo nada sabe e fica sem ajuda porque o egoísmo ainda nos comove e sentimo-nos congratulados quando sabemos mais e melhor. Não seremos ajuda para o mundo enquanto formos como ele. Se o mundo precisa de ajuda urgente é porque seu jeito está errado e ser como não resulta. Mas, na exacta medida de qualquer dos nossos passos concretos de obediência, a realidade vai-se apoderando cada vez mais de nós e vamos deixando para trás, exterminados em ordem, todos os preconceitos - esses frutos do egoísmo que todos aceitam facilmente e dos quais fazem uso para aquelas guerras fora e dentro dos seus corações e das quais tanto gostam! Essas guerras interiores e exteriores precisam chegar a um ponto de plena vitória e paz. Temos de chegar à própria raiz de cada pensamento e imaginação que não estejam sujeitos a Cristo. Apercebemo-nos facilmente que temos de ser reais e não apenas crentes de uma realidade. Deixamos os preconceitos, os conceitos que os crentes ganham e vivemos experimentando a vida da qual tanto se fala. E Cristo vai-nos avisando que Ele está a ganhar terreno contra a nossa própria vida e não a favor dela, para nunca nos iludirmos acerca do que Ele está a fazer. Ele nunca saiu do Céu para abençoar essa vida própria e antes para eliminá-la e exterminá-la por completo. A vida própria é uma ameaça séria e não um doce. Jesus é doce em seu falar, mas, decidido a levar-nos para Jerusalém (lá onde se morre) e nem temos dúvidas sobre tudo quanto Ele pretende alcançar com a nossa morte lá. Até aqui achávamos que o único inimigo era Satanás, mesmo que seja inimigo. Na verdade, éramos escravos de nós mesmos e Cristo veio-nos libertar da pior das escravidões: a própria. E achávamos nós que entendíamos as palavras de Paulo que dizem: “Não vivo mais mas Cristo vive em mim”! Enquanto isso não se tornar uma realidade natural quando é ponderada, sem resistências, nunca se tornará Vida real.

  21. Deus revela estar a tornar-se extremamente importante para nós e percebemos que, talvez, nunca tenhamos sido verdadeiramente filhos de Deus devido àquela novidade de cada dia, nascendo e raiando como nunca. Cada dia é novo. Isso é nova tentação para o egoísmo, pois, o egoísmo busca a felicidade em vez de tornar Cristo alegre por nós. Quando caímos agora, é mais devido à ausência de tentação que pela presença dela, pois aprendemos a estar sempre a lutar contra a tentação. Ainda não aprendemos a lutar pela Vida ou com a Vida para que ela se torne familiar. O diabo também usa essa situação, pois sabe que, na ausência de tentação, ficamos inertes. Mas, quando não ficamos inertes, ele vem para nos apanhar de surpresa, pois deixamos de contar com muitas tentações. Ele ainda é o tentador e até achou sabedoria para tentar Cristo, que o derrotou. Cristo em nós tornará a vencê-lo uma vez mais porque estamos sempre limpos diante de Deus.

  22. Aqui aprendemos a lutar com Deus, talvez de outra forma, talvez não. A Vida é indestrutível e podemos lutar com Ele que não muda - mas, ela transforma-nos a nós pela Sua realidade sem ou com palavras porque nos envolvemos com ela numa luta de vida. Anteriormente aprendemos a lutar e não a viver porque sempre nos ensinaram que o pecado seria invencível e teríamos de lutar com ele a vida toda. Descobrimos que era só mais uma das muitas mentiras do diabo. Havíamos aprendido a lutar contra a morte, antes, para vivermos. E caso sejamos achados a lutar contra a morte, nós que somos assimiladores, assimilaremos os jeitos dessa morte e do pecado, transformamo-nos em pecado porque lutamos com ele e não com Jesus. Mas, aprendemos que devemos lutar com a Vida porque somos assimiladores daquilo em que pegamos. Agora que começamos a saber e a acreditar no facto de que a morte nem nos deve tocar mais e nem nós nela, aprendemos a lutar com a Vida para vivermos como se nada mais existisse contra o que lutar. Assim, assimilamos a vida.

