QUANDO DEUS ESCOLHE
"Porquanto eles escolheram os seus próprios caminhos e tomam prazer nas suas abominações, também eu escolherei as suas aflições, farei vir sobre eles aquilo que temiam; porque quando clamei, ninguém respondeu…", Is.66:3,4

Existe muita disputa sobre este assunto da eleição. Eu não vou entrar nela. Mas creio que existem certos pontos em versículos usados que merecem nossa atenção para que, aquilo que realçam seja visto claramente, pois por não se vê claramente se discute tanto. Acho que, se olharmos bem de frente para estes versículos calaremos tanto os que defendem como os que fustigam as doutrinas da eleição, pois nenhum deles está certo.

Se conhecemos as árvores pelo fruto que estas dão, se sabemos que quando a pessoa duvida sobre algo que deseja, se ela tenta de tudo e com todos os meios convencer-se do assunto e da validade de seus desejos, então poderemos facilmente concluir que quem bate sempre no mesmo prego não é carpinteiro, isto é, quem bate na mesma tecla noite e dia não sabe o resto do recital e prendeu-se a algum ponto da sua duvida. Se os que são pró-eleição e os que são anti-eleição em nada duvidassem do que afirmam, sobre nada discutiriam também, pois essa doutrina não salva ninguém seja ela verdadeira ou falsa. O que eu acho é que quem se entrega à discussão de algo assim, tal como as doutrinas sobre baptismos, ceias e que mais, só o faz para tentar evitar a razão fulcral da vinda de Cristo a uma vida: a mudança da sua própria vida, a salvação do próprio do seu pecado e não dos pecados e das doutrinas dos outros. É sempre conveniente para o pecador gastar seu tempo com coisas que em nada mudam sua vida, desde que se ache crente e pronto para a eternidade. A discussão não leva ninguém a bom porto, pois se não apresentarmos Cristo em forma real, em Pessoa que é, a alguém (muitas vezes a nós próprios), de nada nos serve havermos sido escolhidos para sermos crentes.

(Se tento convencer-me que Deus criou o mundo, é porque na verdade duvido desse facto. O melhor seria, então, colocar as coisas em pratos limpos antes de desvendar as doutrinas. Quem conhece também sabe, mas quem sabe nem sempre conhece).

Um dos textos mais usados e abusados sobre este tema da eleição é o primeiro capítulo de Efésios. Creio mesmo que as pessoas ficam cegas ao lerem as palavras eleição ali, ou mesmo predestinação e não lêem o resto da frase e nem dentro do seu contexto. Vamos colocar isto um pouco dentro do contexto então. Mas para isso, vamos ver um texto também usado com alguma falta de bom senso em 1Ped.2:9-10. Pelo texto que usamos no início desta mensagem, poderemos facilmente concluir que Deus se acha no direito de decidir sobre o próprio destino de qualquer pecador, de quem já está perdido, já que estes se decidiram contra Deus de forma leviana. Podemos concluir, também, por textos como 2Tim.2:21-22 que vasos de desonra podem-se limpar e tornarem-se em vasos de honra andando na luz.

Podemos concluir pelas passagens que falam de eleição que, quando Deus elege entre uma geração perversa, será para que os não eleitos saibam de Deus através esses mesmos eleitos. Podemos verificar e constatar facilmente que os que foram eleitos para que Deus seja visto neles, se não se tornarem vasos de honra e limpos, serão eleitos para serem a vergonha do mundo. Deus irá manifestar-se na mesma, só que de outro jeito e através de Sua ira sobre eles. "Mas este é um povo roubado e saqueado; todos estão enlaçados em cavernas, e escondidos nas casas dos cárceres; são postos por presa, e ninguém há que os livre; por despojo, e ninguém diz: Restitui. Quem há entre vós que a isso dará ouvidos? que atenderá e ouvirá doravante? Quem entregou Jacó por despojo e Israel aos roubadores? porventura não foi o Senhor, aquele contra quem pecamos, e em cujos caminhos eles não queriam andar, e cuja lei não queriam observar? Pelo que o Senhor derramou sobre Israel a indignação da sua ira, e a violência da guerra; isso lhe ateou fogo ao redor; contudo ele não o percebeu; e o queimou; contudo ele não se compenetrou disso", Is.42:22-25. Se Deus não for glorificado pela santidades dos escolhidos, será pela vergonhas dos que escolheu.

Podemos facilmente concluir que os que são e foram eleitos, são eleitos para manifestar toda a glória e resplendor de Deus mesmo antes de morrerem, são chamados a viver uma vida santa, purificada e casta. Deus escolheu Israel por essa mesma razão, escolheu Faraó como endurecido para salvar a muitos (para que pessoas como Raab ou Rute, ou gente como os de Níneve pudessem temer e salvarem-se assim que ouvissem a Palavra, fosse esta de ira, de juízo ou mesmo de irredutibilidade).  

Em 1Ped.2:9-10 lemos o seguinte: "mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; (10) vós que outrora nem éreis povo, e agora sois de Deus; vós que não tínheis alcançado misericórdia, e agora a tendes alcançado. (11) Amados, exorto-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências da carne, as quais combatem contra a alma; (12) tendo o vosso procedimento correcto entre os gentios", 1Ped 2:9-12. Ora, era óbvio que Deus haveria de escolher entre a milhares de gerações deste mundo, uma na qual Cristo fosse nascer, morrer e ressuscitar. A geração de Pedro foi a eleita para isso. Eles foram a geração eleita. Mas, afirmar que só eles estavam destinados a salvarem-se porque eram a geração eleita para Cristo vir ao mundo, será tão perverso quanto afirmar que muitos se perdem porque não foram escolhidos. Temos de saber que alguma geração daria o Cristo e que Deus teria necessariamente de escolher uma geração para esse efeito.

Podemos verificar entre os dois versículos que à vista falam de sermos eleitos ou não em Ef.1, que estão intimamente ligados a sermos santos e não a irmos para o céu. Se a eleição salvasse em vez de criar as condições para poder salvar do pecado, logo Israel nunca haveria de ser rejeitado até ao dia de hoje – nem mesmo na eternidade. Mas lemos do povo antes escolhido o seguinte: "Não entrarão no meu descanso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo", Heb.4:3. "Por isso convém atentarmos mais diligentemente para as coisas que ouvimos, para que em tempo algum nos desviemos delas. (2) Pois se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição, (3) como escaparemos nós (os que foram eleitos), se descuidarmos de tão grande salvação?" Heb.2:1-3. Esta salvação que retira o pecado de todo homem enquanto ele vive Mat.1:21, salva-nos, mas não apenas e simplesmente do inferno.

Assim, concluímos com os dois versículos em Efésios que dizem o seguinte: "também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele", Ef.1:4. Seria bom que todos os que se acham eleitos pensem nisto: qualquer eleito é eleito para ser santo e não para entrar no céu. Logo, seria bom nunca tirar esta doutrina do seu contexto e nem do seu conteúdo, pois se estamos ouvindo o evangelho porque este chegou até nós em dado momento, podemos concluir que somos escolhidos a ouvir e, se até um morto ouvir, será salvo tanto da sua morte quanto do seus pecados todos.

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José Mateus
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