QUANDO É QUE DEUS NOS ABANDONA
"Depois de terem passado a primeira e a segunda sentinela, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, a qual se lhes abriu por si mesma; e tendo saído, passaram uma rua e logo o anjo se apartou dele. Pedro então, tornando a si, disse: Agora sei verdadeiramente que o Senhor enviou o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de toda a expectativa do povo dos judeus. Depois de assim reflectir foi à casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde muitas pessoas estavam reunidas e oravam", Actos 12:10-12

É comum a todas as pessoas desejarem ser guiadas por Deus. O que não gostam é para onde Deus as pode levar. Como a Pedro, também a nós nos pode ser transmitido que: "Em verdade, em verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde tu não queres", João 21:18. É quase sempre por essa razão que as pessoas deixam de ser guiadas pelo Espírito, deixando assim de ser filhos de Deus, pois está escrito para que todos leiam que: "Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus", Rom.8:14. Você é guiado pelo Espírito de Deus?

Mas sempre que são guiadas e deixam de desejar ser guiadas, é porque deixam de amar os caminhos de Deus também. Deus não nos pode guiar para o cinema das nossas vaidades sem fim e, por isso, quando Ele nos leva por veredas que nos são estranhas e indesejáveis, logo reclamamos que Deus nos abandonou, que não nos guia mais quando somos nós que queremos ser guiados para onde queremos. Mas deus não vai ao cinema. Logo aí está uma incoerência da nossa parte: é impossível Deus não guiar alguém que esteja conforme a Sua santidade e limpo de coração – mas para onde e até onde? E pode Deus deixar um filho limpo, que quer ser guiado pelos motivos certos e ainda para o lugar onde Deus quer, pode tal homem ou mulher ser deixado ao "abandono"? Ora vejamos. Será que seremos sempre visivelmente guiados de forma que se note sempre?

Isto de ser guiado por Deus não é circo, não pode ser espectáculo. Logo, a partir daí, concluímos que se trata da coisa mais séria de toda a existência de qualquer ser humano: o ser guiado por Deus. A Bíblia fala para um mundo onde todos se consideram filhos de Deus que, quem não é guiado pelo Espírito, não é filho de Deus. O ser que quer ser guiado por Deus mas para onde ele próprio impõe e deseja que Deus o leve, apenas quer sinais de estar a ser guiado para se consolidar cada vez mais em sua teimosia, pois não é seu real desejo ver e ter verdade como prioridade absoluta, mas apenas que Deus o apoie e guie naquilo que quer – sem que tenham de deixar o pecado. Buscam é conforto no seu mal. Querem é ser felizes, querem ser acarinhados, não importa a que custo e a que preço. É por aí que caem acusando Deus de seguida, pois Deus e Seu nome são usados em vão em suas vidas. Tais árvores estão em vias de ser cortadas e queimadas, pois quando Deus deixa de guiar, o machado está na sua raiz porque não dão frutos dignos de arrependimento.

Mas, falemos daqueles que são guiados de facto, muitas vezes sem o saberem, sentindo apenas a forte presença do Omnipotente por perto, de tal forma que até lhes parece sonho – outros vendo mesmo, como foi o caso de Pedro. Sabemos que Deus nos dá direcção e acima de tudo, aquilo que nos é necessário para sermos seres conscientes e pensantes. Deus nos guia claramente por situações indesejáveis quando nosso desejo não é apenas Ele, pois tudo nos parece indesejável. Mas assim que o nosso percurso não precisa mais ser apoiado, (pois é nas dificuldades que duvidamos e quase nunca desejamos ver claramente ou acreditar que estamos nos caminhos certo ainda), logo, como fez com Pedro, "e tendo saído, passaram uma rua e logo o anjo se apartou dele". Assim, Pedro foi apanhado de surpresa por aquele abandono súbito e pôs-se a reflectir no meio da estrada onde não havia carros, mas havia perigos. "Depois de assim reflectir foi à casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde muitas pessoas estavam reunidas e oravam". Vemos que o anjo não lhe disse "Olha, Pedro, vai a casa de Maria, mãe de João e depois sai da cidade!" Mas Pedro reflectiu onde o anjo o "abandonou". E se reflectiu foi porque estava um tanto ou quanto confuso e contundido, porque foi abandonado e se sentiu no meio do perigo. Pode Deus "abandonar-nos" então quando estamos a ser guiados? Que mais quererão dizer as palavras: "Quem há entre vós que tema ao Senhor? Ouça ele a voz do seu servo. Aquele que anda em trevas e não tem luz, confie no nome do Senhor e firme-se sobre o seu Deus"? Is.50:10. Não há que temer nada a não ser temer Aquele que tem todo o poder de destruir e reconstruir de seguida se for necessário. "Quem há entre vós que tema ao Senhor?" "Deitar-me faz em pastos verdejantes; guia-me mansamente a águas tranquilas. (3) Refrigera a minha alma; guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome. (4) Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam", Sal.23:2-4. Deus não abandona ninguém que esteja puro no caminho que segue: apenas guia de outra maneira menos visível! Guia pelo instinto que nos deu a todos sem excepção, pois Ele confia que iremos reflectir sempre que nos sentimos a sós e não duvidar.

É preciso um lençol descer do céu com uma lista de todos os pecados dos quais você não se pode alimentar? Sem lençol não deixa de pecar e nunca os confessa um a um? Se sem tudo escrito não deixa, também não deixará vendo um lençol baixando à frente dos seus olhos – o que o livra do pecado é um coração puro, nunca um sinal dos Céus. Que Deus o abandone mais vezes para você reflectir mais e melhor. Amem.

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José Mateus
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