  23. Mais um jeito que tentamos adoptar e aprender a qualquer custo: viver e conviver com a ausência de algumas ou de muitas tentações. Existe gente que busca tentações porque não sabe viver sem elas. Outros não sabem viver com elas sem murmurar tendo aquela vida que vence facilmente a cada passo que damos. Muitos até acabaram por começar a crer que orar sem queixumes não seria orar sequer! Outros, ainda, nem sabem viver de um jeito e nem do outro porque não são honestos com eles próprios. Muitas pessoas agem e reagem apenas preocupados. Sem preocupações, adormecem profundamente. Por essa razão, ausentando-se a tentação, ficamos de novo sem saber o que fazer. E é assim que começamos a perguntar: como viveremos no céu se reagimos apenas à tentação, à provação e ao castigo? Lá no céu não existirá nada disso e precisamos saber viver aqui na terra como no céu. Temos, agora, a real oportunidade de conhecer pessoalmente um dos maiores segredos do evangelho, do qual, livrar-nos de todo pecado foi apenas o começo. Agora, precisamos ou precisávamos mudar de luta, de arena. E já estamos mudando. Aprendemos a entregar-nos a Deus porque a obra interior cabe a Ele. Agora, contudo, escolhemos entregar-nos a Deus e nem nos distraímos com caminhos paralelos. E é assim que tudo se torna diferente (de novo, porque vamos de glória em glória); temos a percepção de que, mesmo quando todo tipo de pecado não é mais problema real para nós, sendo antes considerado como uma vida de total ilusão e perdição que não tem mais a capacidade de nos atrair, que a verdadeira entrega a Deus e a Seu domínio e forma de reinar (a Seu Reino) é o que precisamos fazer para Ele, principalmente através d'Ele, por Ele e isso é viver a favor da Vida e não contra a morte. Anteriormente, havíamos aprendido o jeito que usávamos contra a morte. Para vivermos, precisamos entregar-nos integralmente à vida, sem condicionalismos. A única virtude que sobrou das lutas anteriores foi a consciência da necessidade de permanecermos entregues e totalmente rendidos para estarmos atentos, mesmo nas vitórias - algo que vai para além de sermos vencedores para sempre. Não estamos atentos apenas para vencermos, mas, para vivermos a vida de vitória. Entrega absoluta ainda não é forma de vida para nós, mas, começou a ser há muito tempo atrás e o pecado levou-nos a ser realmente entregues devido à realidade da ameaça de poder-nos destruir completamente caso não fossemos. A luta contra os nossos pecados ensinou-nos a ser entregues a Jesus evitando os confrontos com ou contra o pecado. Agora que o adversário fica sem existir em nossos planos, mesmo existindo neste mundo, o jeito de viver permanece e a entrega mantém-se real em relação à vida. Agora o Sal.123 começa realmente a fazer maior sentido para nós e terminamos afirmando que “O Senhor aperfeiçoará o que me diz respeito” sempre que estamos entregues, Sal.138:8; mas, temos a percepção séria de que essa posse da vida só ocorrerá em nós sendo rendidos a Jesus. Anteriormente, a entrega era motivo de dúvida para nós, pois acharíamos facilmente que deveríamos lutar - lutar contra maus e vilões, contra pecados e tentações. Para nós, a rendição fazia-nos pensar em perdermos a luta por nossa vida ou a de outros. Mas, aprendemos que, rendermo-nos a Cristo não é resignação e antes vitória, é uma rendição à única forma de se obter vitória e à confiança na realidade do poder de Cristo em nós - se é que é real. É rendermo-nos a Quem está do nosso lado e é por nós. Esse sabor a vitória dá-nos um sorriso enorme, pois achámos descanso das lutas anteriores para vivermos. As nossas espadas são transformadas em foices na seara de Deus e não precisamos aprender mais a guerra, Is.2:4. Agora percebemos que nem existe perfeição sem uma entrega absoluta e incondicional em substituição daquelas lutas pelas quais o inimigo pode tirar-nos a vida distraindo-nos e desviando-nos de sermos somente entregues. Ele manipulava lutas falsas, usando para isso os nossos medos, culpas, terrores ou lembranças dessas coisas; o nosso desejo de sermos perfeitos passa a ser o desejo de sermos entregues, mesmo quando ainda possa faltar alguma realidade de o sermos. O vilão não está fora de nós e está morto ou morrendo, apodrecendo sem qualquer capacidade de recuperar. Com isso, alegramo-nos muito. Quanto maior a alegria, mais se nos revela o quanto desejávamos estar mortos para o pecado. Quando nos desviamos um pouco de nosso caminho, dizemos a Deus: “Isto é o que acontece quando me deixas entregue a mim mesmo” e sabemos do que falamos.

