MORRER NO NOSSO PECADO
"Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Eu me retiro; buscar-me-eis e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir. Disse-lhes ele: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados; porque, se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados", João 8:21-24

Só um tolo achará que não morrerá. Só outro tolo é que pode achar que ainda tem muito tempo para viver sendo que a morte espreita a qualquer momento em qualquer esquina.

Não importa quanto tempo se vive cá na terra, se um dia mais ou se dez anos para além do que esperávamos viver ainda. Sempre que o dia chega, qualquer ser achará sempre que viveu pouco tempo ainda e tenta de tudo para salvar a própria vida naquele instante. Até Satanás sabe disso, pois ele mesmo disse a Deus: "Então Satanás respondeu ao Senhor: Pele por pele! Tudo quanto o homem tem dará para salvar a sua vida", Job 2:4. Só os que acham que ainda não vão morrer é que se dizem conformados com o dia da sua morte. Nunca vi ninguém conformar-se com a morte na própria hora da morte, com excepção dumas quantas pessoas que morreram cantando por se acharem em Cristo e livres dos seus pecados sobre os quais antes, numa vida de tolice, se tornaram obstinados e teimosos.

O segredo de toda a vida e morte baseia-se e funde-se com isto que o Senhor fala aqui: não morrer em nosso pecado. Mas para nosso pecado desgrudar de nós, desmaterializar-se e desvanecer por completo, teremos necessariamente de saber, conhecer Cristo como Ele é e não como o possamos ter ou imaginar ainda. Se adoecermos, acima de tentarmos salvar a vida nos médicos e hospitais, devemos ter e obter como prioridade absoluta nunca morrer nem com pecado por confessar, nem com pecado activo que se deseja manter e guardar ainda como tal.

Sabemos que Cristo nos livra de pecarmos, de continuarmos naquele desejo sedento de satisfazer tudo quanto possamos achar ser prazer, mas que não o é de forma alguma em termos reais. O pecado é sempre um engodo que nunca dá o que promete, pois nem dá vida nem pode livrar da morte; e é ele quem torna viciado quem a ele se entrega exigindo com isso a vida em troca. Pecado só tem sombra de prazer enquanto não se materializa, pois é o desejo por satisfazer que leva as pessoas a permanecerem no seu encalço. Todo tipo de pecado deixa para trás de si terreno e corações queimados, mesmo que não seja sentido por se atarefarem de novo com a busca daquilo que não os pôde socorrer anteriormente. Jesus disse: "Quem bebe dessa água, tornará a ter sede". Quem bebe do pecado tornará a ter maior sede ainda.

Nunca vi um pecador feliz, nem mesmo pouco tempo depois de haver pecado. Sua paz de espírito é perturbada, manchada, anulada, atropelada e mistificada nos anseios e nos desejos de que a paz de espírito não seja rival e inimiga do pecado – o que é impossível de acontecer. "Os ímpios são como o mar agitado, pois não pode estar quieto; não haverá paz para os ímpios, diz o meu Deus", Is.57:20,21. Mas, mesmo que seja feliz com isso, nada de feliz terá seu fim, pois anula toda a esperança de vida através da própria prática de seu pecado, quer o ache coisa boa ou ruim. A maioria das pessoas que se agarram ao pecado, são precisamente os que acham que o pecado é ruim. Contudo, muitos outros acham que pecado é leve de se manter, mesmo quando se acham e se sentem oprimidos e sem saberem qual a razão.

Sabemos da história dos dois homens que morreram ao lado de Cristo, os dois ladrões que foram condenados juntos com o Príncipe da Vida. Logo ali achamos duas atitudes diferentes e que nos impressionam em ambos os sentidos, se nos colocarmos no lugar de qualquer um deles. Vemos um querendo e desejando salvar a própria vida, outro conformado que iria morrer e ambos querendo o auxílio de Cristo cada qual com sua finalidade: um queria ver-se livre de suas culpas e pecados, enquanto que o outro queria uma nova oportunidade de ir vivê-los de novo. Poderíamos dizer que aquele que disse, "Salva-Te a ti mesmo e salva-nos também", o que morreu em seus pecados, tinha muita fé em que Cristo o poderia tirar dali, mas não para perdoar e limpar pecados como Ele pode fazer de facto, mas que antes contribuiria para que ele pudesse prosseguir sua onda de crime sendo fugitivo, salvando-se da cruz e não pela cruz de Cristo.

O outro, conformou-se que iria morrer e aparentemente não teria fé (se formos analisar a sua atitude pelos parâmetros evangélicos actuais); ele estava atento a Quem estava do seu lado e acima de pensar num jeito profano de salvar-se da morte física, lembrou-se de seus pecados e porque razão se encontrava ali preso. Acabou achando justa a sua pena e pediu ao Senhor que se lembrasse dele assim que entrasse no Seu Reino – logo ali. Nesse mesmo dia entrou no Reino de Deus.

O importante é livramo-nos de nossos pecados e de tudo aquilo que ainda nos pode chamar e incentivar a pecar muito ou pouco. Cristo liberta deveras, mas não da morte e nem daquilo de que o pecado possa desejar ser liberto para prevalecer ainda mais e melhor. Cristo nos pode libertar de nós próprios, de nossos anseios e muitos pecados, de todos os nossos desejos, enchendo-nos e preenchendo-nos logo de seguida com um gozo celestial que nem nossa própria alma consegue suster.

Na verdade, o que conta é não morrermos em nossos pecados, pois para isso Cristo veio morrer e ressuscitar. Vai deixar Deus uma vez mais desapontado consigo? Amem.

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José Mateus
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