  24. Percebemos no ar que agora precisamos acreditar porque as coisas de Deus são mesmo verdade e não apenas porque precisamos acreditar ou porque as coisas de Deus são coisas bonitas ou representam valores que atraem a nossa imaginação. E, só de pensar que tudo é verdade, dá-nos um temor estranho, pois nem é medo, mas temor e reverência pela verdade que ainda por cima é real - é um arrepio de amor solene. Não é mais uma crença, mas, uma realidade na qual antes não críamos como realidade que é.

  25. Devido a esta nova descoberta prática e muito útil para nós e para todo o Reino de Deus, (lá onde as coisas se processam do jeito do céu), cada dia parece-nos coisa nova e vamo-nos habituando a essa ideia de realidade simples. Todos os dias o sol nasce pela primeira vez. Tudo é eterno e lindo. Tudo começa sempre, tudo que temos nunca termina. Tudo é novidade para nós e, finalmente, ganhámos aquele espírito simples de criança do qual Jesus tanto falou; e, caso nos achássemos presos em uma cela sem nada para fazer, a nossa realidade nem seria outra, pois, os nossos afazeres seriam muitos e entendemos o que Pedro queria dizer quando afirmava "Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, elas não vos deixarão ociosos nem infrutíferos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo", 2Ped.1:8. O que conta é conhecer Jesus e isso é o que a Vida Eterna é, João 17:3; e mesmo numa cela teríamos grandes novidades para contar a quem quisesse ouvir. Precisamos viver um dia de cada vez, mesmo quando nunca nos esquecemos de tudo quanto Deus nos prometeu ou mandou para o futuro lá no passado. E é no conhecimento de Cristo que nunca nos tornamos ociosos e não noutras coisas.

  26. Agora, até os mandamentos de Deus nos parecem promessas e nem são mais mandamentos, pois desejamos muito tudo o que Ele deseja. Agora, começamos a orar com muito fervor para que possamos alcançar as promessas de Deus e não mais os mandamentos. "Os Teus testemunhos são o meu prazer e os meus conselheiros", Sal.119:24.

  27. Pedimos as coisas porque as queremos para Deus e é aqui que começamos a perder de vista qualquer justiça própria, mesmo que já não a estivéssemos a praticar. Agora perdemo-la de vista, saindo do nosso mundo consciente para sempre. Perdemos, também, aquela bondade própria ou outra coisa que poderíamos achar que tínhamos porque, aquilo que Jesus é, é saboroso demais para nós e tornamo-nos tal qual Ele pela convivência com Ele. Mesmo que tivéssemos algo próprio, nem seria resistido, antes seria prontamente ignorado com simplicidade de criança, aquela simplicidade que nem dá explicações sobre porque razões ignorou um brinquedo para ir brincar com o outro; não nos importa saber explicar porque a nossa realidade agora é outra. Agora percebemos que só se preocupa com o bem que tem, aquele que se ocupa com o mal que teve ou ainda tem. E antes foi necessário ocuparmo-nos com o mal que tínhamos dentro de nós - ou fora de nós, em caixinhas de som, de imagens, de recordações. E, por essa razão, tornávamo-nos conscientes de tudo que fosse bom que saísse de nós. Quem se ocupa com Deus e de Deus não tem mais mal com que se ocupar e a consequência é a de nunca mais necessitar competir com Deus por Deus. Quem luta por alguém, adquire e usa o jeito desse alguém. Agora que lutamos por Deus em Deus, adquirimos o Seu jeito também, o qual acaba por conquistar-nos integralmente para Deus. Anteriormente, lutávamos por nós e nem tínhamos como impedir o nosso jeito. Com a vivência e o objectivo real pelo qual lutamos e que agora foi finalmente alcançado, vem o jeito de atingir o alvo, como se não tivéssemos alcançado nada ainda. Vivemos em Deus por Deus e não mais por nós mesmos e como sabemos que a nossa vida tem mais valor para Ele que para nós e que todo ouro da terra, lutamos por nossa vida e lutamos pelas vidas de outros porque elas são mais importantes para Deus que para qualquer outro ser existente. Agora, só agora, aprendemos a ter imenso amor certo por nós mesmos e as palavras “como a nós mesmos” ganha outro significado, pois amamos as nossas vidas que antes eram pródigas, próprias e foragidas, como Deus as ama e porque Deus as quer e ama. Antes lutávamos pela salvação de quem amávamos. Agora, porém, lutamos por quem Deus ama e sabemos que, por nossos familiares, Jesus também morreu.

  28. Perdemo-nos dentro de Deus, pois a Sua dimensão em amor é infinita e parámos de medi-la para usarmos o nosso tempo e recursos antes para poder vivê-la e poder conviver com ela. Anteriormente sabíamos disso. Mas, agora vivemos da realidade das coisas que Deus sempre nos vinha falando e querendo demonstrar de forma prática. A santidade parece-nos ser a coisa mais fácil do mundo (mas só agora) e começa a parecer que nunca vivemos de outro jeito. Pecado parece-nos ser coisa imperceptível, impossível e inexistente. Até a lembrança do pecado em nós deixa de existir para vivermos como se nunca houvéssemos pecado e isso (milagre dos milagres) dentro de um mundo cheio de pecado. Realmente, Jesus liberta verdadeiramente e não importa onde ou quem. Nem é o local que importa, pois o nosso pecado existia dentro de nós e não fora de nós, tal como o pecado de outros, do qual a nossa vida não depende, é dentro deles. Fazemos tudo de outro jeito, por outros motivos e, agora, admiramo-nos muito de havermos vivido outra vida quando olhámos para o mundo exterior em seus afazeres, pois, pelo lado de dentro de nós, nem nos conseguimos aperceber que já vivemos aquela vida anteriormente - só olhando para fora nos apercebemos e lembramos! Não tememos mais olhar o pecado de frente porque aprendemos a viver do que está dentro de nós e tornou-se real enquanto nos apercebemos que é firme como Rocha e nunca se abalará. Deixamos de temer perder esta vida por muitas razões, pois o único que poderia rejeitar ou impedir a vida de Deus deixou de existir para o mundo: eu. Deus quer dr vida. A vida de reclusão ensinou-nos a viver só de Deus para Deus, porque era a vontade d'Ele em absoluto. Agora dizemos, alegres, "Senhor, isto é tudo que acontece quando Te dás e Te entregas a mim também, quando eu sou Teu e Tu és meu! Agora não é somente eu a ser Teu, mas Tu entregas-te a mim também". E começamos a perceber porque razão Jesus nunca se entrega às pessoas, João 2:24. Aos fiéis Ele dá de Seu Espírito. Agora fazem muito sentido as palavras, "... o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem", Act.5:32, isto é, àqueles que têm dentro de si a capacidade de Lhe serem obedientes. Mesmo em casos onde esta vida nunca se tornou realmente prática e real, a sua consciência torna-se real e a percepção da sua existência é uma porta de entrada, como se de nada mais tivéssemos consciência e percepção. Entramos no mundo do trabalho de Deus e não nos achamos ociosos só porque não fazemos mais nada por nós mesmos - antes seria isso que aconteceria.

  29. Nós, agora, facilmente depositamos nos Seus pés as coisas que faríamos para nós e fazemos para Deus; e aquilo que antes seria uma luta tremenda, agora é uma consequência, uma vida normalíssima e cheia de prazer sempre que se faz ou se concretiza. Podemos, agora, fazer as coisas para nós mesmos, também, sem estar pecando, pois a nossa vida foi ganha para Deus e Ele cuida dela.

  30. Já não existe diferença entre as nossas coisas e as de Deus, pois as nossas tornaram-se d'Ele e as d'Ele tornaram-se nossas. A salvação daqueles que amamos é importante para Deus e, por isso, trabalhamos: porque é importante para Ele. Vemos que os filhos dos outros também são importantes para Deus, tal como os nossos. Agora podemos orar por eles como pediríamos por nossos próprios familiares, caso estejam com os dois pés à beira do abismo do inferno ou às portas do céu.

  31. Orar agora é fácil e estamos mais conscientes das respostas que das petições e recebemos porque pedimos; pedimos da maneira certa como também já sabemos pedir no tempo certo. Temos a mente de Cristo ou começamos a tê-la. Tudo se fez novo e tudo se faz novo sempre que oramos também. Mas, o maná de hoje apodrece se o guardarmos para comer ou dar de comer amanhã, seja por negligência ou por medo de perder, mesmo que a nossa desculpa seja válida e concludente. Finalmente entendemos as palavras de Jesus: "Minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e terminá-la", John 4:34. Já nem sabemos o que seria sermos egoístas, pois até a consciência de não sermos egoístas perdeu-se. Conhecemos a vida, a única, quando antes só tínhamos o desejo de conhecê-la. Agora é vida aquilo que antes era desejo intenso pelo qual chorávamos e pedíamos para a poder ter de forma abundante e sem cessar, constante e eterna. O sonho tornou-se realidade.

  32. Conforme vamos recebendo aquelas coisas pelas quais oramos intensamente, já nem nos admiramos de as receber tão facilmente. A única duvida, por vezes, é se é para distribuirmos ou se é para nós - isso porque nem existe egoísmo nem pecado mesmo quando aceitamos algo para nós. Somos inocentes, simples. Orgulho que recusa dar, também recusará receber e como já não existe em nós, tanto nos faz que seja para dar ou para guardar ou usar juntamente com outros ou separado. Tudo que vem de Deus é bom e Ele só dá porque é bom para nós e não porque gostamos. E gostamos porque é bom.

  33. Não temos mais peixinhos para distribuir e nem pão e parece-nos muito estranho. Na verdade, estávamos à espera de ser exaltados nesta fase. Mais uma vez escolhemos viver para Deus porque gostamos de viver para Ele. Aqui recebemos uma leve repreensão, pois devemos viver, sim, mas, não apenas porque gostamos. O gostar é consequência e fruto e nunca deve ser deixado tornar-se motivo ou motivação e nem melindrá-Lo com isso, nem exclui o prazer como fruto e consequência. O caminho estreita-se para os dois lados para acharmos o nosso caminho da maneira certa e só o fanatismo se perde aqui - tanto o fanatismo que se vira para gostar como o que se encaminha para desgostar. O diabo só quer que haja desentendimento e a falha nos motivos é o passo que se dá para depois discordarmos uns dos outros. (Discordamos uns dos outros e não apenas uns com os outros - ache a diferença, pois somos diferentes em essência. Se discordamos até somos iguais naquilo que fazemos por fora e o problema e a diferença está no interior. "Acaso andarão dois juntos se não estiverem de acordo?" Amos 3:3). Mas não irei explicar isto aqui.

  34. Aqui podem começar as listas de algumas orações pendentes, as quais podem ficar sem resposta - até sem um não. Nem assim temos como ou porque descrer ou ficarmos desanimados e nem tão-pouco nos conformamos com isso, mesmo porque nunca nos esquecemos dos pedidos que fizemos - e isso é importante. (Se nos esquecêssemos dos pedidos que fizemos, nunca seríamos pessoas de oração. Se nos lembrarmos deles teremos a opção de aprender ou de descrer caso Deus não responda). Temos de chegar ao ponto onde todas as orações obtêm respostas, pois essa é a promessa de Jesus. A esperança necessita ser tão sólida quanto a fé e o amor para outros e para Deus será o vínculo que une tudo. Em casos ou ocasiões pontuais começamos a achar que somos hipócritas, ou que os outros acham que somos, porque falamos que Deus responde a tudo (e é verdade) e parecemos Jó diante dos seus amigos; mas, no nosso caso, algo de muito estranho acontece e nem conseguimos descrer e sentimos que seríamos hipócritas caso disséssemos que Deus não responde - mesmo quando as coisas tardam em chegar. Era o que acontecia com Jó também; essa capacidade de descrer nem existe mais em nós, a menos que nos afastemos de Deus, pecando, pois a fé é fruto da comunhão com Cristo e naufraga através do que nos separa d'Ele, 1Tim.1:19 - não nasce por ver sinais ou prodígios e nem morre pela ausência ou abstinência de milagres. As coisas de Deus parecem-nos distantes, por vezes, quando Deus nos está tão perto. Tudo ensina-nos a viver só para Deus e não para o que Ele dá. Mas, os que aprenderam a viver só para Deus desde o início verão milagres toda a vida como os apóstolos viram.

  35. De repente, quando a paciência termina o seu trabalho e a obra de solidificação garante o seu crescimento futuro pela esperança e pela perseverança que irradiou sob pressão para desistir e que se instalou em vez de nos deixar, o céu invade o nosso ser e até acordamos de noite queimando como fogo. Ainda nos custa muito alcançar Deus, mesmo sendo Ele o nosso único desejo. Os diamantes são formados sob grande pressão do calor da terra. Assim acontece com a fé e com a esperança. Quando duvidamos, o fogo diminui correndo o risco de se apagar, pois Deus apenas permite-nos duvidar de algo que não é verdade; e quando é verdade que não é real, Ele permite-nos apenas crer que não temos o que Ele promete - nunca nos permitirá achar que a Sua realidade é mentira. Mas, a contradição pode instalar-se dentro de nós, pois nem temos mais como ou porque negar que é verdade que Deus nos segurou.

  36. Oramos sempre com os olhos virados para a presença de Deus, sendo que tudo serve para nos aproximarmos d'Ele. Quando não sabemos algo ou não sabemos o que fazer nem nos preocupa tanto, pois pedimos e podemos receber facilmente. Mas, quando a presença de Deus parece diminuir, assustamo-nos e entramos em apuros e trabalhos de parto em nosso interior. Parece-nos o fim do mundo ficar sem Deus. E não é?

  37. Apoderamo-nos de Deus como se Ele quisesse fugir para algum lado. Mas, na verdade, é Ele que se está apoderando de nós passo a passo através desses golpes de sabedoria. E Ele dá os passos todos e sabe o que faz.

  38. Deus parece-nos um degrau acima daquilo que podemos subir. Estranho, logo agora que estava tão perto e nos distraímos um pouco na beleza de Vida que achámos e com a qual não sonharíamos nem usando toda a nossa imaginação. Logo nos apercebemos que temos de subir e não ficarmos a lamentar-nos. Ele não tem intenção de desistir de fazer aquilo que achamos que nos magoa e que, na verdade, é o bálsamo pelo qual trabalhamos. Este degrau, difícil de subir, só sobe quem não murmura e quem não se lamenta, nem em silêncio sequer, isto é, quando não se murmura, caso ainda existe um coração murmurador. Lemos que “nenhum murmurador entrará no Reino dos Céus” e, quem murmura, também se congratula e, por isso, quem se congratula também fica aquém desse reino precioso sempre que recebe algo. Apercebemo-nos que Deus tem algo diferente em mente e que, agora, nem é o nosso pecado que precisa ser limpo e antes o nosso ser. Nem buscamos mais pecado em nós, tal é a nossa confiança em quem salva de todo pecado e purifica através da Sua sabedoria actuante. Sabemos o que significa "E isso faremos, se Deus o permitir", (Heb.6:3), quando deixamos as coisas básicas dum relacionamento para trás porque sabemos instintivamente e confiantemente que não existe caminho de volta - nem o bom caminho que já trilhámos antes, voltará.

  39. Deus pega bem fundo em nós desta vez, quebrando os laços que ainda tínhamos com o resto do mundo e que ainda existem dentro de nós sem nos apercebermos. E isso quando até achávamos que o mundo havia morrido para nós! Estaria ele ainda escondido de nossos olhos? Mas, Deus nunca desistiu nem tirou Seu olho do que não víamos.

  40. Perdemos a nossa vida por completo agora e nem achamos difícil cumprir debaixo do Seu Jugo leve e suave demais. Nada é pesado, nada do que fazemos pode ser pecado.

  41. E agora pensaríamos que só nos falta o céu e que o próximo passo seria dado lá. Mas, não é verdade. Agora estamos quase prontos para o trabalho de Deus, para aquela obra que Deus preparou para nós, para o Céu aqui na terra. A vida cá na terra começa a fazer sentido agora, pois vivemos do jeito de Deus e para a finalidade que fomos criados para vivermos. Em vez de subirmos para o Céu, o Céu é que desce a nós, vindo para ficar e aconselhar. Sabemos o que significam as palavras de Moisés: "Os dias do céu sobre a Terra".

  42. De tanto que nos familiarizamos com esta nova Vida que nem tememos e nem impedimos reviver e relembrar muitos detalhes da nossa carreira de perigos constantes até aqui. Vemos detalhadamente como Deus nos protegeu e, em vez de ficarmos ressentidos e magoados pelos males que passámos, vemos o bem que nos trouxeram e nós alegramo-nos n'Ele porque deciframos quais os motivos de muitas coisas e de tudo que passamos porque nem era culpa Sua. Foi uma obra de amor de Sua parte. Agora revivemos os males dos outros como se fossem nossos e apercebemo-nos do que é feito um profeta de Deus: alguém em quem os problemas dos outros são reais, para que os apresente diante de Deus como são e ache as soluções em Deus para tais problemas, orando assim, abrindo os caminhos de seu próximo, vivendo-os pessoalmente com um toque de poder e de observação interior pessoal mais independente - mais para alguém sair dos seus problemas, do que achar descrições e vantagens do caminho a seguir. Sempre que ajudamos outros, agora, estamos apenas um passo à frente de quem ajudamos e não dois. Não explicamos as coisas a não ser que seja necessário fazê-lo. Antes vivemos as coisas recebendo respostas de forma prática. Temos aquela paciência de dar passos que nem são nossos, de falar como se estivéssemos vivendo tudo aquilo que vivem os oprimidos ou outros que se alegram, vivendo as soluções deles porque achámos os seus caminhos e modo de eles saírem de pecados e problemas e nada disso afecta-nos em nosso próprio caminho, pois estamos mortos e temos a nossa vida nova paralela, a qual não negligenciamos. Mostramos obra fazendo-a e concretizando-a e, muitas vezes, nem usamos palavras e antes os meios que Deus colocou à nossa disposição. Nunca nos achamos muito à frente de quem tem de dar um passo connosco (ou nós com eles) e parece que sabemos instintivamente que cada passo para qualquer pessoa é penoso demais para não termos aquela paciência de esperar por quem anda. Parecemos Jacó lidando com seu rebanho: "...estes filhos são tenros e tenho comigo ovelhas de leite; se forem obrigadas a caminhar demais por um só dia, todo o rebanho morrerá", Gen.33:13.

  43. Mesmo que olhemos para trás agora, não é pecado, pois nada temos que nos prenda lá para onde olhamos. O nosso coração está limpo e vemos Deus a quem preferimos até inconscientemente. Não era pecado para Abraão olhar para onde a esposa de Ló olhou. Ela virou estátua de sal, mas, Abraão não. Abraão não virou estátua de sal porque ele já havia renunciado Sodoma e Gomorra muito tempo antes de serem destruídas. Olhando, recebemos sabedoria para contornar os obstáculos pelo rebanho, aqueles que nós não soubemos contornar em devido tempo, (principalmente esses, pois precisamos vencer tudo que ainda não vencemos e ficou para trás - só que vencemos de outra maneira); e nós sabemos onde e porque erramos desse jeito. Agora, usamos todos os nossos sentidos apurados para sermos úteis ao rebanho de Deus como o mundo usaria os meios apenas para ele próprio; e tudo que fizemos de mal ou de bem é matéria e comida para acumular à nossa experiência actual. Ficámos atentos a cada passo que já demos e a nossa sabedoria e perspicácia aguçou-se e prontificou-se a servir sem interesse. Somos extremamente honestos e sinceros sem esforço, algo que atrai o mundo perdido até nós. As coisas processam-se dentro de nós mais ou menos do jeito que se processam no Céu.

  44. A nível pessoal, percebemos que a morte não nos assusta mais e atrai-nos a ideia de ir viver com Cristo e até ficamos imaginando como será lá. Ao pensar no céu, exultamos! Mas, a vontade de Deus é o que nos impele e nos faz movimentar e não nossos desejos muito profundos de estar com Cristo para sempre. Ora, Ele também está aqui connosco! São com palavras assim que nos confortamos. Na verdade, sabemos instintivamente que nosso caixão ficará vazio depois de entrarmos nele. Sabemos que o céu está a um pequeno passo de nós e isso torna-nos humildes e simples em nossa fé e vida.

  45. Chegámos a um ponto que quase não falamos orando. Cristo está tão perto de nós que sussurramos e Ele ouve-nos facilmente. Na maioria dos casos, antes de falarmos, Ele já nos ouviu e, sempre que suplicamos, há tremores e trovões diante do Trono de Deus, tão forte é o som das nossas súplicas nos céus, Is.65:23,24.

  46. Somos tão sensíveis à vontade de Deus que nos tornamos a própria vontade d'Ele. Muitas vezes, descemos alguns degraus por causa dos outros que nos são próximos e se tornaram nossos familiares e irmãos muito chegados. Muitas vezes, de tão sensíveis que estamos em relação à vontade de Deus, fica parecendo que chegamos antes de Deus a um certo lugar ou a uma certa conclusão, como se nos tivéssemos antecipado e Deus deixa que isso nos pareça ser verdade.

  47. O toque mais leve do Espírito Santo é o maior dos mandamentos para nós e sabemos, instintivamente, que nada tem como impedir um servo sujeito a Deus. Temos a plena certeza que iremos cumprir tudo até ao fim. Sabemos que poder, perspicácia e eficácia nunca nos faltará - nem o que cabe a Deus dar faltará e nem aquilo em que nos tornamos falhará.

  48. Mesmo se estivermos numa idade muito avançada e cheios de rugas, sentimos como se houvéssemos nascido ontem. Somos seres naturalíssimos numa Vida que o mundo não tem como dar. Em nossa mente e aptidões nem existe inicio de nada, nem fim de nada e apenas vivemos sendo eternos (constantes). Nunca nos cansamos, nem mesmo quando ficamos noites inteiras adorando (deitados, ajoelhados ou sentados) na Sua presença. Tudo de Deus é real e faz sentido. Também faz tempo que todas as coisas deixaram de ser crença e esforço. Esta vida não tem igual, nem o jeito de a viver existe nesta terra. Para experimentar tudo isto abandonamos o jeito terreno.

  49. Deus movimenta-se em nós como se fossemos o céu. Jesus vive sem impedimentos em nós.

  50. Meu conselho a quem leu até aqui: nunca pare num degrau para gozar o momento, pois, tudo se goza apenas enquanto caminhamos. O alvo não é ter gozo e antes andar em Jesus. O céu, dentro de nós, não termina e só goza o momento quem acha que é algo que vai acabar. O espírito do mundo é que usa essa desculpa quando quer prazer. Por essa razão, nem devemos prendê-Lo dentro de nós - nada tem como prender nem o momento e nem Deus, para sempre. Ámen.

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José Mateus
zemateus@msn.com